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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Museu Nacional em chamas: triste presente aos biólogos




O dia 3 de setembro é dia de comemoração da profissão do biólogo no Brasil, data em que a a lei que regulamenta a atividade dos biólogos foi sancionada, em 1979. Os biólogos são um dos principais profissionais que atuam na pesquisa no nosso país, seja nas universidades, institutos de pesquisa ou empresas. Porém, a atual situação econômica e política do país vem a cada dia trazendo consequências nefastas para o campo da ciência e isso não dá motivos para comemorar.

A fusão do ministérios da Comunicação e da Ciência, Tecnologia e Inovação levou à redução dos investimentos em ciência. E desde lá, a comunidade científica brasileira vem sofrendo com restrições financeiras em projetos e bolsas para estudantes e pesquisadores. Ainda recentemente, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), ligada ao Ministério da Educação, alertou para possível incapacidade de pagamento das bolsas dos milhares de estudantes de pós-graduação do país por possível corte no orçamento da CAPES para o ano de 2019.

Esse cenário de instabilidade e restrições deixa claro que a ciência não é vista como prioridade pelo governo federal e isso nos afeta hoje e terá consequências amanhã. Mas o mais doloroso foi o “presente” que os biólogos e toda a sociedade receberam na véspera da comemoração do dia do biólogo. O Museu Nacional do Rio de Janeiro foi destruído por um incêndio provavelmente devido a problemas na antiga e inapropriada rede elétrica do prédio.

Vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele é a mais antiga instituição de pesquisa do Brasil,  fundando em 1818. Em seus duzentos anos de história o museu reuniu importantes registros das áreas de ciências naturais e antropológicas.

Como disse alguém nas redes sociais “não perdemos só o passado, perdemos também o futuro”. Os museus guardam dados valiosos de exemplares de espécies que já foram extintas e de outras que ainda não foram identificadas até que alguém as estude com mais profundidade. Além disso, os museus reunem a própria história do ser humano em toda coleção de itens obtidos de trabalhos arqueológicos.

Apesar da importância do Museu Nacional e do alerta sobre suas condições estruturais, não foram tomadas as medidas necessárias para impedir essa situação, que foi a mesma sofrida por outras importantes instituições desse patamar, como o Museu da Língua Portuguesa em 2015. Embora sejam divulgadas as reais causas do acidente após o fim das perícias, é notório que a falta de interesse e de investimento público tenham sido os principais motivos da tragédia.

O acidente aconteceu dias após o começo das propagandas eleitorais dos candidatos aos cargos do executivo e legislativo e somente dois candidatos à presidência deixam claro no seu programa de governo um comprometimento com o funcionamento dos museus. Portanto, a um mês das eleições, talvez essa triste tragédia sirva ao menos para chamar a atenção de toda a sociedade para a importância destas intituições e cobrar dos candidatos aos cargos políticos um comprometimento com elas. Só políticas que garantam o orçamento necessário para sua manutenção vão permitir seu funcionamento adequado e impedir que o conhecimento acumulado por anos seja perdido em horas.

Neste dia, apesar da tristeza, os profissionais que se dedicam ao estudo da vida e também todos os profissionais da ciência merecem os parabéns pela força em resitir em seu trabalho apesar de todas as dificuldades. E que, como Fênix, o Museu Nacional resurja da cinzas.

Sobre o Autor: Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.
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