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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Câncer de próstata: não é mais necessário o exame de toque retal! Fake ou News?


Assim como o outubro rosa é uma campanha mundial para conscientização da prevenção e tratamento do câncer de mama, o novembro azul é uma campanha com objetivo parecido.Porém, dessa vez, nossa atenção é focada no câncer de próstata. Este normalmente ocorre em homens acima dos 65 anos, mas existem casos de ocorrência a partir dos 40 anos. De acordo com o GLOBOCAN (Agência da Organização de Saúde responsável pelo mapeamento dos casos de câncer mundialmente) o número de novos casos de câncer de próstata chega a 1,3 milhões em 2018. Os dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer) sugerem o total de 68 mil novos casos de câncer de próstata no Brasil em 2018. Assim como no resto do mundo, o câncer de próstata é o segundo maior tipo de câncer a afetar os homens no Brasil, atrás apenas do melanoma, e o quarto câncer com maior incidência.

Mas então, é verdade que o exame de toque retal não é mais necessário para detectar o câncer de próstata?

FAKE! O câncer de próstata normalmente é assintomático nos estágios iniciais,por isso, o exame preventivo DEVE SER FEITO REGULARMENTE. Em estágios em que glândula aumentou seu tamanho além do normal, o paciente pode sentir dificuldades para urinar. Artigos científicos mostram que um dos motivos do atraso da identificação do câncer é a associação criada pelos pacientes de que essa dificuldade em urinar se deve ao envelhecimento. O diagnóstico é feito por três etapas simples: a primeira é a eliminação da possibilidade de ser uma infecção, e, para isso, o médico prescreve exames de urina. Outra bem conhecida é o EXAME DE TOQUE RETAL, em que o médico consegue detectar anormalidades no tamanho da glândula com o toque. E por último é feito um exame de sangue para detectar o PSA (antígeno especifico da próstata).

O PSA é uma glicoproteína produzida pelas células glandulares da próstata e tem como função promover a motilidade do espermatozoide. A sua detecção é apenas um indicativo, ou seja, são necessários outros exames para confirmar o diagnóstico. O PSA não pode ser usado para a confirmação do câncer, pois há estudos que mostram que o nível dessa proteína aumenta naturalmente com o envelhecimento e em casos de hiperplasia (fenômeno que ocorre devido a um estresse sofrido pelas células que faz com que aumentem seu número e não é necessariamente um câncer) também há um aumento da produção dela. Portanto, exames como o toque retal e a realização de biopsias ainda são importantíssimos e obrigatórios para finalizar o diagnóstico e devem ser menos estigmatizados.

Outro ponto importante do câncer de próstata é o tratamento. Quanto mais cedo é o diagnóstico (e por isso o apelo pelos exames preventivos) maiores são as chances de cura. As técnicas mais utilizadas são a prostactomia (retirada da glândula) e a radioterapia. Os tratamentos geram efeitos adversos e a permanência nem sempre é efetivada pelos pacientes. Há estudos que mostram que o apoio familiar é de extrema importância na continuidade do tratamento do paciente, assim como na manutenção da sua vida após a cura. Adicionalmente, saber quais efeitos colaterais traz segurança para o paciente e evita abandonos de tratamento e quadros de ansiedade. Por isso, ao ir ao médico, deve-se perguntar sobre os procedimentos e como eles atuam.

Por fim, é extremamente válido lembrar que a masculinidade não está associada a apenas um órgão, como a próstata, e que fazer os exames preventivos e o tratamento não diminuem a importância que o homem tem no seu meio social e familiar. Quanto mais cedo forem informados e perderem os estigmas, mais cedo é possível tratar e curar a doença. Por fim, usem esse mês para relembrar parentes e amigos da importância dos exames preventivos e da relevância que eles têm na vida de vocês!

Referências:
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/imj.12407
https://www.nhs.uk/conditions/prostate-cancer/diagnosis/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24780936
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/ecc.12233


Por: Beatrice Jorge
beatriceadrianne@gmail.com
Sobre a autora: Formada em Ciências Biomédicas pela UNESP, acredita que uma das coisas mais importantes em ser cientista é divulgar seu conhecimento para todos. Atualmente atua como aluna de mestrado na UNESP, na área de Patologia.

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