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terça-feira, 23 de outubro de 2018

Plantas sentem dor: verdade ou mito?


A ausência de um sistema nervoso semelhante ao dos animais é o principal fator que nos levou, até este momento, a acreditar que as plantas não sentem dor. No entanto, em setembro de 2018, o grupo de pesquisa liderado Simon Gilroy (Universidade de Wisconsin, Madison, EUA) publicou um trabalho que demonstra sinais elétricos sendo emitidos quando plantas recebem estímulos de predação ou são feridas, e explicou o caminho biológico para isso acontecer.

Em 2013, outro estudo do mesmo grupo de pesquisadores havia verificado que plantas, cujos receptores de glutamato nas células foram desativados, perdiam a capacidade de propagar sinais elétricos ao serem estimuladas. Ainda, em 2014, esses mesmos pesquisadores conseguiram registrar, em tempo real, a propagação do sinal a longas distâncias na planta.

Mas, somente agora, foi possível traçar uma via biológica pela qual esse processo ocorre e determinar alguns agentes dessa ação. Toyota e colaboradores observaram que o principal responsável pela propagação do sinal elétrico é o aminoácido glutamato, que ativa receptores de glutamato que, por sua vez, agem como canais. Esses canais se abrem todas as vezes em contato com o aminoácido glutamato e liberam íons cálcio (de maneira semelhante ao que ocorre em neurônios de animais). O ion cálcio modifica o potencial elétrico quando acumulado em ambiente intra ou extra celular. Abaixo um vídeo da planta modelo de estudo Arabidopsis thaliana propagando o cálcio (marcado em verde fluorescente) em suas células enquanto é atacada por uma lagarta:



Ao final dessa reação, as células geram mais glutamato, que serve como ativador dos canais das células seguintes e, assim, o sinal se propaga rapidamente (1 mm por segundo). Em animais, o glutamato, que age como um neurotransmissor de excitação, realiza a comunicação entre células do sistema nervoso. Nas plantas, esse sinal é amplificado nas células que compõem os vasos que carregam fluidos nutritivos das plantas (floema) e chegam a longas distâncias, até, inclusive, a outras folhas da planta.
O mais importante desse estudo  talvez seja sua contribuição para compreender como funcionaria esse “sistema nervoso” das plantas e a propagação do sinal para geração de uma resposta. E, sim, as plantas “sentem” dor e podem gerar respostas para se defender dos predadores quando atacadas, um exemplo é a produção de compostos repelentes ao serem predadas por insetos.

Nas cenas do próximo capítulo da ciência, poderemos saber mais sobre esse “sistema nervoso” e suas capacidades!

Quer saber mais?
-Em inglês: Artigo original: https://www.nature.com/articles/nature12478


Por: Érica Ramos
erica.ramos00@gmail.com
Sobre a autora: Bióloga e Mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP, apaixonada pelo tema Educação e, também, editora desta página de Divulgação Científica. No momento atua como aluna de doutorado na UNESP, na área de Genética.
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