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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Por que os dragões de Komodo ainda não conquistaram o mundo?


O dragão de Komodo (Varanus komodoensis) é o maior e mais pesado lagarto vivendo atualmente no mundo. Ele pode chegar a 3 metros de comprimento e pesar 140 kilos, o que faz com que ninguém duvide da sua força. Além de intimidar pela aparência, esse animal ainda possui diversas outras “armas”, como: garras afiadas, dentes serrilhados, mordida venenosa, olfato poderoso e visão apurada.


Esse conjunto de características mostra que os dragões de Komodo são animais muito resistentes, capazes de enfrentar outros animais, percorrer grandes distâncias em terrenos acidentados, além de serem excelentes nadadores. Então por que eles vivem somente em um conjunto de ilhas próximas da Indonésia?
De acordo com um estudo publicado recentemente na revista científica Proceedings of the Royal Society B, isso acontece porque os dragões de Komodo são muito caseiros, isto é, não gostam de explorar locais diferentes dos que eles nasceram. O estudo foi feito durante 10 anos com ecologistas monitorando os movimentos dos dragões nas Pequenas Ilhas da Sonda. Eles descobriram que, apesar de sua capacidade de viajar longas distâncias, poucos dragões saíam do vale em que nasceram, sendo que durante todo o tempo do estudo somente dois deles foram observados fazendo travessias transoceânicas para outras ilhas próximas.

Mapa mostrando a distribuição geográfica dos dragões de Komodo com destaque para os locais onde foram extintos. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Komodo_dragon_distribution.gif

Para testar a teoria de que os dragões são caseiros, pesquisadores  retiraram sete dragões de seu vale
natal e os transportaram para outra área a quilômetros de distância. Em apenas quatro meses, quase todos voltaram ao local original, com apenas uma exceção. Apesar da proximidade das ilhas os dragões demonstravam dificuldades em se adaptar ao novo ambiente e rapidamente voltavam ao seu local original. Os pesquisadores acreditam que isso acontece porque mover-se é muito arriscado para os dragões que podem encontrar falta de água, comida ou companheiros.

Imagem de satélite e mapa mostrando a localização das Pequenas Ilhas da Sonda (em vermelho). Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pequenas_Ilhas_da_Sonda

A falta de mobilidade dos dragões pode trazer graves problemas para a espécie. Dados sugerem que a troca de genes e informação genética entre os indivíduos e os seus descendentes é extremamente baixa e além disso a escassez de alimentos, os desastres naturais e a atividade humana ameaçam as populações locais.

A “boa notícia” para os dragões é que eles dificilmente sofrerão com solidão, já que estudos recentes mostraram que esse tipo de comportamento caseiro se repete em outras espécies presentes nas ilhas.

Para saber mais:
http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/285/1891/20181829
https://www.nytimes.com/2018/11/13/science/komodo-dragons.html?rref=collection%2Fsectioncollection%2Fscience&action=click&contentCollection=science&region=rank&module=package&version=highlights&contentPlacement=2&pgtype=sectionfront

Sobre o autor:

Diego Henrique Mirandola Dias Vieira é biólogo, mestre e doutorando em zoologia pelo Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu. Queria ser jogador de futebol mas se escolheu a profissão que tem maior salário. Faz pesquisa na área de parasitologia de peixes.


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