Aba


segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Cientistas identificam o mais antigo animal conhecido que já existiu na Terra

Em um artigo publicado na revista Science, cientistas apresentam evidências de que fósseis de organismos macroscópicos conhecidos como Dickinsonia e que datam de 541-571 milhões de anos atrás são dos primeiros animais.

Fóssil de Dickinsonia. (Fonte: http://science.sciencemag.org/content/361/6408/1246)

Dickinsonia foi uma criatura que atingia até 1,4 metros e que viveu antes do Cambriano, período da explosão da diversidade animal no planeta. Até a divulgação do estudo, a discussão sobre a qual grupo de eucariotos o Dickinsonia pertencia era uma da mais quentes no campo da paleontologia. Os cientistas especulavam se essa criatura se tratava de planta, fungo, protozoário ou animal.

No recente estudo, os pesquisadores conseguiram obter fósseis de Dickinsonia com a composição de lipídeos bastante preservada e identificaram o tipo desses lipídeos. Só o fato de terem obtido essas moléculas de um material tão antigo torna este estudo importantíssimo. Porém, o que é mais relevante nesta investigação e o que traz a evidência para a natureza animal de Dickinsonia é a presença de colesterol nos fósseis, um tipo de lipídeo produzido somente por animais.

Embora esse estudo tenha resolvido a questão sobre a natureza de Dickinsonia para alguns cientistas, outros pesquisadores são céticos às conclusões do estudo. Há quem diga que o Dickinsonia é um animal complexo e que deve ter acentrais animais, e isso leva à conclusão de que ele não é o animal mais antigo. Há, ainda, quem acredite que as evidências apresentadas não são suficientes para confirmar que a criatura seja um animal, uma vez que o material fossilizado pode ter sido contaminado com amostras de outros seres.

Assim, embora a descoberta seja relevante, mais evidências ainda precisam ser encontradas para convencer a toda comunidade de que Dickinsonia é um animal.

Para saber mais:

http://science.sciencemag.org/content/361/6408/1246
http://science.sciencemag.org/content/361/6408/1198
https://www.nature.com/articles/d41586-018-06767-6
https://gizmodo.uol.com.br/evidencia-fossil-558-milhoes-anos-animal-mais-antigo-mundo/



Por: Adauto Cardoso
adautolimacardoso@gmail.com
Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.
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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Os primeiros biquínis do mundo





Se você já se perguntou quando a história do biquíni começou, saiba que esta peça de roupa existe desde a Roma antiga! Estes mosaicos encontrados na Sicília mostram que a moda de ser fitness existe há muito mais tempo do que imaginávamos.

Os mosaicos batizados de "ancient bikini girls" foi encontrado em uma escavação de uma vila romana perto de Piazza Armerina na Sicília. Eles provavelmente foram feitos no século IV por artistas norte-africanos visto que algumas peças dos mosaicos vêm da África.

A obra mostra não apenas as atividades atléticas femininas daquela época, mas também o seu ideal de beleza: pernas e braços musculosos, quadris largos e pés pequenos. E é claro, joias e penteados! De fato, é como se elas tivessem saído de uma revista de beleza atual!



Traduzido e adaptado da matéria em inglês "Ancient Bikini Girls", escrita por Magda Michalsca no site Daily Art.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Novas proteínas sintéticas abrem um novo caminho para a ciência


As proteínas são a principal maquinaria dos processos celulares e já faz bastante tempo que os cientistas conseguem mexer em suas estruturas e mudar como elas se ligam nos seus alvos moleculares. Esses alvos podem ser sinalizações celulares para desencadear vários eventos até reações que serão aceleradas (enzimas) para maior produção de determinado produto.

A maior parte de modelagem proteica é feita comparativamente (quando uma parte da proteína a ser modelada já é conhecida) e acabamos por buscar determinada homologia (uma similaridade) em banco de dados onde são depositadas essas estruturas. Porém, ainda é muito difícil e custoso prever a estrutura de uma proteína totalmente nova. E foi isso que uma equipe de cientistas fez na semana passada: fabricar suas próprias proteínas do zero para se ligarem a novos alvos.

