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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Herbário: uma coleção de conhecimentos botânicos!


O Herbário é um espaço físico destinado ao armazenamento de uma coleção botânica, que pode representar a composição da flora local, regional, nacional e até mesmo mundial. Esta coleção botânica é constituída pelas exsicatas, das quais são feitas a partir de plantas secas, fixadas em papel cartão ou cartolina e etiquetadas com as devidas informações acerca das plantas e do local onde foram colhidas.
Qualquer pessoa ou instituição pode ter seu herbário. Para isso, é necessário o conhecimento da técnica de herborização, que vai desde a coleta de material vegetal, prensagem, secagem, montagem do material até o armazenamento deste no herbário.
A coleta (Figura 1) consiste na obtenção do material vegetal, que deve apresentar, além das folhas, órgãos reprodutivos como flor e/ou fruto. Esses órgãos reprodutivos são importantes para correta identificação da planta. Nesta etapa, é importante anotar algumas informações como a data de coleta, localidade, hábito (herbácea, arbusto, árvore ou trepadeiras), vegetação predominante (como cerrado, caatinga, floresta e outros) e algumas características da planta que podem ser perdidas após a coleta, como cheiro e cor da flor, por exemplo.
A pessoa que coleta o material botânico é chamada de coletor e é através dele que a coleção do herbário aumenta. Qualquer pessoa pode ser um coletor. Nas informações enviadas para o herbário, o coletor é identificado pelo sobrenome e seu número de coleta. Este número de coleta é uma sequencia ordinal que representa cada planta coletada.

Figura 1. Coleta. A. Coleta de material botânico, com flor. B. Material botânico coletado, mostrando o ambiente. C. Informações anotadas durante a coleta.

Após a coleta, tem-se a prensagem (Figura 2), que consiste na inclusão do material coletado em jornal dobrado, de modo que as estruturas, como as folhas, as flores e/ou os frutos sejam bem evidenciados. As folhas devem ficar arrumadas de forma que apareçam as duas faces, por isso é importante virar algumas folhas para expor o lado inferior. Geralmente, coloca-se o jornal com o material vegetal entre dois papelões e, posteriormente, em uma prensa de madeira. Caso não tenha este material, colocar a amostra vegetal dentro de um livro, ou mesmo em uma folha dobrada, desde que coloque um peso em cima. Esta etapa é importante, uma vez que é responsável pela moldura do material.

Figura 2. Prensagem. A. Inclusão do material coletado na folha de jornal. B. Material coletado entre a prensa de madeira. C. Material pronto para ser levado à estufa.

Com material prensado, é importante colocá-lo em uma fonte de calor. Nesta etapa, temos a secagem (Figura 3), que pode ser feita de forma natural, expondo ao sol, ou de forma artificial, colocando em uma estufa. E serve para retirar todo conteúdo hídrico da planta e evitar possíveis danos, ocasionados especialmente por fungos e insetos. Terminada a secagem, tem-se a montagem do material.

Figura 3. Secagem. A. Material sendo levado à estufa. B. Estufa com várias prensas contendo material botânico.

A montagem do material consiste na confecção de exsicatas, cujos materiais necessários são (Figura 4): 
• Planta seca;
• Cartolina, de preferência na cor branca (45x27,5 cm);
• Cola;
• Linha e agulha;
• Etiqueta;
• Lápis;
• Folha de papel pardo (45x55 cm).

Figura 4. Materiais utilizados para a confecção de exsicata.

A confecção da exsicata dá-se nos seguintes passos (Figura 5):
Em uma folha de cartolina, colocar a planta seca na melhor disposição, de forma que nenhuma de sua estrutura fique fora da cartolina.
Utilizar linha e agulha de costura para fixar a planta seca na cartolina. Não utilizar cola na planta, pois propicia o aparecimento de fungos que futuramente danifica o material vegetal.
No canto inferior direito, colar a etiqueta. Na etiqueta, tem que haver informações como data e local de coleta, nome e número de coletor, nome científico (Família e espécie) e popular da planta, hábito da planta e vegetação predominante e outras observações feitas durante a coleta.
Após, fazer uma capa com a folha de papel pardo para proteger a exsicata.
Outra etapa importante é a identificação da planta coletada, que pode ser feita por comparação com outras exsicatas, com livros destinados a este fim ou por especialistas da área.

