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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Saturno está lentamente perdendo seus anéis


Décadas atrás, as sondas Voyager voaram pela primeira vez e descobriram que o material que forma os anéis de Saturno estava caindo em forma de chuva no planeta. Os dados obtidos com as sondas foram usados para estimar a taxa de destruição e novos estudos confirmaram que isso está de fato acontecendo.
Um artigo recentemente publicado na revista Icarus relatou que os cristais de gelo empoeirados que compõem os anéis estão sendo puxados pela gravidade e sendo afetados pelo forte campo eletromagnético de Saturno. Linhas eletromagnéticas estão levando uma enorme quantidade de água para as regiões mais próximas aos polos do planeta.
Em comunicado emitido por James O'Donoghue, do Centro de Voo Espacial Goddard, da NASA, a “chuva” de material que forma os anéis poderia encher uma piscina olímpica em meia hora. Como essa chuva é constante, os anéis estão sendo drenados em uma velocidade muito grande. Somente por esses fatores os anéis de Saturno teriam mais 300 milhões de anos restantes, mas na região central (linha do Equador de Saturno) o material cai em maior quantidade, levando a estimativa para 100 milhões de anos. Pode parecer bastante tempo, mas é relativamente curto em comparação com a idade de Saturno de mais de 4 bilhões de anos.
Os anéis de Saturno são em sua maioria feitos de pedaços de gelo, cujo tamanho varia desde metros de comprimento até grãos microscópicos. Devido à ação da luz ultravioleta do Sol ou da energia produzida pelo choque de micro meteoroides com os anéis, esses pedaços de gelo ficam eletricamente carregados. Eles passam então a sentir a ação do campo eletromagnético e os cristais de gelo caem no planeta.
Os pesquisadores estimam que os anéis de Saturno tenham cerca de 100 milhões de anos, o que mostraria que atualmente eles estão no meio de sua vida. Isso nos faz pensar que talvez tenhamos a sorte de estarmos aqui por perto para podermos observar a beleza desses anéis, mesmo que por foto. Por outro lado, isso nos faz pensar que provavelmente tenhamos perdido os sistemas de anéis gigantes de Júpiter, Urano e Netuno, que atualmente são anéis finos.
Enquanto não temos certeza sobre o futuro dos anéis de Saturno nem sobre como eles se formaram, só nos resta desfrutar dessa maravilha da natureza enquanto estamos aqui e ela está em seu auge.


Essa imagem de Júpiter e seus anéis foi feita com a sonda Cassini em 25 de abril de 2016. Fonte: Nasa/JPL-Caltech/Space Science Institute

A lua de Saturno, Enceladus, flutua diante dos anéis e da minúscula lua Pandora nesta visão que a sonda Cassini da NASA capturou em 1º de novembro de 2009. Toda a cena é iluminada pelo Sol, proporcionando iluminação impressionante para as partículas geladas que compõem os anéis. Fonte: Nasa/JPL-Caltech/Space Science Institute

Veja mais em:
https://www.nasa.gov/press-release/goddard/2018/ring-rain
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0019103518302999?via%3Dihub

Sobre o autor:

Diego Henrique Mirandola Dias Vieira é biólogo, mestre e doutorando em zoologia pelo Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu. Queria ser jogador de futebol mas se escolheu a profissão que tem maior salário. Faz pesquisa na área de parasitologia de peixes.


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