Modelo computacional da hemoglobina, proteína dos glóbulos vermelhos responsável pelo transporte de oxigênio pelo organismo


Essa equipe usou um programa de computador para fazer o design dessas novas proteínas e criaram 56 variações dessas novas moléculas. Cada uma tinha um formato de barril com uma parte interna que poderia se ligar a pequenos moléculas. No caso desse estudo, o alvo foi a DFHBI, uma molécula que floresce quando ligada à uma proteina. Os pesquisadores isolaram seus melhores ligantes e escolheram três formatos de proteínas que funcionavam com apenas pequenas quantidades de DFHBI. Quando eles colocavam suas proteínas sintéticas em células com DFHBI, as células literalmente se acendiam! Veja esse evento acontecendo no vídeo abaixo:


Essa nova abordagem possibilita uma forma diferente de criar biosensores que conseguem medir expressão gênica ou rastrear a presença de químicos dentro das células. Esses avanços, de acordo com os cientistas, podem dar aos médicos um novo conjunto de ferramentas para diagnosticar e tratar doenças perigosas, além de monitorar a efetividade de tratamentos médicos.

Quer saber mais?
https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/proteinas.htm
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/farmacia/modelagem-de-proteinas/53731
https://www.nature.com/articles/s41586-018-0509-0 (artigo original, em inglês)




Por: Lucas Farinazzo Marques
kim_farinazzo@hotmail.com
Sobre o autor: Biólogo pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e atualmente trabalha com Bioinformática.
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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Usain Bolt, veloz como um raio (ou quase) também em gravidade zero


Imagem: O velocista Jamaicano de 32 anos deu uma pausa para voar na França em um Airbus Zero-G.

Um avião de turismo espacial, especialmente modificado para um evento de uma produtora de champanhes de Vatry, na França Oriental, presenciou Bolt "competir" sobre uma pista de atletismo montada na cabine da nave. Devido à baixa gravidade, o atleta "correu" em câmera lenta, mas sempre mais veloz que seus adversários, o astronauta francês Jean-Francois Clervoy (CEO da Novispace) e o designer de interiores Octave de Gaulle, o qual inventou a garrafa "Mumm Grand Cordon Stellar", projetada para ser aberta no espaço.

Bolt disse que se sentiu como "uma criança em uma loja de doces" depois de ter passado cerca de quatro minutos flutuando e brincando em condições de quase ausência de peso.

Matéria traduzida do italiano por Maria Laura Kuniyoshi. Confira a versão original em Rai News.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Estocar vento pode ajudar a combater o aquecimento global


Em 2015 a ex-presidente Dilma Rousseff chocou o Brasil com seu discurso. Em uma conferência da ONU, ela sugeriu uma “tecnologia para estocar vento”. A sugestão ganhou tanta repercussão que foi matéria de jornais importantes do país, além da criação de remix e memes com a fala. Após anos a pergunta ainda permanece: seria possível estocar vento ou a ex-presidente apenas foi infeliz na ideia? A resposta é: sim, dá para estocar vento. Na verdade, já existem diversos estudos envolvendo o uso de ar líquido e o armazenamento em rochas.


No vídeo a ex-presidente refere-se ao estoque de vento para gerar energia, mas o que estocar vento, no caso um gás específico, tem a ver com aquecimento global? As consequências do aquecimento global se dão, entre muitas causas, por um acúmulo de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, o que impede a dissipação do calor da superfície do planeta. Esse fenômeno é o que conhecemos como efeito estufa. Além dele, o acúmulo de CO2 nos oceanos os tornam mais ácidos, o que consequentemente destrói parte da flora e fauna marinha. Tentando amenizar esse problema, cientistas tiveram a ideia de injetar o gás embaixo do oceano.

A proposta foi dada inicialmente por Cesare Marchetti em 1977. A técnica era basicamente injetar o CO2 no Mar Mediterrâneo, que devido a sua alta densidade faria com que o gás afundasse no Oceano Atlântico. A principal crítica a esse modelo é o risco que o excesso de CO2 causaria na vida daquele ambiente. Portanto, foram feitas algumas adaptações e uma das ideais atuais sobre o assunto é a injeção de CO2 líquido no fundo do oceano. Com o auxílio das baixas temperaturas, alta pressão e reação com fluidos presentes, o gás formaria cristais de gelo e se dissolveria aos poucos. O projeto utilizaria técnicas já conhecidas pela indústria petrolífera.

Mesmo sendo uma ideia inovadora, além do risco biológico, o método apresenta outras questões que devem ser levadas em conta. O local onde será armazenado o CO2 deve ser escolhido com muito estudo, devido à alta atividade geológica das placas tectônicas em algumas regiões do globo. Além disso, é necessário garantir que não haverá vazamento do gás durante o processo de injeção.

