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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

As plantas podem ouvir?




O som é tão importante para a vida e sobrevivência que fizeram o pesquisador da Universidade de Tel Aviv, Lilach Hadany, e sua equipe a se perguntarem: “E se os animais não fossem os únicos a sentir o som – e se as plantas também pudessem?”
Os pesquisadores estudaram a planta noturna chamada prímula (Oenothera drummondii). Em ambiente natural, essa planta cresce em praias e parques ao redor de Tel Aviv e ela surgiu como boa candidata para o estudo, uma vez que possui longo período de floração e produz quantidades mensuráveis de néctar. Eles notaram que, após poucos minutos em contato com vibrações das asas dos polinizadores, essas plantas aumentaram, durante um período, a concentração de açúcar em seu néctar. E assim, as próprias flores das plantas poderiam servir como ouvidos, captando as frequências
específicas das asas das abelhas enquanto poderiam ignorar outros sons, como do vento.

Abelha em contato com a planta prímula. Fonte: https://pixabay.com

Para testar essa hipótese em laboratório, os pesquisadores expuseram as plantas em diferentes tratamentos:

- Silêncio.
- Gravações de abelhas a, aproximadamente, 10 cm de distância.
- Sons gerados através de computador em frequências baixas, intermediárias e altas.

As plantas que foram submetidas ao tratamento sem som não apresentaram aumento na concentração de açúcar no néctar. O mesmo aconteceu para plantas expostas a frequências altas (158 a 160 kilohertz) e intermediárias (34 a 35 kilohertz) de som.
Entretanto, as plantas expostas a reproduções de sons de abelha (0,2 a 0,5 kilohertz) e sons em baixa frequência (0,05 a 1 kilohertz) tiveram a concentração de açúcar aumentada entre 12% e 17% para 20%.
Segundo os autores do trabalho, o néctar mais concentrado para os polinizadores pode atrair mais insetos, aumentando as chances de uma polinização cruzada bem-sucedida. De fato, em observações de campo, os pesquisadores descobriram que os polinizadores eram mais de nove vezes mais comuns em torno das plantas que outro polinizador havia visitado nos seis minutos anteriores.
Enquanto a equipe pensava em como o som funciona, através da transmissão e interpretação das vibrações, o papel das flores tornou-se ainda mais intrigante. Embora as flores variem muito em forma e tamanho, muitas delas são côncavas ou em forma de tigela. Isso os torna perfeitos para receber e amplificar as ondas sonoras, muito parecido com uma antena parabólica.
Para testar os efeitos vibracionais de cada grupo de testes de frequência sonora, os pesquisadores
colocaram as flores de prímula sob uma máquina que mede movimentos minúsculos. A equipe então
comparou as vibrações das flores com as de cada um dos tratamentos sonoros, onde foi possível observar as vibrações da flor combinando com os comprimentos de onda da gravação das abelhas.
Para confirmar que a flor era a estrutura responsável, a equipe também realizou testes em flores que tiveram uma ou mais pétalas removidas. Essas flores não ressoaram com nenhum dos sons de baixa frequência
Este único estudo abriu um campo totalmente novo de pesquisa científica, que Hadany chama de fitoacústica. Além disso, esse trabalho norteia muitas perguntas para estudos futuros, como por exemplo, essa capacidade poderia conferir outras vantagens além da produção de néctar e polinização? Ou  que processos moleculares ou mecânicos estão impulsionando a resposta de vibração e néctar?

Quer saber mais sobre assunto?

Veits, M., Khait, I., Obolski, U., Zinger, E., Boonman, A., Goldshtein, A., Saban, K., Ben-Dor, U., Estlein, P., Kabat, A., and Peretz, D., Ratzerdorfer, I., Krylov, S., Chamovitz, D., Sapir, Y., Yovel, Y., Hadany, L. 2018. Flowers respond to pollinator sound within minutes by increasing nectar sugar concentration. bioRxiv, p.507319

https://www.nationalgeographic.com/science/2019/01/flowers-can-hear-bees-and-make-their-nectar-sweeter/?cmpid=org=ngp::mc=social::src=facebook::cmp=editorial::add=fb20190115science-flowershearing::rid=&sf206008555=1

https://www.bbc.com/portuguese/vert-earth-38655422

Sobre a autora:

Talita Roberto Aleixo de Almeida é bióloga e mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Unesp, atualmente é aluna de Doutorada pela mesma instituição

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