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terça-feira, 21 de agosto de 2018

“Eu bebo sim/Eu estou vivendo/Tem gente que não bebe e está morrendo”: por que bebemos?



Os seres humanos possuem necessidade de socializar e é comum que as pessoas escolham um bar ou qualquer ambiente onde a socialização seja regada a álcool. Além de remover as inibições sociais, o álcool também oferece sensação de prazer.

De acordo com um artigo de autoria do psicólogo evolucionista da Universidade de Oxford (Inglaterra) Robin Dunbar, que se baseou em vários estudos, o consumo de álcool por humanos ajuda no comportamento de socialização. Este comportamento social, por sua vez, foi vantajoso para o nosso sucesso evolutivo, uma vez que as amizades nos protegem de ameaças externas e conflitos internos. O número de amigos influencia nossa felicidade, saúde, suscetibilidade à doenças e até na recuperação de cirurgias. Um estudo mostrou que o número e a qualidade das amizades foi a variável que mais afetou a sobrevivência de pessoas que sofreram um primeiro ataque cardíaco.

Ainda segundo Dunbar, em outro estudo, foi verificado que pessoas que frequentavam regularmente um mesmo bar tinham mais amigos íntimos e se sentiam mais felizes, confiantes e integradas que pessoas que frequentavam bares de maneira aleatória. Por sua vez, em uma análise focada em alimentação social, verificou-se que alimentar-se com os outros afetava da mesma maneira estes resultados e que o consumo de álcool era uma das três coisas apontadas pelas pessoas como o que faziam durante a alimentação social.

De acordo com Dunbar, em humanos e outros primatas, o álcool desencadeia um mecanismo cerebral que está relacionado com a construção e manutenção de amizades: a produção de endorfinas. As endorfirnas são um tipo de neurotransmissores, que promovem sensações de bem estar, além de melhorarem o nosso sistema imunológico e a memória.

Mas isso não significa que os quanto mais se bebe, mais amigos e felicidade a pessoa terá. Pelo contrário, o excesso no consumo de álcool pode trazer prejuízos à saúde e afetar o convívio social. Dunbar relatou que em um estudo publicado no British Medical Journal revela que pessoas que não consumiram ou consumiram álcool de maneira excessiva ao longo de décadas tinham chances 50% maiores de desenvolver demência que aqueles que consumiram álcool de maneira moderada no mesmo período.

Assim, ao que parece, uma dose equilibrada de álcool na companhia de amigos parece ser o segredo para uma vida longa.

Por: Adauto Cardoso
adautolimacardoso@gmail.com
Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.


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