A técnica ainda não foi testada em grande escala, sendo apenas observada em laboratório, devido principalmente aos riscos que oferece. Por enquanto, a melhor opção é diminuir o desmatamento e o uso de combustíveis fosseis na geração de energia. Apesar disso, essa proposta mostra que ideias que aparentam ser absurdas, quando seguem o método científico, podem ser passíveis de aplicação em um problema mundial.

Fontes:
https://www.technologyreview.com/s/406222/storing-carbon-dioxide-under-the-ocean/
https://people.ucsc.edu/~mdmccar/migrated/ocea213/readings/15_GeoEngineer/C_sequestration/adams_2008_Elements_CALDERIA_Ocean_CO2_Storeage.pdf
https://netnature.wordpress.com/2017/08/30/como-o-co2-afeta-a-temperatura-media-global-a-fisicoquimica-por-tras-do-aquecimento-global/
https://www.startalkradio.net/show/get-real-climate-change-seth-shostak-repeat/



Por: Beatrice Jorge
beatriceadrianne@gmail.com
Sobre a autora: Formada em Ciências Biomédicas pela UNESP, acredita que uma das coisas mais importantes em ser cientista é divulgar seu conhecimento para todos. Atualmente atua como aluna de mestrado na UNESP, na área de Patologia.


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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Vassoura dos oceanos: a remoção de plásticos se tornou realidade



Uma ideia inovadora e cheia de entusiasmo, concebida por um jovem ambientalista holandês virou realidade e o primeiro grande teste está sendo realizado nesse exato momento! O sonho de limpar os oceanos de todo o plástico acumulado pode estar mais perto de se realizar.

Plástico nos oceanos, como assim?

É isso mesmo, a maior parte do plástico que nós (empresas e cidadãos) jogamos no lixo vai parar nos oceanos. A situação fica ainda pior quando em determinadas regiões o lixo acumulado forma grandes ilhas, sobre as quais é possível de se realizar uma caminhada. Isso porque, há convergência de correntes marítimas que carregam os detritos a um local específico e levam a esse acúmulo. A quantidade de plástico boiando no oceano não é brincadeira, e um estudo recente (março de 2018), por exemplo, quantificou cerca de 79.000 toneladas de plástico boiando numa área de 1,6 milhões de quilômetros quadrados entre a Califórnia e o Havaí. O plástico, além de poluir visualmente, mata animais pela liberação de substâncias químicas tóxicas, pelo engasgamento ou complicações intestinais em animais que o confundem com comida. Ainda, nos locais onde há grande acúmulo, o plástico impede a entrada de luz e, por consequência, a realização de fotossíntese pelas algas.

E, nessa história tão preocupante, um jovem ambientalista que adora mergulhar, Boyan Slat, atualmente com 22 anos, criou a fundação “The Ocean Clean Up” para remover o lixo dos oceanos e reuniu um time de mais de 400 cientistas para ajudá-lo nesse propósito. Em  2012, o rapaz apresentou sua ideia numa palestra (o vídeo possui o recurso de legendas em português) e despertou o interesse de muitos cientistas, inclusive do Brasil. Após anos de pesquisa e dedicação de todos, no dia 08  de setembro de 2018 foi iniciado o primeiro teste da tecnologia inventada pelo grupo.

Foto do lançamento do primeiro teste. Fonte: The Ocean Clean Up Foundation.

Como funciona a tecnologia?

O princípio básico é reproduzir, artificialmente, a costa de um continente que, por sua vez, irá funcionar como uma rede de arrasto, levando  o lixo que se acumula na superfície acumular em pontos de coleta. Para isso, foram desenvolvidas 60 estruturas de 600m de  comprimento e 3m de profundidade. A parte superior da estrutura é composta por flutuadores de polietileno e a parte inferior, chamada de saia, é composta por telas. Os flutuadores arrastam o material e a saia impede que pequenos plásticos passem por baixo da estrutura superior. Por ser flexível, a estrutura consegue se dobrar no formato de “U” para tornar o trabalho mais eficiente. Além disso, os ventos e as ondas empurram a parte superior, permitindo que tudo seja movido naturalmente, sem motores.
Toda a estrutura é monitorada por GPS e possui sensores anti-colisão.

