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terça-feira, 11 de junho de 2019

Procura-se doadores voluntários de fezes para pesquisa científica!


Por Aline Missio

Meu nome é Aline Missio, e atualmente sou estudante de Doutorado em Genética pela UNESP de Botucatu. Minha linha de pesquisa é análise do microbioma intestinal, cujo foco são bactérias das fezes de doadores saudáveis e de pacientes com retocolite ulcerativa, uma doença inflamatória intestinal sem causa definida. 

Estou procurando doadores voluntários para fornecer fezes com a finalidade de avaliar a eficácia da transplantação fecal na melhora clínica de indivíduos portadores de retocolite ulcerativa. A transplantação fecal nada mais é que a transferência de fezes de um doador saudável para o trato gastrointestinal do paciente com a finalidade de restaurar a sua microbiota, pois estudos demonstram que indivíduos com retocolite ulcerativa apresentam alterações na sua microbiota intestinal.

O tratamento da retocolite ulcerativa geralmente envolve terapias medicamentosas ou cirurgia. Porém, alguns pacientes não respondem satisfatoriamente ao tratamento convencional, o que compromete muito a sua qualidade de vida. Portanto, uma vez que o tratamento convencional muitas vezes não é o suficiente, a transplantação fecal é uma alternativa que está sendo pesquisada.

E quem pode doar? 

Se você tem interesse em colaborar com nosso projeto de pesquisa com a doação efetiva de fezes, você deverá ter idade entre 18 e 40 anos e se submeter a uma triagem que compreende em: preenchimento de um formulário de saúde on-line para obter algumas informações sobre seus hábitos, histórico e condição de saúde, exames clínico-laboratoriais e análise do microbioma do material fecal. 

O primeiro passo é o preenchimento do formulário [clique aqui para acessar o formulário]. Após responder a todas as questões, as respostas serão automaticamente enviadas para um e-mail do grupo de pesquisa do projeto. Caso você preencha os requisitos necessários, você será comunicado e orientado sobre os próximos passos!

Para mais informações envie uma mensagem para 14 981045511 (Aline).
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sexta-feira, 7 de junho de 2019

O que está acontecendo na Venezuela?



No dia 23 de Janeiro, o então presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, declara, em meio a uma multidão, ser o novo presidente interino da Venezuela até que o atual ocupante do cargo, Nicolás Maduro, o deixe sob alegações de fraude e corrupção. Incitando a população local, a mídia, a comunidade internacional e a opinião pública a tomarem partido sobre a situação, a atitude surge como marco de um novo estágio da crise no país vizinho no qual a polarização interna, a desolação econômica, a pressão internacional e uma crise humanitária sem precedentes não dão espaço para uma solução simples e rápida.

            Mas, que diabos aconteceu com a Venezuela para a situação chegar a um ponto desses? Quem é o responsável por isso? Por que ONU, Estados Unidos, Brasil, China, Rússia e tantos outros países estão se envolvendo? O governo não faz nada? E a população? Como “resolver” tudo isso? O que é, de fato, essa crise?

O chavismo

Associar o que vem ocorrendo no país exclusivamente ao governo é um caminho fácil do raciocínio para chegar ao “culpado” (que muitas vezes está certo!) mas que, dificilmente, explicaria a complexidade ou as origens da situação. Culpar a gestão chavista pelo que ocorre é parte da resposta. Parte. O regime leva esse nome por conta de sua principal figura e líder, Hugo Chávez, – ex-paraquedista que esteve envolvido em revoltas populares (como o CARACAZO – 1989) e tentativas de golpe durante o começo dos anos 90 – presidente eleito pelo voto popular em 1998 e governante até o ano de 2013, ano de seu falecimento. Propondo uma reconfiguração no poder político do país, na qual o povo teria maior representação e participação, o governo trabalhou diretamente em reformas de base ao longo dos anos (reforma agrária, de saúde, de educação) conseguindo reduzir muito, como exemplo, os números de pobreza e pobreza extrema do país. O chamado chavismofoi marcado, também, por um aumento da interferência estatal na economia, principalmente no câmbio internacional (compra e venda), bem como na estatização de empresas e ampliação de outras já públicas como a PDVSA (principal petrolífera do país). Tomou medidas de fortalecimento do poder executivo (como a criação de uma Assembleia Nacional) e tentou outras sem muito sucesso (como a extensão do mandato presidencial). Além disso, pautou decisões e posturas com grande apoio popular e militar (Chávez era um líder carismático) e governou lutando contra as garras imperialistas, pela liberdade da América Latina e a construção da nação bolivariana. O chavismo, essa combinação de regimentos e atitudes percebidas e estudada ao longo dos anos, foi denominado pelo próprio Hugo Chávez como “socialismo do século XXI”.

