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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

HPV: #EleNão!


O HPV (Papilomavírus Humano) é o agente causador de uma DST que afeta ambos os sexos e é capaz de infectar a pele e as mucosas. Existem mais de 120 subtipos de HPV, os quais são classificados como de alto risco e baixo risco. Esta classificação depende da capacidade do subtipo viral promover o câncer. Dentre os subtipos virais considerados de alto risco estão os 16 e 18, os quais são associados a vários tipos de câncer, como: cérvix, anal, vulva, câncer de cabeça e pescoço, orofaringe e pênis. Enquanto, os subtipos de baixo risco, como 6 e 11 estão associados a lesões de baixo grau, como as verrugas genitais.

No Brasil, a infecção pelo HPV no câncer de pênis é presente em até 75% dos casos, correspondendo a 2% de todos os tipos de neoplasias que atingem o homem. Enquanto, as mulheres com câncer cervical geralmente encontram-se infectadas pelo vírus. Portanto, faz-se necessário a implementação de medidas profiláticas para que o número de pessoas infectadas possa diminuir.

Quanto a sua biologia, o HPV é um vírus constituído de DNA, e revestido por um capsídeo, o seu genoma é dividido em regiões codificantes e não-codificantes. Após a infecção do vírus, o genoma do HPV pode se integrar ao DNA nuclear ou permanecer na forma não integrada. Nas lesões benignas, ele não está integrado ao genoma da célula hospedeira, e encontra-se em múltiplas cópias, já nas lesões malignas ele integra-se ao genoma da célula hospedeira. Quando o vírus se encontra integrado, algumas proteínas virais, em especial as de HPV de alto risco, podem se associar a genes que são responsáveis pelo ciclo celular, como os genes p53 e pRb, ocasionando assim o crescimento desordenado das células.

Imagem do HPV (Papiloma Víírus Humano)

A principal forma de transmissão do vírus é por via sexual, e manifesta-se principalmente através de verrugas ou lesões precursoras do câncer. As verrugas são popularmente conhecidas como “cristas de galo” tem aspecto de couve-flor e apresenta tamanho variável. Nas mulheres geralmente aparecem na vagina, vulva e colón do útero, enquanto nos homens na glande e prepúcio. É necessário ressaltar que tanto homens quanto mulheres podem estar infectados e não apresentarem os sintomas.

Imagem das verrugas causadas pelo vírus (cristas de galo)

A detecção do HPV em pessoas que não manifestam os sintomas é realizada por meio de exames de biologia molecular, onde observa-se a presença do DNA do vírus. Enquanto aqueles que possuem sinais de lesões são diagnosticados por meio de exames laboratoriais como o citopatológico, peniscopia ou anuscopia, a fim de caracterizar o tipo de verruga presente. Infelizmente não existe um tratamento específico para eliminar o vírus. As verrugas geralmente são tratadas de forma individualizada, através de laser, medicamentos, dentre outros.

Com o aumento da incidência de infecção pelo HPV em adolescentes sexualmente ativas, o surgimento de lesões intraepiteliais neoplásicas podem progredir mais rapidamente devido à imaturidade da cérvix.  Devido a isto, as principais medidas profiláticas, como a vacinação, são voltadas para este público. A vacina adotada no Brasil, atualmente pelo Ministério da Saúde é a quadrivalente, que protege contra os HPV 6, 11, 16 e 18. A vacinação pública contra o HPV acontece durante todo o ano nos postos de saúde para meninas de 9 a 13 anos. A partir de 2017, meninos de 12 e 13 anos e pacientes HIV positivos de 9 a 26 anos também tiveram acesso à vacinação gratuita.

Entretanto, a cobertura vacinal ainda é muito baixa, no ano de 2014, foram imunizadas 8,6 milhões de meninas entre 9 a 15 anos de idade, este número corresponde a 72,45% do total de brasileiras nesta faixa etária.  Porém, apenas 5,3 milhões de meninas, receberam as três doses, correspondendo a 45,1% do público-alvo. Esta baixa adesão, dentre os muitos fatores, estão a falta de conhecimento dos responsáveis dos adolescentes quanto a importância da vacina, e a ausência de campanhas voltadas para a educação sexual nas escolas. O tema Educação Sexual em escolas públicas ainda é pouco abordado, levando os alunos a pouco ou nenhum conhecimento sobre as formas de contágio, prevenção e tratamentos sobre as doenças sexualmente transmissíveis, em especial sobre o HPV.

Porém apesar de pouco abordado, o tema HPV é bastante adequado para aulas de Ciências e Biologia, podendo ser explanado em sala de aula como nas aulas sobre vírus e corpo humano, ou explorado em feiras de ciências e/ou vídeos educativos. Isso permitirá a desmistificação de conceitos e a quebra de possíveis tabus.

Sobre a autora: Jaqueline Diniz Pinho
jackdpinho@gmail.com
Graduada em Ciências Biológicas, Mestre em Ciências da Saúde na Universidade Federal do Maranhão e Doutora em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Pará. Tem experiência na área de Genética Humana, com as temáticas; oncogenética e epidemiologia molecular.
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3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Leitura muito agradável e de fácil compreensão. Infelizmente este e outros assuntos da área não possuem uma divulgação satisfatória, o que acarreta em um prejuízo considerável e que poderia ser evitado com orientação, educação e prevenção.
    Parabéns a autora pela clareza das suas ideias.

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