Assista ao vídeo abaixo para melhor compreender o essa tecnologia:


Após recolher o lixo, a estrutura é interceptada por embarcações que recolherão o material e este é levado para reciclagem. Segundo seus criadores, o limpador de oceanos deve remover cerca de 50% de todo plástico superficial do oceano Pacífico num período de 5 anos, e, ainda, 90% até 2040. A iniciativa foi financiada por doações em vaquinhas coletivas online, bem como com o suporte de empresas importantes como o Paypal.

Esse é o site oficial da fundação, com um material vasto e atualizado sobre a tecnologia (imagens, vídeos e acompanhamento em tempo real do teste) e, no qual, podem ser feitas doações:
https://www.theoceancleanup.com/

Críticas ao modelo:

Nem tudo são flores e é lógico que existem alguns possíveis problemas. Muitos pesquisadores se posicionaram com ressalvas ao trabalho. Aqui estão algumas críticas:

  • Apesar de ser pensado para não atrapalhar a rotina da vida marinha (pois se encontra acima de grandes correntes oceânicas e retém apenas uma pequena parte de zooplâncton), muitos pesquisadores afirmam que essas grandes ilhas móveis que se formarão podem atrair animais em busca de comida e, ainda, carregar microambientes de diferentes regiões, agindo de forma negativa.
  • Algumas críticas se dão no âmbito social. Pessoas afirmam que, ao limpar o plástico dos oceanos, não estamos tratando a causa principal do problema, que é a desenfreada produção desse material. E, por consequência, poderia haver um efeito no agravamento da causa, o que levaria a um esforço infindável para tentar remover lixo do oceano.


E você, o que achou dessa ideia?

Quer saber mais?

-Em português:
https://super.abril.com.br/ciencia/jovem-de-22-anos-cria-tecnica-para-limpar-o-plastico-dos-oceanos/
https://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/tecnologia/2018/04/25/limpador-gigante-promete-coletar-18-trilhao-de-pedacos-de-plastico-do-pacifico.htm

-Em inglês:
https://www.sciencenews.org/article/massive-net-being-deployed-pick-plastic-pacific?tgt=nr
https://www.nature.com/articles/s41598-018-22939-w
https://www.theoceancleanup.com/



Por: Érica Ramos
erica.ramos00@gmail.com
Sobre a autora: Bióloga e Mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP, apaixonada pelo tema Educação e, também, editora desta página de Divulgação Científica. No momento atua como aluna de doutorado na UNESP, na área de Genética.

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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Todas as crianças são o Zezé - entenda!


Não há dúvidas de que o Zezé simplesmente roubou a cena em cada momento em que aparece em “Os Incríveis 2” e é fofo até mesmo em cenas de luta (talvez o guaxinim não compartilhe da minha opinião, mas esse é um caso à parte). Porém, não é por conta disso que as crianças do mundo real são parecidas com o Zezé.


Nesse filme, descobrimos os – muitos – poderes do Zezé. O danado tem visão a laser, voo, se transforma em um pequeno demônio, atravessa paredes... como é possível um espécime de herói ter tantas habilidades? Esse pequeno monstrinho, assim como qualquer criança, possui uma alta neuroplasticidade.


A palavra “plástico” deriva do grego πλαστóσ (plastos), que significa “moldado”. Assim, a neuroplasticidade é a capacidade que as células do sistema nervoso, os neurônios, têm de se modular a partir das adversidades do ambiente. Isso é feito através do estabelecimento de novas sinapses, nome que se dá às comunicações entre neurônios. Quanto maior o número de sinapses, maior capacidade de comunicação entre eles e, consequentemente, um maior número de possibilidades de processamento de informações.


A plasticidade do Sistema Nervoso Central tem três estágios: “desenvolvimento”, “aprendizagem” e “após lesão neural”. O desenvolvimento consiste na formação do cérebro, que ocorre durante a gestação. Nessa etapa, surgem os primeiros neurônios, que estabelecem as primeiras sinapses. Após a formação dos órgãos, como o cérebro, eles começam a amadurecer. Depois dessa etapa, começa a aprendizagem. Quando aprendemos novas coisas, estabelecemos novas sinapses e modificamos nosso comportamento de acordo com o que foi aprendido. E, afinal, o que isso tem a ver com o Zezé?
 Toda criança está terminando a sua maturação e iniciando a aprendizagem. Isso significa que elas possuem uma capacidade incrível de estabelecer novas sinapses e aprender novas coisas... ou desenvolver novos poderes!


