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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Relações ecológicas: nenhum ser vivo nunca está sozinho


Nós não estamos sozinhos no mundo, isso é fato! Em todos os lugares por onde passamos, nós interagimos com outras pessoas, assim como com outros animais e vegetais ao nosso redor. E, assim como nós seres humanos, todos os animais e vegetais interagem entre si e, também, com o meio ambiente onde vivem. Essas interações entre os organismos são conhecidas como interações/relações ecológicas. As interações de um determinado ser vivo com o seu meio ambiente, além de com outros organismos, são fundamentais para a sua sobrevivência, bem como para o funcionamento do ecossistema. É a partir dessas interações que muitos seres vivos se alimentam, encontram abrigo, se reproduzem, cuidam da prole, etc. Como nós sabemos, em um determinado ecossistema, as comunidades abrigam diferentes populações de organismos. Dentro das comunidades, podemos encontrar várias formas de interações entre as diferentes populações de seres vivos. Quando essas interações ocorrem entre organismos de uma mesma espécie, nós as denominamos interações intraespecíficas. Quando as interações ocorrem entre organismos de espécies diferentes, são denominadas interações interespecíficas. Além disso, as interações podem ser classificadas de acordo com o seu resultado e nível de dependência dos organismos que participam dela. Quando não existe prejuízo para nenhum dos organismos envolvidos, ela é classificada como harmônica (positiva). Quando existe prejuízo para algum dos organismos envolvidos, ela é classificada como desarmônica (negativa). Essas categorias consideram as relações entre os seres vivos do ponto de vista do efeito, seja este benéfico ou prejudicial aos envolvidos.

Interações intraespecíficas

Harmônicas
Colônia: Um tipo de organização na qual os indivíduos de uma mesma espécie vivem intimamente ligados entre si e se beneficiando mutuamente. Um exemplo são os corais, que podem abrigar milhões de indivíduos em uma mesmo esqueleto calcário. Sociedade: Interação entre indivíduos de uma mesma espécie agrupados de um modo cooperativo. Nesse tipo de relação, os indivíduos se organizam castas (grupos sociais), onde ocorre a divisão de trabalho e há especialização de funções. Algumas espécies de insetos apresentam as sociedades mais complexas conhecidas. As abelhas, as vespas, os cupins e as formigas, são um exemplo. Organizam-se em sociedades onde há hierarquia e divisão de trabalho entre os indivíduos.
Desarmônicas
Competição: Ocorre quando um ou mais recursos utilizados por seres vivos de uma mesma espécie não são suficientes para atender as necessidades de todos os indivíduos que convivem num mesmo local. Quando isso ocorre, os organismos passam a disputar pelos mesmos recursos. Esse tipo de relação ecológica pode ser observado em praticamente todas as espécies. Canibalismo: Uma relação de predatismo em que um organismo se alimenta de outro organismo da sua mesma espécie. As fêmeas da aranha viúva-negra, por exemplo, se alimentam do macho logo após o acasalamento, para obter energia suficiente para o desenvolvimento de seus ovos.