A derrocada

Olhando para a trajetória do governo, a morte de Hugo Chávez foi um golpe duro para a continuidade do chavismo como modelo. O buraco deixado por sua ausência e ocupado por seu vice e sucessor Nicolas Maduro (que já vinha assumindo as responsabilidades desde 2012 devido ao estado de saúde de Chávez) passou longe de ser “preenchido”. Pelo contrário, foi a partir de sua posse e das eleições de 2016 que inúmeros escândalos de fraude nas eleições, denúncias da prisão de opositores e casos de corrupção nas estatais estouraram. O resultado das eleições legislativas de 2017 ,no qual a oposição consegue a maioria da Assembleia Nacional Constituinte  pela primeira vez desde sua criação, e escolhe Juan Guaidó como seu representante máximo, acentua a pressão e dificulta medidas do partido do presidente.

            Considerada por muitos o principal vetor de toda a situação, a crise econômica teve início com a queda do preço do barril de petróleo a partir do ano de 2015, alcançando seu menor valor em 2016 (aproximadamente 37 dólares o barril, como comparação, em 2013, ano da morte de Chávez, o valor era de 98 dólares cada um). É uma situação “grande” por si só mas que deve ser analisada em ao menos 3 aspectos característicos do país sobre o assunto. O primeiro deles é a grande importância do óleo na economia venezuelana. Sendo o território com a maior quantidade de petróleo do mundo e aonde a sua venda – dos commodities – representa 95% de tudo que sai do país ou, cerca de 25% do PIB, uma queda de preço dessas, sozinha, já seria um golpe doloroso. Em segundo lugar é a maneira como a Venezuela trabalha essa dependência. Ele sempre foi o produto principal do país – desde o século XX – e já passou por outras crises (como a financeira de 2008) mas, foi durante o governo chavista, que seu uso serviu como um alicerce de todas as reformas sociais e políticas feitas. Sua venda garantia o que a Venezuela não conseguia produzir sozinha através da compra de produtos importados pelo próprio governo. Governo esse que negligenciou outros setores produtivos e industriais do país tornado ainda mais axial a venda de petróleo para a normalidade da vida cotidiana. Por último, as medidas governamentais e a administração da PDVSA – estatal responsável pela extração e refino de petróleo – passaram longe de oferecer algum tipo de esperança. Congelamento de preços, empréstimos internacionais (China e Rússia) e denúncias de roubos milionários (ao menos 500 milhões) não contribuem em nada para a solução da situação.

No meio de todo esse turbilhão econômico e político, a população sente na pele e na rotina os efeitos desse caos. Falta de alimentos (arroz, feijão, óleo), mal funcionamento de serviços básicos (transporte, hospitais), apagões e o sumiço de itens essenciais ao dia a dia das prateleiras dos mercados (papel higiênico, xampu) resultam em situações de miséria e sofrimento, como a diáspora Venezuelana – consequência direta da situação e a maior da nossa região, com números que chegam as 3 milhões de pessoas que já não conseguem mais viver com o descaso, os números exorbitantes da inflação (o número variou 1.000.000% em 12 meses!) – e a busca por condições mínimas de vida.

A maldição do petróleo

A frase tema não é nova, ou invenção criativa desse que vos fala. O petróleo molda relações nacionais e internacionais não é de hoje. E a Venezuela não será primeira nem a última a sofrer seus efeitos políticos. Até agora, ao longo do texto, o tema é abordado como uma questão interna, sensível a crises internacionais mas que tem seu eixo principal girando em torno do governo, da manutenção e dependência do petróleo, da corrupção, etc. O que vem ocorrendo no país é, além de tudo que foi tratado, uma aula ao vivo sobre política externa e pressões econômicas internacionais. O interesse e a disputa por recursos – sejam eles minerais, energéticos, comerciais – não é uma novidade na história da humanidade. ONU, União Europeia, Rússia, Brasil e tantos outros países não se manifestam sobre o assunto por simples bondade. O maior reservatório conhecido de um mineral tão importante não é pouca coisa.

Países como os Estados Unidos já vem, desde o fim da gestão Obama, classificando a Venezuela como um lugar perigoso para investimentos e ou financiamentos internacionais além de exercer bloqueios alfandegários contra seu maior parceiro petrolífero latino (parceria que vem desde o governo Chávez e todo aquele discurso anti-imperialista). São atitudes que dificultam e limitam as possibilidades de ajuda financeira do exterior ou retomada econômica interna.

Na mesma moeda, a maioria dos países receberam e reconhecem Guaidó como o verdadeiro presidente venezuelano, desprestigiando ainda mais as instituições do país. Salvo alguns poucos vizinhos – México e Uruguai entre eles – dificilmente a Venezuela irá conseguir apoio internacional para uma saída democrática interna, estando com o espectro da intervenção ao seu encalço.