De acordo com a necessidade que aparece, o Zezé demonstra uma nova habilidade. Um pequeno ladrão invade a sua casa e... ele atravessa o vidro e vai tirar satisfação! O guaxinim o ataca e... ele se “emborracha” e não sofre nenhum dano! O Zezé, como qualquer criança, aprende rápido a responder aos estímulos. É por isso que os pequenos são excelentes em desenvolver novas habilidades, como a tocar instrumentos musicais e aprender novas línguas, por exemplo. Adultos também têm neuroplasticidade, mas em um nível inferior ao dos pequenos. Essa etapa inicial da vida é tão importante que a má nutrição em crianças influencia em suas neuroplasticidades para o resto de suas vidas! Todos nós já fomos um pouquinho como o Zezé quando pequenos, não?

E aí, quer saber um pouquinho mais sobre neuroplasticidade?! Confira os links a seguir:


Por: Felipe Pereira
pereira.felipe131@gmail.com

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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Museu Nacional em chamas: triste presente aos biólogos




O dia 3 de setembro é dia de comemoração da profissão do biólogo no Brasil, data em que a a lei que regulamenta a atividade dos biólogos foi sancionada, em 1979. Os biólogos são um dos principais profissionais que atuam na pesquisa no nosso país, seja nas universidades, institutos de pesquisa ou empresas. Porém, a atual situação econômica e política do país vem a cada dia trazendo consequências nefastas para o campo da ciência e isso não dá motivos para comemorar.

A fusão do ministérios da Comunicação e da Ciência, Tecnologia e Inovação levou à redução dos investimentos em ciência. E desde lá, a comunidade científica brasileira vem sofrendo com restrições financeiras em projetos e bolsas para estudantes e pesquisadores. Ainda recentemente, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), ligada ao Ministério da Educação, alertou para possível incapacidade de pagamento das bolsas dos milhares de estudantes de pós-graduação do país por possível corte no orçamento da CAPES para o ano de 2019.

Esse cenário de instabilidade e restrições deixa claro que a ciência não é vista como prioridade pelo governo federal e isso nos afeta hoje e terá consequências amanhã. Mas o mais doloroso foi o “presente” que os biólogos e toda a sociedade receberam na véspera da comemoração do dia do biólogo. O Museu Nacional do Rio de Janeiro foi destruído por um incêndio provavelmente devido a problemas na antiga e inapropriada rede elétrica do prédio.

Vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele é a mais antiga instituição de pesquisa do Brasil,  fundando em 1818. Em seus duzentos anos de história o museu reuniu importantes registros das áreas de ciências naturais e antropológicas.

Como disse alguém nas redes sociais “não perdemos só o passado, perdemos também o futuro”. Os museus guardam dados valiosos de exemplares de espécies que já foram extintas e de outras que ainda não foram identificadas até que alguém as estude com mais profundidade. Além disso, os museus reunem a própria história do ser humano em toda coleção de itens obtidos de trabalhos arqueológicos.

Apesar da importância do Museu Nacional e do alerta sobre suas condições estruturais, não foram tomadas as medidas necessárias para impedir essa situação, que foi a mesma sofrida por outras importantes instituições desse patamar, como o Museu da Língua Portuguesa em 2015. Embora sejam divulgadas as reais causas do acidente após o fim das perícias, é notório que a falta de interesse e de investimento público tenham sido os principais motivos da tragédia.

O acidente aconteceu dias após o começo das propagandas eleitorais dos candidatos aos cargos do executivo e legislativo e somente dois candidatos à presidência deixam claro no seu programa de governo um comprometimento com o funcionamento dos museus. Portanto, a um mês das eleições, talvez essa triste tragédia sirva ao menos para chamar a atenção de toda a sociedade para a importância destas intituições e cobrar dos candidatos aos cargos políticos um comprometimento com elas. Só políticas que garantam o orçamento necessário para sua manutenção vão permitir seu funcionamento adequado e impedir que o conhecimento acumulado por anos seja perdido em horas.

Neste dia, apesar da tristeza, os profissionais que se dedicam ao estudo da vida e também todos os profissionais da ciência merecem os parabéns pela força em resitir em seu trabalho apesar de todas as dificuldades. E que, como Fênix, o Museu Nacional resurja da cinzas.

Sobre o Autor: Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.
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