Aba

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Vassoura dos oceanos: a remoção de plásticos se tornou realidade



Uma ideia inovadora e cheia de entusiasmo, concebida por um jovem ambientalista holandês virou realidade e o primeiro grande teste está sendo realizado nesse exato momento! O sonho de limpar os oceanos de todo o plástico acumulado pode estar mais perto de se realizar.

Plástico nos oceanos, como assim?

É isso mesmo, a maior parte do plástico que nós (empresas e cidadãos) jogamos no lixo vai parar nos oceanos. A situação fica ainda pior quando em determinadas regiões o lixo acumulado forma grandes ilhas, sobre as quais é possível de se realizar uma caminhada. Isso porque, há convergência de correntes marítimas que carregam os detritos a um local específico e levam a esse acúmulo. A quantidade de plástico boiando no oceano não é brincadeira, e um estudo recente (março de 2018), por exemplo, quantificou cerca de 79.000 toneladas de plástico boiando numa área de 1,6 milhões de quilômetros quadrados entre a Califórnia e o Havaí. O plástico, além de poluir visualmente, mata animais pela liberação de substâncias químicas tóxicas, pelo engasgamento ou complicações intestinais em animais que o confundem com comida. Ainda, nos locais onde há grande acúmulo, o plástico impede a entrada de luz e, por consequência, a realização de fotossíntese pelas algas.

E, nessa história tão preocupante, um jovem ambientalista que adora mergulhar, Boyan Slat, atualmente com 22 anos, criou a fundação “The Ocean Clean Up” para remover o lixo dos oceanos e reuniu um time de mais de 400 cientistas para ajudá-lo nesse propósito. Em  2012, o rapaz apresentou sua ideia numa palestra (o vídeo possui o recurso de legendas em português) e despertou o interesse de muitos cientistas, inclusive do Brasil. Após anos de pesquisa e dedicação de todos, no dia 08  de setembro de 2018 foi iniciado o primeiro teste da tecnologia inventada pelo grupo.

Foto do lançamento do primeiro teste. Fonte: The Ocean Clean Up Foundation.

Como funciona a tecnologia?

O princípio básico é reproduzir, artificialmente, a costa de um continente que, por sua vez, irá funcionar como uma rede de arrasto, levando  o lixo que se acumula na superfície acumular em pontos de coleta. Para isso, foram desenvolvidas 60 estruturas de 600m de  comprimento e 3m de profundidade. A parte superior da estrutura é composta por flutuadores de polietileno e a parte inferior, chamada de saia, é composta por telas. Os flutuadores arrastam o material e a saia impede que pequenos plásticos passem por baixo da estrutura superior. Por ser flexível, a estrutura consegue se dobrar no formato de “U” para tornar o trabalho mais eficiente. Além disso, os ventos e as ondas empurram a parte superior, permitindo que tudo seja movido naturalmente, sem motores.
Toda a estrutura é monitorada por GPS e possui sensores anti-colisão.

Assista ao vídeo abaixo para melhor compreender o essa tecnologia:


Após recolher o lixo, a estrutura é interceptada por embarcações que recolherão o material e este é levado para reciclagem. Segundo seus criadores, o limpador de oceanos deve remover cerca de 50% de todo plástico superficial do oceano Pacífico num período de 5 anos, e, ainda, 90% até 2040. A iniciativa foi financiada por doações em vaquinhas coletivas online, bem como com o suporte de empresas importantes como o Paypal.

Esse é o site oficial da fundação, com um material vasto e atualizado sobre a tecnologia (imagens, vídeos e acompanhamento em tempo real do teste) e, no qual, podem ser feitas doações:
https://www.theoceancleanup.com/

Críticas ao modelo:

Nem tudo são flores e é lógico que existem alguns possíveis problemas. Muitos pesquisadores se posicionaram com ressalvas ao trabalho. Aqui estão algumas críticas:

  • Apesar de ser pensado para não atrapalhar a rotina da vida marinha (pois se encontra acima de grandes correntes oceânicas e retém apenas uma pequena parte de zooplâncton), muitos pesquisadores afirmam que essas grandes ilhas móveis que se formarão podem atrair animais em busca de comida e, ainda, carregar microambientes de diferentes regiões, agindo de forma negativa.
  • Algumas críticas se dão no âmbito social. Pessoas afirmam que, ao limpar o plástico dos oceanos, não estamos tratando a causa principal do problema, que é a desenfreada produção desse material. E, por consequência, poderia haver um efeito no agravamento da causa, o que levaria a um esforço infindável para tentar remover lixo do oceano.


E você, o que achou dessa ideia?

Quer saber mais?

-Em português:
https://super.abril.com.br/ciencia/jovem-de-22-anos-cria-tecnica-para-limpar-o-plastico-dos-oceanos/
https://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/tecnologia/2018/04/25/limpador-gigante-promete-coletar-18-trilhao-de-pedacos-de-plastico-do-pacifico.htm

-Em inglês:
https://www.sciencenews.org/article/massive-net-being-deployed-pick-plastic-pacific?tgt=nr
https://www.nature.com/articles/s41598-018-22939-w
https://www.theoceancleanup.com/



Por: Érica Ramos
erica.ramos00@gmail.com
Sobre a autora: Bióloga e Mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP, apaixonada pelo tema Educação e, também, editora desta página de Divulgação Científica. No momento atua como aluna de doutorado na UNESP, na área de Genética.

Compartilhar:
←  Anterior Proxima  → Inicio

0 comentários:

Postar um comentário

Seja um colaborador!

Postagens populares

Total de visualizações

Seguidores

Tecnologia do Blogger.