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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

CSI014: Ditadura cor-de-rosa?


Hoje, dia 3 de outubro, quarta-feira, é dia de usar cor-de-rosa e todo mundo que já assistiu “Meninas malvadas” sabe disso!

(Isso é tão barro!!)

O filme lançado em 2004 virou um ícone da cultura pop ao contar a história de Cady Heron, uma garota que foi educada em casa a vida toda e, ao entrar no ensino médio, passa a frequentar uma escola formal – que tem o mesmo problema de todo ensino médio: os adolescentes. Ainda nos primeiros minutos de filme somos apresentados ao colégio North Shore “comandado” pelas “plastics”: um grupo de três meninas super populares cuja líder é a invejada Regina George, que impõe regras de comportamento, vestimenta e [ALERTA SPOILER!!] Leva a escola todo ao caos colocando os alunos uns contra os outros. Pensando nisso, seria Regina George uma ditadora?
Primeiramente, precisamos entender que a função do ditador remonta a antiga Roma. Quando o Estado estava em posição de vulnerabilidade deveria ser escolhido um magistrado supremo, cuja função seria reger o país “sozinho”. Todas as decisões a partir daí seriam tomadas pelo ditador: desde a criação de leis até julgamento de infrações, passando por estratégias de guerra, entre outros. Um regime de governo liderado por um ditador é conhecido por “regime totalitário”, onde todos os poderes que temos hoje em um regime como o do nosso país (dividido em legislativo, judiciário e executivo) são exercidos pelo ditador.
Embora exista quem argumente que regimes totalitários sejam de esquerda e nossa vilã não toma decisões baseadas nessa ideologia política, aqui abrimos um parêntese para explicar essa confusão de direita X esquerda.

 A origem desses termos vem do período da Revolução Francesa de 1789: os extremistas jacobinos (representando a burguesia, reivindicavam igualdade perante a lei) sentavam-se à esquerda enquanto os liberais girondinos (elite conservadora e tradicional, que buscava o bem-estar individual) sentava-se à direita no salão da Assembleia Nacional Constituinte. Essa dicotomia esconde uma diversidade muito grande de interesses que se misturam nos dias de hoje. Há uma grande confusão conceitual (por ignorância ou por desonestidade intelectual).  Hoje a esquerda é embasada nos ideais descritos por Karl Marx e Friedrich Engels em 1848, que defendem a divisão da sociedade em classes e a luta das mesmas pelos meios de produção, a fim de reverter o poder e opressão da burguesia.
Um bom exemplo dessa confusão é a questão levantada sobre o nazismo ser de esquerda. Um dos argumentos usados é o nome do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães como forma de enquadrá-lo como um partido de esquerda, porém tudo indica que o nome Socialista foi incorporado para atrair os trabalhadores alemães. Tanto o nazismo alemão como o fascismo italiano eram contrários ao socialismo marxista, combatido à exaustão. Os partidos totalitários de direita também eram contrários ao capitalismo liberal, já que o mundo vivia as consequências da Crise de 1929, uma crise do capitalismo que se espalhou pelo mundo num efeito dominó. A essência da proposta nazista é norteada pelo racismo (supremacia branca ariana), xenofobia; homofobia; militarismo; na obediência cega ao líder, que personificava o Estado; na propaganda e anticomunismo; nacionalismo exacerbado; defensores do darwinismo social. Tais características levam historiadores renomados a considerarem o nazismo como movimento de extrema-direita. E aqui a História cumpre seu papel: através de análises levar as pessoas a se posicionarem e a desenvolver seu espírito crítico, atuando como sujeitos da História, se atentando para que mesmos erros não sejam cometidos, não importando de qual espectro político ele venha.

(eu sei!)

Voltemos a nossa análise: Regina George controla, de certa maneira toda a escola: todos querem estar com ela e se parecer com ela. Para atingir esse objetivo, os demais alunos têm que cumprir regras estabelecidas pela própria Regina como, por exemplo, usar roupa cor-de-rosa as quartas-feiras para poder se sentar com ela nos intervalos das aulas. Caso alguém do grupo fugisse a regra, a própria Regina (ou alguma de suas seguidoras) fazia com que a pessoa mudasse de lugar e fosse frequentar outra mesa com grupos que as plastics julgavam inferiores. Também é Regina quem decide com quem as plastics podem se relacionar, e qual estratégia é usada para iniciar a “guerra” entre os alunos, se colocando como vítima de suas próprias maldades.

(você não pode sentar com a gente!)

De esquerda Regina não tem nada: filha de pais ricos, mora no maior quarto da mansão, faz com que sua família se dobre aos seus caprichos (mesmo sendo uma filha contra um pai, uma mãe e uma irmã caçula), usa os bens dos pais para causar intimidação nos colegas e se vê como superior às outras pessoas; mas de totalitária...


Texto feito em parceria com a professora de história Carmen Lúcia Reghini Scola Gonçalves.

Quer saber mais sobre o assunto?
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-39809236
https://www.facebook.com/coisadenerd/videos/1398100476906203/
https://www.rbhcs.com/rbhcs/article/view/229

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