Figura 5. Passo a passo da montagem da exsicata. A. Melhor disposição para fixar a planta seca. B - C. Fixando o material na cartolina com auxílio de agulha e linha. D - E. Colando a etiqueta do canto inferior direito da cartolina. F. Colocando a exsicata pronta em uma capa de papel pardo.

Com a exsicata pronta, é necessário o armazenamento desta no acervo do herbário, que, geralmente está organizado por ordem alfabética de Família, gênero e espécie (Figura 6).

Figura 6. Armazenamento da exsicata no acervo do herbário. A. Exsicata guardada em prateleiras horizontais e armário de ferro. B. Acervo do herbário, organizado por ordem alfabética de família, gênero e espécie.

Alguns cuidados são necessários para a perfeita conservação das exsicatas, uma vez que estão propícias ao ataque de insetos e fungos. Entre os cuidados têm-se o uso de naftalina e manutenção de baixa temperatura no ambiente, por exemplo. Se corretamente conservadas, uma exsicata pode durar centenas de anos.
Cada herbário recebe um nome e uma sigla. E, para ser reconhecido mundialmente, o responsável pelo herbário deve registrá-lo. Existem mais de 3.000 herbários no mundo. Sendo os maiores, o de Paris (Muséum National d’Histoire Naturelle - Herbário P), Nova York (New York Botanical Garden – herbário NY) e  Londres (Royal Botanic Gardens Kew - Herbário K), com 9.500.000, 7.800.000 e 7.100.000 exsicatas, respectivamente. No Brasil, os maiores estão no Rio de Janeiro/RJ, como o do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) e o Museu Nacional do Rio de Janeiro (R) e em Curitiba/PR, como o Museu Botânico Municipal (MBM), com 650.000, 550.000 e 450.000 exsicatas, respectivamente.
O herbário é muito importante, porque além de nos fornecer informações da flora em geral, ele abriga amostra da nossa biodiversidade vegetal, inclusive de plantas que já foram extintas. Além disso, fornece a base para trabalhos científicos e serve como centro de ensino e treinamento em botânica e conservação da natureza.
No entanto, o herbário não é somente utilizado pelos cientistas. Ele pode ser utilizado e criado nas escolas para fins didáticos, a fim de promover a popularização e a democratização do saber científico, aprimorando o ensino de Ciências e Biologia. 
É sabido que os alunos de ensino básico têm dificuldade com o vocabulário na Biologia, especialmente na área de Botânica. O acesso ao herbário possibilita ao aluno, o conhecimento da flora do seu bairro ou do entorno da sua escola, por exemplo, e o desenvolvimento de importantes conceitos biológicos através da manipulação de plantas e suas estruturas de forma a tornar a aprendizagem mais divertida, interessante e instigante.

Referências:
BRAZ, N.C.S.; LEMOS, J.R. 2014. “Herbário escolar” como instrumento didático na aprendizagem sobre plantas em uma escola de Ensino Médio da cidade de Parnaíba, Piauí. Revista Didática Sistêmica, v.16, n.2 (2014) p.3-14.
NYBG - INDEX HERBARIORUM. Disponível em:< http://sweetgum.nybg.org/science/ih/>. Acesso em: 18 de julho de 2018.
ROTTA, E.; BELTRAMI, L.C.C.; ZONTA, M. 2008. Manual de prática de coleta e herborização de material botânico. Dados eletrônicos. - Colombo: Embrapa Florestas, PR.
WAGGERS, I.; STANGE, C.E.B. 2008. Manual de instruções para coleta, identificação e herborização de material botânico. Programa de Desenvolvimento Educacional – SEED, UNICENTRO, Laranjeiras do Sul, PR.
ESCOLA DE CIÊNCIAS DA VIDA/PUCPR. Disponível em: <https://www.pucpr.br/escola-de-ciencias-da-vida/infraestrutura/herbario/>. Acesso em: 19 de julho de 2018.


Por: Katiane Reis Mendes
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