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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Jogo como ferramenta de ensino. É possível aprender jogando?


É possível aprender jogando? Os jogos podem ser considerados potenciais ferramentas para auxiliar o ensino/aprendizagem nas escolas?  Essas perguntas nortearam a confecção e aplicação de um jogo de tabuleiro sobre Biologia e Conservação da espécie ameaçada arara-azul-grande. A seguir, será abordado um relato sobre como foi desenvolvida essa atividade em umas das localidades de ocorrência da espécie.
Arara-azul-grande. Foto: João Marcos Rosa.

As atividades foram realizadas com, aproximadamente, 300 alunos, vinculados a seis escolas municipais da região de Carajás – PA, dado que essa é uma das regiões onde ainda existem araras-azuis-grandes no Brasil.  Os alunos, matriculados em distintas séries do Ensino Fundamental, foram atendidos em nove turmas, separadamente. Inicialmente foi feito uma avaliação diagnóstica dos conhecimentos prévios dos alunos, por meio do preenchimento de um questionário abordando diferentes questões sobre a biologia da arara-azul-grande. Este questionário serviu, também, como incentivo à elaboração de novos questionamentos e discussão do tema abordado. Após a aplicação do questionário inicial, os monitores da atividade conversaram com os alunos sobre os aspectos mais importantes associados à biologia da arara-azul-grande e da sua categoria de ameaça. Para isso, foram utilizadas fotos demonstrativas da ave em diferentes atividades: se alimentando, reproduzindo, chocando os ovos. Além disso, essa atividade foi importante para contextualizar a importância e a aplicação do jogo evitando que este não fosse simplesmente "jogado por jogar". Esta explanação foi necessária para a compreensão do “antes” e do “depois”, para que a atividade lúdica pudesse atingir os seus objetivos didáticos.
As atividades seguiram com a aplicação do jogo de tabuleiro, de acordo com as regras elaboradas para este e envolvendo grupos de 4 ou 5 alunos. Logo após a atividade do jogo, o questionário inicialmente preenchido pelos alunos foi reaplicado. Além das mesmas nove questões de múltipla escolha, havia adicionalmente um espaço para críticas, sugestões e comentários. Essa avaliação teve como objetivo detectar falhas na atividade que poderiam ser corrigidas.
Imagem do jogo de tabuleiro sobre Biologia e Conservação da arara-azul-grande. Foto: João Marcos Rosa.

Tais atividades, em conjunto, foram prazerosas aos participantes e demonstraram bom desempenho como motivadoras do interesse do público e, também, na apropriação de conhecimentos sobre aspectos biológicos da arara-azul-grande e sobre possíveis ações/soluções para minimizar os riscos de extinção desta espécie ameaçada.  A aplicação do jogo de tabuleiro que, ao aliar sua característica de material didático lúdico com objetivos educacionais específicos desenvolvidos para a comunidade que reside na região de ocorrência da espécie, pôde trazer a valorização de uma consciência ambiental aos participantes. Muitos autores relatam o poder do jogo como método de ensino e aprendizagem, pois este diverte, motiva e exerce uma fascinação sobre as pessoas e permite uma maior socialização do grupo.
Além disso, abordagens de ensino com a utilização de jogos apresentam outra vantagem, associada ao estímulo de outras habilidades cognitivas que não somente a busca pela aprendizagem. Enquanto joga, o participante desenvolve a iniciativa, a imaginação, o raciocínio, a memória, a atenção, a curiosidade, o interesse e a contextualização de assuntos, concentrando-se por um tempo mais longo em uma determinada atividade
Modelos ou atividades de educação também podem ajudar a priorizar ações ou planos de conservação de espécies, populações ou ecossistemas. Entre as atividades educacionais direcionadas à conservação, podemos citar aquelas que se utilizam as chamadas espécies “bandeira”, pois estas podem levantar discussões multidisciplinares sobre o meio ambiente, já que representam “símbolos” associados a uma determinada causa ambiental, que pode ser desde sua própria conservação como a conservação de seu ecossistema inteiro. A arara-azul-grande vem sendo utilizada como espécie bandeira pelo Projeto Arara-Azul, visando promover não somente sua própria conservação como também da biodiversidade do Pantanal Matogrossense. A ampliação das atividades de educação voltadas para a arara-azul-grande, como realizado na região de Carajás - PA, associada à beleza, carisma e vulnerabilidade da espécie, faz com que esta tenha um enorme potencial para ser elevada ao perfil de bandeira em larga escala no país.

Quer saber mais sobre o assunto:
BRONDANI, C.& HENZEL, M.E. Análise sobre a conscientização ambiental em escolas da rede municipal de ensino. São Paulo: FEMA, 2003. Disponível em: http://www.sbecotur.org.br/revbea/index.php/revbea/article/view/1688. Acesso em 15 jul. 2014

CALADO, N.V., da COSTA, M.R.B., CARDOSO, A.M., PAES, L.S., MELLO, M.S.V.N. Jogo didático como sugestão metodológica para o ensino de briófitas no ensino médio. Revista Amazônica de Ensino de Ciências 4: 92-101, 2011. Disponível em: http://www.revistas.uea.edu.br/download/revistas/arete/vol.4/arete_v4_n06-2011-10.pdf. Acesso em 15 jul. 2014.

PRESTI, F. T. ; ALMEIDA, T. R. A. ; SILVA, G. F. ; SILVA, H. E. ; CONRADO, L. P. ; CESPEDE, L. ; Rodrigues, T. ; Barbirato, M. ; WASKO, A. P. . Conhecendo a arara-azul-grande: confecção e aplicação de um jogo didático como parte das ações de conservação ambiental visando a conservação da espécie. REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL (ONLINE), v. 12, p. 259-273, 2017.


Sobre a autora: Talita R. A. Almeida é bióloga e mestre em Genética pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho Câmpus de Botucatu/SP, estudante de Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela mesma instituição.
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