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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Química, tartaruga, cebolas e lágrima


Enquanto eu assistia um programa no National Geographic, eu me surpreendi ao ver pela primeira vez uma tartaruga “chorando”.  Eu me perguntei imediatamente: “Como isso era possível e porque ocorria? Será que é verdade?”.

Figura 1 - Programa “Indomável com Felipe Andrade: Tartaruga Marinha”. Assista em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/video/tv/indomavel-com-filipe-deandrade-tartaruga-marinha

As tartarugas marinhas são répteis como o jacaré, a cobra e o lagarto. Elas têm corpo coberto de escamas duras, sangue frio, moram em locais quentes, respiram pelos pulmões e põem ovos. Mas elas “choram” como os humanos?

Após pesquisar sobre o assunto, vi que, de fato, as tartarugas marinhas liberam fluidos pelos olhos, parecidos com lágrimas. Entendi que, na verdade, a lágrima tem muito mais funções do que apenas manifestar emoções. A lágrima tem propriedades antibacterianas e representa a primeira linha de defesa contra os microrganismos. Além disso, elimina detritos e corpos estranhos com a ajuda das pálpebras. Existem testes que permitem avaliar tanto sua a quantidade, como a sua qualidade e até a sua constituição bioquímica (geralmente composta por água, sal, proteínas e gorduras).

Além da função de defesa, as tartarugas “choram” para eliminar a grande quantidade de sal do seu organismo. As lágrimas são produto de um mecanismo ativo de excreção de sal, por glândulas localizadas próximas aos olhos da tartaruga (é uma solução salina muito concentrada). Isso ocorre para facilitar a excreção do excesso de cloreto de sódio ingerido com a água e o alimento no habitat marinho, de modo a manter a homeostase (ou equilíbrio hidrossalino) do animal em relação ao meio hipertônico (a água do mar).

Já quando cortamos cebolas, produzimos rupturas no tecido vegetal que permitem que os produtos químicos normalmente mantidos separados no interior das células  se misturem uns com os outros e com o ar. Isso resulta em reações que produzem certas substâncias. Por exemplo, uma substância contendo enxofre, representada na figura 1, sofre decomposição por ação de enzimas dando origem a outra substância representada na figura 2. Este novo composto é um gás que chega rapidamente ao olho.

Figura 2 - LOPES, Patrícia. "Por que cortar cebola nos faz chorar?"; Brasil Escola. Disponível em https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/por-que-cortar-cebola-nos-faz-chorar.htm

Esta substância, em contato com os olhos, produz a irritação ocular. Os olhos protegem-se então, estimulando as glândulas lacrimais e derramando lágrimas que lavam o olho, como se fosse um colírio natural.

Diferentemente das tartarugas, os seres humanos podem expelir várias substâncias nos fluidos corporais que emitem mensagens sutis para os outros membros da espécie. Segundo alguns estudos recentes, alguns destes sinais são quimicamente codificados até nas próprias lágrimas.

Um estudo desenvolvido no Instituto de Weizmann, em Israel, conclui-o que as lágrimas femininas podem conter um sinal químico que reduz os níveis de testosterona, hormônio sexual próprio dos homens também relacionado com a um comportamento agressivo.

Quer saber mais sobre assunto?
http://www.sindioptica-sp.com.br/documentos/Curso_avaliacao_do_filme_lacrimal.pdf
https://www.ufmg.br/cienciaparatodos/wp-content/uploads/2011/08/57-ascebolasnosfazemchorar.pdf
https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,lagrimas-das-mulheres-dizem-hoje-nao-tem-sexo-aos-homens-aponta-estudo,663363

Sobre a autora:
Leticia Gomes de Pontes  
Atualmente desenvolve seu Pós Doutorado na USP de São Carlos no Departamento de Química no laboratório BioMicS. Tem experiência em análise proteômica (shotgun e TMT) e microfluídico para detecção e captura de exossomos. Realizou seu Doutorado e Mestrado na Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP - Botucatu) é Bacharel em Ciências Biológicas com ênfase em Bioquímica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.
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3 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigado por seguir a nossa página, mérito do texto para a autora Letícia Pontes ;)

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  2. Obrigada! Fico muito feliz pelo feedback e pela oportunidade de escrever para o Ciência na Medida. ;)

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