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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Estocar vento pode ajudar a combater o aquecimento global


Em 2015 a ex-presidente Dilma Rousseff chocou o Brasil com seu discurso. Em uma conferência da ONU, ela sugeriu uma “tecnologia para estocar vento”. A sugestão ganhou tanta repercussão que foi matéria de jornais importantes do país, além da criação de remix e memes com a fala. Após anos a pergunta ainda permanece: seria possível estocar vento ou a ex-presidente apenas foi infeliz na ideia? A resposta é: sim, dá para estocar vento. Na verdade, já existem diversos estudos envolvendo o uso de ar líquido e o armazenamento em rochas.


No vídeo a ex-presidente refere-se ao estoque de vento para gerar energia, mas o que estocar vento, no caso um gás específico, tem a ver com aquecimento global? As consequências do aquecimento global se dão, entre muitas causas, por um acúmulo de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, o que impede a dissipação do calor da superfície do planeta. Esse fenômeno é o que conhecemos como efeito estufa. Além dele, o acúmulo de CO2 nos oceanos os tornam mais ácidos, o que consequentemente destrói parte da flora e fauna marinha. Tentando amenizar esse problema, cientistas tiveram a ideia de injetar o gás embaixo do oceano.

A proposta foi dada inicialmente por Cesare Marchetti em 1977. A técnica era basicamente injetar o CO2 no Mar Mediterrâneo, que devido a sua alta densidade faria com que o gás afundasse no Oceano Atlântico. A principal crítica a esse modelo é o risco que o excesso de CO2 causaria na vida daquele ambiente. Portanto, foram feitas algumas adaptações e uma das ideais atuais sobre o assunto é a injeção de CO2 líquido no fundo do oceano. Com o auxílio das baixas temperaturas, alta pressão e reação com fluidos presentes, o gás formaria cristais de gelo e se dissolveria aos poucos. O projeto utilizaria técnicas já conhecidas pela indústria petrolífera.

Mesmo sendo uma ideia inovadora, além do risco biológico, o método apresenta outras questões que devem ser levadas em conta. O local onde será armazenado o CO2 deve ser escolhido com muito estudo, devido à alta atividade geológica das placas tectônicas em algumas regiões do globo. Além disso, é necessário garantir que não haverá vazamento do gás durante o processo de injeção.

A técnica ainda não foi testada em grande escala, sendo apenas observada em laboratório, devido principalmente aos riscos que oferece. Por enquanto, a melhor opção é diminuir o desmatamento e o uso de combustíveis fosseis na geração de energia. Apesar disso, essa proposta mostra que ideias que aparentam ser absurdas, quando seguem o método científico, podem ser passíveis de aplicação em um problema mundial.

Fontes:
https://www.technologyreview.com/s/406222/storing-carbon-dioxide-under-the-ocean/
https://people.ucsc.edu/~mdmccar/migrated/ocea213/readings/15_GeoEngineer/C_sequestration/adams_2008_Elements_CALDERIA_Ocean_CO2_Storeage.pdf
https://netnature.wordpress.com/2017/08/30/como-o-co2-afeta-a-temperatura-media-global-a-fisicoquimica-por-tras-do-aquecimento-global/
https://www.startalkradio.net/show/get-real-climate-change-seth-shostak-repeat/



Por: Beatrice Jorge
beatriceadrianne@gmail.com
Sobre a autora: Formada em Ciências Biomédicas pela UNESP, acredita que uma das coisas mais importantes em ser cientista é divulgar seu conhecimento para todos. Atualmente atua como aluna de mestrado na UNESP, na área de Patologia.


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