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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Minha querida pesquisa - Leticia Gomes de Pontes

A ciência em minha vida nunca foi profissão, mas sim minha principal diversão!

Acredito que ela me escolheu e eu escolhi ela na 6° ano, quando fiquei responsável pelo laboratório da minha escola. Nele, vivi uma rotina interessante de experimentos e atividades que sempre me deixavam com um gostinho de quero mais.

 Meus pais tinham grandes planos para mim: fisioterapeuta, farmacêutica ou advogada, mas o que eu queria mesmo era estar no laboratório, criar e conhecer mais sobre esse mundo a cada dia.

Assim, decidi que estudaria Ciências Biológicas e ingressei na UNESP (Universidade Estadual Paulista) de Bauru em 2008. Durante a graduação, realizei estágios de iniciação científica e monitoria em diferentes áreas, mas sempre fui apaixonada por Biotecnologia. Através de alguns amigos, conheci os estudos desenvolvidos no Centro de Estudos de Animais Peçonhentos (CEVAP) da Faculdade de Medicina de Botucatu. Lá, eu me apaixonei por proteômica e permaneci por 6 anos consecutivos.

Mas o que é proteômica e por quê estudá-la?

A proteômica é um conjunto de tecnologias extraordinariamente úteis no estudo do conteúdo protéico dos sistemas biológicos. Sua revolução é permitir a análise de um grande número de proteínas ao mesmo tempo.

O estudo de proteômica é realizado em larga escala (espectrometria de massas de muitas proteínas), porque observar um grande número de proteínas ao mesmo tempo nos possibilita responder a determinadas perguntas biológicas de outra perspectiva. Cada tecnologia agregada à espectrometria de massas é como se fosse uma lupa de aumento que nos possibilita ver mais e mais.

O espectrômetro de massas (Foto1) nada mais é do que uma balança altamente sofisticada, que mede a massa de íons em estado gasoso. Através da bioinformática, traduzimos essas medições em proteínas. Entender a fundo como cada proteína interfere ou trabalha dentro de uma doença nos auxilia a escolher o melhor tratamento ou desenvolver uma vacina mais eficaz, por exemplo.

No meu mestrado, desvendamos o conjunto de proteínas pertencentes ao soro e ao crioprecipitado de búfalos (uma porção do plasma refrigerado). O crioprecipitado é um dos ingredientes do selante de fibrina do CEVAP, desenvolvido pelos pesquisadores Prof. Dr. Benedito Barraviera, Prof. Dr. Rui Seabra Ferreira Junior e Profa. Dra. Lucilene Delazari dos Santos do CEVAP. O selante foi testado com grande sucesso pelos pesquisadores aqui citados em pacientes com úlceras venosas crônicas.

Após observar o conjunto de proteínas pertencentes ao soro de animais sadios, o próximo passo foi compará-lo ao conjunto de proteínas de animais doentes. No meu doutorado, realizado também no CEVAP, comparamos o soro de animais sadios com o de animais com Brucelose. A brucelose em bubalinos é uma doença infectocontagiosa. É de grande importância para a economia e saúde pública por se tratar de uma zoonose. Apesar de ter sido controlada ou erradicada em muitos países, possui considerável ocorrência em alguns países em desenvolvimento.

Através da estratégia de análise por espectrometria de massas, nós evidenciamos proteínas diferencialmente expressas entre o búfalo saído e o búfalo com brucelose. Essas proteínas diferentemente expressas são denominadas biomarcadores moleculares.

Esse é um ponto muito importante na pesquisa por espectrometria de massas, pois através dessas proteínas diferencialmente expressas é possível entender onde atua a doença, de quais vias metabólicas ela faz parte, quais os sistema do organismo do hospedeiro são prejudicados no momento da doença e se existe ou não a possibilidade de desenvolvermos um medicamento ou vacina para essa doença.

A ciência mudou minha vida e pode mudar a sua vida também. Leia, compartilhe e faça parte dessa história você também! 

Foto 1: Espectrômetro de massas

Sobre a autora:
Leticia Gomes de Pontes 
Atualmente desenvolve seu Pós Doutorado na USP de São Carlos no Departamento de Química. Tem experiência em análise proteômica baseada em espectrometria de massas (shotgun) e proteômica quantitativa (TMT). Realizou seu Doutorado e Mestrado na Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP - Botucatu) é Bacharel em Ciências Biológicas com ênfase em Bioquímica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP - Bauru) (2012).
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3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Agradeço imensamente a página "Ciência na Medida" por poder contribuir! Agradeço aos leitores. Um ótimo 2019 para todos nós. Bjus

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