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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Zyka, transtorno do espectro autista, febre amarela: o que há de novo sobre vacinas?


As vacinas talvez sejam uma das coisas mais legais já inventadas/conhecidas pela Ciência. No texto de nossa página, produzido pela Alejandra, dá pra saber como elas funcionam. Mas, e você, já colocou sua carteira de vacinação em dia? Então, bora lá pois não vacinar é um ato infundado e perigoso não só a você, mas a toda a comunidade.

E o que vacina tem a ver com autismo?
Todo mundo, em algum momento, já ouviu falar nos movimentos anti-vacina. São grupos de pessoas contrários à vacinação pois acreditam que as vacinas nos fazem mal. Muitos desses grupos surgiram após a publicação de um estudo, em 1998, que mencionava a associação de vacinas ao desenvolvimento de transtornos dos espectros autistas em crianças. Esse estudo foi retratado, pois não tinha base científica para afirmar suas conclusões (veja mais sobre essa e outras polêmicas nessa matéria supimpa da Eliza).

No entanto, o estrago de um estudo mal feito já havia acontecido, centenas de grupos Antivaxx surgiram e ainda ganham força desde então. É claro que esses grupos passaram a defender outras teorias ainda mais infundadas além da associação ao autismo. Mas isso não vem ao caso nessa discussão, pois nem existem estudos científicos (equivocados ou não) a esse respeito.

Em março de 2019, um novo estudo foi publicado. O trabalho foi realizado em  resposta à crescente dos movimentos anti-vacinas e se iniciou em meados dos anos 2000. Outros estudos previamente publicados (vide aqui, aqui e aqui)  já haviam relatado que o transtorno do espectro autista não tem relação com a vacinação. No entanto, o novo estudo analisou mais pessoas e ao longo de um tempo maior, corroborando ainda mais a afirmação de que vacinas e espectro autista não tem nenhuma associação, muito menos relação de causa e efeito. Além disso, também foram analisados os “agrupamento de casos” de pessoas com espectro autista após a vacinação e, também, os casos de crianças já propensas a desenvolver essa condição.

Como foi feito o estudo vacina x autismo?
Foram analisadas 657.461 crianças ao longo de 13 anos (dos anos 2000 a 2013), todas residentes na Dinamarca. Os pesquisadores acompanharam essas crianças por 13 anos, verificando se haviam sido vacinadas, quais vacinas tomaram, se havia algum diagnóstico de espectro autista ou, ainda, se havia algum fator de risco para o espectro autista.

Todos os dados foram, então, analisados por testes estatísticos para verificar se havia associação entre os dois fatores: espectro autista e vacinação. Todos os resultados indicaram que não há relação alguma entre os fatores!

Esclarecidas as ideias sobre vacinas serem prejudiciais, vem mais novidade por aqui! 
Pesquisadores da UFRJ e da Fundação Oswaldo Cruz se uniram e estudaram os efeitos da vacina contra febre amarela sobre a infecção do vírus Zyka. E, imaginem só, tudo indica, até o momento, que ela pode conferir imunidade a infecções do Zyka! Para quem não se lembra, o Zyka vírus iniciou uma epidemia em 2016, que culminou em muitas crianças com microcefalia, dentre outros problemas neuronais.

Imagem de bebê infectado por Zyka vírus e com microcefalia.

Como foi que eles descobriram esse efeito da vacina contra o zyka?
A princípio, os pesquisadores se atentaram ao fato de ambos os vírus (febre amarela e zyka) serem do mesmo grupo, flavivírus, e, portanto, compartilharem muitas semelhanças. Então, começaram a investigar se a vacina que combate um poderia conferir imunidade contra o outro. Para testar essa hipótese, eles injetaram a vacina em camundongos normais e em camundongos com imunidade comprometida (que simulavam indivíduos da população mais susceptíveis a infecções). Nos dois grupos, eles separaram camundongos que receberam doses de zyka vírus no cérebro e camundongos que receberam um placebo (solução simples sem nenhum vírus). Ao analisarem os resultados, verificaram:


  • Grupos de camundongos normais não vacinados desenvolveram os sintomas da infecção
  • Grupos de camundongos com imunidade comprometida não vacinados morreram
  • Grupos de camundongos normais vacinados não desenvolveram sintomas 
  • Grupos de camundongos com imunidade comprometida vacinados desenvolveram sintomas da infecção


O que os resultados indicam?
Indicam que estamos muito perto de adaptar a vacina de febre amarela para nos proteger, também, contra o zyka vírus! Os estudos continuam, assim como a nossa esperança. O lado bom de desenvolver uma vacina por esse caminho (ao invés de criar uma do zero) é que a vacina de febre amarela já foi testada e não apresenta riscos. Do contrário, muitos testes adicionais teriam que ser feitos antes de qualquer vacina ser lançada. O jeito é esperar e não esquecer de tomar suas vacinas!


Quer saber mais?
Em inglês:
-Estudo original vacinas x autismo: https://annals.org/aim/fullarticle/2727726/measles-mumps-rubella-vaccination-autism-nationwide-cohort-study
-Estudo original vacina febre amarela: https://www.biorxiv.org/content/10.1101/587444v1

Em português:
-https://www.bbc.com/portuguese/brasil-47704310
-https://saude.abril.com.br/familia/vacina-triplice-viral-nao-causa-autismo-nem-em-criancas-suscetiveis/

Imagens retiradas de:
http://www.brasil.gov.br/noticias/saude/2017/06/tire-duvidas-sobre-a-vacina-contra-a-gripe/vacina-contra-gripe.jpg/view
https://www.nursing.com.br/microcefalia-e-zika-virus/


Sobre a autora:
Érica Ramos
erica.ramos00@gmail.com
Érica Ramos é bióloga e mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP, apaixonada pelo tema Educação e, também, editora desta página de Divulgação Científica. No momento atua como aluna de doutorado na UNESP, na área de Genética.
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