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quarta-feira, 5 de junho de 2019

Fósseis de bilhões de anos podem reescrever a história da vida na Terra

Os fungos desempenham um papel incrivelmente crucial na história da vida no planeta Terra. É por isso que os cientistas estão tão animados em anunciar a descoberta dos fósseis de fungos mais antigos do mundo. Os fósseis minúsculos datam de algo entre 900 milhões e 1 bilhão de anos atrás, antecedendo em quase meio bilhão de anos o recordista anterior.
          Com 1 bilhão de anos, esse fungo também pode ser candidato a uma das primeiras vidas multicelulares na Terra. "Os fungos são um dos grupos mais diversificados de eucariotos conhecidos hoje e, apesar disso, seu antigo registro fóssil é muito escasso", disse o autor do estudo Corentin Loron, da Universidade de Liège, na Bélgica.
          Relatados na revista Nature, os microfósseis de Ourasphaira giraldae foram encontrados no xisto da costa do Ártico, no noroeste do Canadá. Usando um microscópio eletrônico, Loron e sua equipe foram capazes de denotar minúsculas estruturas – paredes com duas camadas nas células, filamentos ramificados e esferas semelhantes a esporos - que sugeriam fortemente que estes eram realmente fungos. As paredes celulares também continham quitina, assim como fungos modernos. 

Figura 1 - Um fungo multicelular microscópico chamado Ourasphaira giraldae, que viveu em um ambiente de estuário há cerca de 1 bilhão de anos. Fonte: Corentin Loron/Universidade de Liege
          Não está claro como o fungo apareceu no xisto. "Não podemos saber com certeza se O. giraldae estava vivendo no solo, mas as rochas em que foi depositado são estuarinas. Talvez esses organismos, que precisam de fontes externas de alimentos, estivessem vivendo no ambiente estuarino, o que teria proporcionado tudo que um fungo pode precisar", acrescentou Loron.
          Supunha-se anteriormente que as primeiras plantas e fungos surgiram quase que no mesmo período, formando uma parceria íntima que ajudou a dar origem à ecosfera terrestre como a conhecemos, há cerca de 420 milhões de anos. Com essa nova descoberta, no entanto, parece que os fungos poderiam ter realizado mais de 450 milhões de anos de trabalho de base antes que as plantas viessem colonizar a terra. A nova descoberta também sugere que a vida animal pode ter começado muito antes do que nossa estimativa atual sugere.
          “Esse achado é interessante porque os fungos são, na ‘árvore da vida’, o parente mais próximo dos animais. Isso significa que, se os fungos já estavam presentes em torno de 900 milhões a 1 bilhão de anos atrás, os animais também deveriam estar”, continuou Loron. “Isso está remodelando nossa visão do mundo porque esses dois grupos, assim como outros grupos eucarióticos como as algas, ainda estão presentes hoje. Este passado distante, embora muito diferente de hoje, pode ter sido muito mais ‘moderno’ do que pensávamos."
Para saber mais:
Sobre o autor:

Diego Henrique Mirandola Dias Vieira é biólogo, mestre e doutorando em zoologia pelo Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu. Queria ser jogador de futebol mas se escolheu a profissão que tem maior salário. Faz pesquisa na área de parasitologia de peixes.

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