O interesse político é tanto que até a Cruz vermelha – instituição internacional e que não responde por nenhum Estado em específico – emitiu uma nota de repúdio contra diversas redes de comunicação mundial perante o uso político e intencionado de seu trabalho e ajuda humanitária. O sofrimento como política, a crise como negócio.

E agora, José?

O cenário que se forma nas ruas venezuelanas é rotina de jornais e noticiários do mundo inteiro, cada dia com um ultimato novo, uma manifestação, um pronunciamento, uma prisão diferente. As peças que vão se agrupando formam um alinhamento binário: Guaidó X Maduro. O primeiro vem ganhando cada vez mais apoio de estadistas e da população; Maduro, luta com o que tem e busca aliados para a manutenção da autarquia política que se tornou o chavismo. O petróleo, interesse mundial, alimenta a opinião e bondade de líderes e multinacionais enquanto a democracia e a população lutam e padecem com o pouco que lhe restam. A situação é complexa, o perigo de uma intervenção é alto. E é no vizinho ao lado.
Para saber mais:
Livro: ROSS, Michael L. A MALDIÇÃO DO PETRÓLEO - Como a riqueza petrolífera molda o crescimento das nações. 1º edição.
Sobre o autor:
Pedro Felipe Minhoni. Professor e intencionado nas práticas históricas, me formei em 2014 na faculdade de ciências humanas de Franca em História. Desde então busco aprimorar cada vez mais meu método científico, minha leitura e escrita, além de diversificar a playlist e estabelecer conexões pessoais propícias ao bar.

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quarta-feira, 5 de junho de 2019

Fósseis de bilhões de anos podem reescrever a história da vida na Terra

Os fungos desempenham um papel incrivelmente crucial na história da vida no planeta Terra. É por isso que os cientistas estão tão animados em anunciar a descoberta dos fósseis de fungos mais antigos do mundo. Os fósseis minúsculos datam de algo entre 900 milhões e 1 bilhão de anos atrás, antecedendo em quase meio bilhão de anos o recordista anterior.
          Com 1 bilhão de anos, esse fungo também pode ser candidato a uma das primeiras vidas multicelulares na Terra. "Os fungos são um dos grupos mais diversificados de eucariotos conhecidos hoje e, apesar disso, seu antigo registro fóssil é muito escasso", disse o autor do estudo Corentin Loron, da Universidade de Liège, na Bélgica.
          Relatados na revista Nature, os microfósseis de Ourasphaira giraldae foram encontrados no xisto da costa do Ártico, no noroeste do Canadá. Usando um microscópio eletrônico, Loron e sua equipe foram capazes de denotar minúsculas estruturas – paredes com duas camadas nas células, filamentos ramificados e esferas semelhantes a esporos - que sugeriam fortemente que estes eram realmente fungos. As paredes celulares também continham quitina, assim como fungos modernos. 

Figura 1 - Um fungo multicelular microscópico chamado Ourasphaira giraldae, que viveu em um ambiente de estuário há cerca de 1 bilhão de anos. Fonte: Corentin Loron/Universidade de Liege
          Não está claro como o fungo apareceu no xisto. "Não podemos saber com certeza se O. giraldae estava vivendo no solo, mas as rochas em que foi depositado são estuarinas. Talvez esses organismos, que precisam de fontes externas de alimentos, estivessem vivendo no ambiente estuarino, o que teria proporcionado tudo que um fungo pode precisar", acrescentou Loron.
          Supunha-se anteriormente que as primeiras plantas e fungos surgiram quase que no mesmo período, formando uma parceria íntima que ajudou a dar origem à ecosfera terrestre como a conhecemos, há cerca de 420 milhões de anos. Com essa nova descoberta, no entanto, parece que os fungos poderiam ter realizado mais de 450 milhões de anos de trabalho de base antes que as plantas viessem colonizar a terra. A nova descoberta também sugere que a vida animal pode ter começado muito antes do que nossa estimativa atual sugere.
          “Esse achado é interessante porque os fungos são, na ‘árvore da vida’, o parente mais próximo dos animais. Isso significa que, se os fungos já estavam presentes em torno de 900 milhões a 1 bilhão de anos atrás, os animais também deveriam estar”, continuou Loron. “Isso está remodelando nossa visão do mundo porque esses dois grupos, assim como outros grupos eucarióticos como as algas, ainda estão presentes hoje. Este passado distante, embora muito diferente de hoje, pode ter sido muito mais ‘moderno’ do que pensávamos."
Para saber mais:
Sobre o autor:

Diego Henrique Mirandola Dias Vieira é biólogo, mestre e doutorando em zoologia pelo Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu. Queria ser jogador de futebol mas se escolheu a profissão que tem maior salário. Faz pesquisa na área de parasitologia de peixes.

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