Aba

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Seriam os cloroplastos organelas de defesa?



Sempre que pensamos em organelas de plantas é inevitável não lembrar dos cloroplastos. Isso porque eles são organelas especiais, responsáveis pela fotossíntese, um importante mecanismo na obtenção de energia das plantas através da luz solar. Além do seu papel crucial na conversão energética, os cloroplastos também participam ativamente da proteção das plantas contra organismos invasores. Quando há uma infecção na célula, os cloroplastos interrompem, imediatamente, a fotossíntese, começam a produzir compostos antimicrobianos e se mobilizam até o local da infecção para auxiliar na contenção do invasor. Um estudo publicado recentemente trouxe maiores esclarecimentos a respeito do papel do cloroplasto na defesa da célula vegetal contra organismos invasores, e, ainda, sobre qual proteína teria um papel importante neste processo.

Um grupo de pesquisa liderado por Tolga Bozkurt, do Imperial College London, suspeitou da participação da proteína de posicionamento incomum do cloroplasto 1 (CHUP1) no papel de defesa do cloroplasto. A CHUP1 participa ativamente da movimentação dos cloroplastos para o local de maior luminosidade da célula, e, para entender o seu envolvimento no mecanismo de defesa dos cloroplastos, os pesquisadores silenciaram o gene que produz esta proteína na espécie Nicotiana benthamiana (uma planta próxima ao tabaco). As plantas silenciadas foram, então, infectadas com o microrganismo Phytophthora infestans e, durante a infecção, não houve nenhuma alteração no funcionamento dos cloroplastos, nem na produção de energia através da fotossíntese. Porém, quando foi feita a infecção do mesmo microrganismo em plantas onde o gene da proteína CHUP1 estava ativo, os cloroplastos cessaram a fotossíntese no momento da infecção e modificaram suas posições dentro da célula.

Cloroplastos (amarelo) agindo na defesa contra microrganismos (roxo).

O experimento desenvolvido por Bozkurt e seus colaboradores mostrou, ainda, que nas plantas que continham a proteína CHUP1 ativa, a infecção além de mobilizar os cloroplastos, fez com que eles desenvolvessem projeções semelhantes a tentáculos em sua superfície. Isso poderia auxiliar na ligação de um cloroplasto com outro e na movimentação do grupo de cloroplastos da célula para o local da infecção. Segundo Bozkurt, esse comportamento dos cloroplastos poderia estar relacionado com a sua origem. Afinal, cloroplastos eram microrganismos de vida livre e esse processo de defesa poderia ser um vestígio de um sistema de defesa dos cloroplastos livres, que foi incorporado ao sistema de defesa das plantas.

Quer saber mais?
https://www.biorxiv.org/content/10.1101/516443v1

Ana Carolina Santos
carolina.santos@unesp.br
Ana Carolina é biomédica, doutoranda na área de Genética de Microrganismos pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Genéticas) do IBB/UNESP Botucatu.
Compartilhar:
←  Anterior Proxima  → Inicio

0 comentários:

Postar um comentário

Seja um colaborador!

Postagens populares

Total de visualizações

Seguidores

Tecnologia do Blogger.