Interações interespecíficas

Harmônicas
Mutualismo: Uma interação de cooperação entre duas ou mais espécies que obtêm benefícios a partir de uma associação totalmente dependente. Isso quer dizer que, uma espécie não pode sobreviver sem a presença da outra. Podemos citar como exemplo dessa interação os líquens, que são associações entre fungos e algas, e são totalmente dependentes da interação para que possam existir. Protocooperação: É uma relação de cooperação entre duas espécies distintas que se associam, gerando benefícios para os indivíduos envolvidos. Essa associação não é obrigatória, ou seja, os indivíduos das duas espécies podem sobreviver sem que haja interação entre elas. Um exemplo comum é a relação entre algumas espécies de caranguejos e anêmonas. Muitas vezes, é possível observar a presença de anêmonas sob a concha dos caranguejos.
Comensalismo: Nessa relação ecológica, uma das espécies se beneficia dos restos alimentares de outra, sem prejudicá-la. Os urubus, por exemplo, se alimentam de restos de presas deixados por outros animais. Epifitismo/inquilinismo: Ocorre quando uma espécie utiliza a outra como abrigo, sem causar nenhum prejuízo. Muitas plantas, chamadas de epífitas, utilizam o tronco de árvores como abrigo, sem causar nenhum dano.
Desarmônicas
Competição: Pode ser observada quando indivíduos de diferentes espécies competem pelos mesmos recursos em um mesmo ecossistema. Como exemplo de competição interespecífica, podemos citar árvores de diferentes espécies que crescem muito próximas umas das outras, competindo entre si pela luz solar, assim como, pelos recursos retirados do solo pelas raízes. Amensalismo: Consiste numa interação ecológica em que indivíduos de uma espécie expelem substâncias que impedem o desenvolvimento de indivíduos de outras espécies. São conhecidas algumas espécies de plantas que produzem e eliminam substâncias que impedem o crescimento de outras plantas ao seu redor, eliminando a competição por recursos.
Predação: É a relação em que um indivíduo de uma espécie mata um indivíduo de outra espécie para se alimentar. Uma gama de organismos na natureza é predadora, como leões, onças e, até mesmo, plantas carnívoras. Parasitismo: Relação onde uma espécie utiliza o organismo de outra como o habitat e fonte de alimento, causando prejuízos. Exemplos bem conhecidos são os carrapatos que se alimentam de sangue de outros organismos, e os vermes, que podem ser encontrados dentro do intestino de diversos mamíferos (como os seres humanos, por exemplo).

Mas, lembre-se: a natureza é sempre uma caixinha de surpresas e as relações ecológicas, muitas vezes, não são tão simples quanto parecem ser! Por isso, deve-se ter em mente que um único organismo pode participar de diversas interações ecológicas ao mesmo tempo, sendo estas interespecíficas e intraespecíficas, positivas e negativas. Por fim, é importante destacar que o resultado (positivo e negativo) das interações entre os organismos nem sempre serão fixos. Em diversos casos, as espécies podem interagir de diferentes formas quando as condições são diferentes. Por exemplo, o resultado de uma interação pode mudar quando existem mudanças no meio ambiente onde os seres vivos estão inseridos. Por isso é importante a conservação da biodiversidade, para que haja a manutenção do equilíbrio ecológico e o funcionamento ideal do ecossistema.
Figura 1. Esquema do resumo das interações ecológicas.

As interações ecológicas são vistas pelos alunos dentro de contextos de ciências e biologia, desde as séries iniciais do Ensino Fundamental, até o Ensino Médio. É uma temática de extrema importância,  pois conhecendo as interações dos seres vivos entre si e com o meio ambiente onde se encontram, os alunos começam a compreender como um único organismo pode influenciar o equilíbrio de uma comunidade ecológica. Além disso, ele passa a se sentir parte de um todo dentro da natureza ao nosso redor e passa a perceber como suas ações podem afetar todas as espécies que vivem ao nosso redor, desde os seres humanos até os menores seres vivos. O estudo das interações ecológicas cria a possibilidade de compreender que todas as espécies estão interligadas, e que fazem parte do funcionamento do nosso ecossistema.

Lorena Bueno Valadão Mendes 
lorena_valadao@yahoo.com.br
Sobre a autora: Lorena é graduada em Ciências Biológicas na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Mestre em Ciências Biológicas (Botânica) na Universidade Estadual Paulista (Unesp/Botucatu). Desenvolve trabalhos na área de Botânica e Ecologia vegetal com ênfase em interações mutualistas. Atualmente é professora de ciências na Educação Básica II.

Vídeos que podem auxiliar no assunto:

Referências:
Begon, M., Townsend, C. R., & Harper, J. L. (2009). Ecologia: de indivíduos a ecossistemas. Artmed Editora.
Del-Claro, K., & Torezan-Silingardi, H. M. (2006). Comportamento animal, interações ecológicas e conservação. In: Rocha, C.F.D.R., Sluys, M.V., Bergallo, H.G. Biologia da Conservação: Essências. Rio de Janeiro: Instituto Biomas. Rima Editora, 399-410.
Lopes, S., Rosso, S. (2010). BIO vol. 3. Editora Saraiva.
CANALCEDERJ. Disponível em . Acesso em: 02 de novembro de 2018.

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