Aba


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Luzes de Java

Imagem: Visão noturna da ilha de Java, na Indonésia, a partir da Estação Espacial Internacional. Retirado de https://www.nasa.gov/image-feature/lights-of-java-0.
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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Cerrado: é preciso conhecer para conservar e restaurar!


Imagine uma paisagem com arbustos, árvores com troncos tortuosos distribuídos de forma espalhada em um solo arenoso de onde brotam espécies herbáceas. Nessa mesma paisagem, você poderá perceber o quanto os caules podem ter cascas grossas e ser resistentes ao fogo ocasional da estação seca...mas anime-se porque há água disponível e provavelmente uma cachoeira nas proximidades! Essa poderia ser a descrição de uma das fisionomias de Cerrado, bioma que ocupa mais de 20% do território brasileiro.

Durante o ensino de conceitos relacionados aos domínios fitogeográficos e biomas brasileiros, muitas vezes os professores não podem realizar práticas em Unidades de Conservação ou parques zoobotânicos, que frequentemente ficam distantes dos grandes centros urbanos. Dentre as formas utilizadas para minimizar essa distância e despertar o interesse dos alunos pela conservação da biodiversidade, temos o estímulo a experiências sensoriais. Imagine se o aluno descobrir na escola que a sobremesa favorita é feita de um fruto que ocorre no Cerrado? Ou se ele é informado que uma planta do Cerrado é fonte de princípio ativo para um medicamento muito utilizado? Sim, domínios fitogeográficos e biomas brasileiros são importantes fontes de serviços ecossistêmicos (que podem ser de suporte vital, provisão, regulação e cultural). Essa descoberta pode ocorrer de forma simples, como durante a apresentação de documentários, exposições fotográficas ou mesmo durante a degustação de alimentos regionais em exposições culinárias. Os educadores devem saber que o desejo de conservar é precedido pelo conhecimento e valorização da biodiversidade.

Paisagem do cerrado no Parque Nacional da Chapada das Mesas, Carolina, Maranhão. Fonte: Raysa V.C. Saraiva

Ao tratarmos do Cerrado torna-se ainda mais importante destacarmos a heterogeneidade, beleza cênica e importância para comunidades tradicionais, pois durante muito tempo (e por falta de conhecimento) este bioma foi considerado visualmente pouco atrativo e biodiverso, a ponto do Cerrado ter sido apontado como nova fronteira agrícola e direcionado para o desenvolvimento da agropecuária. Como resultados dessa negligência histórica temos que o Cerrado não tem nem 3% de todo o percentual protegido em Unidades de Conservação de Proteção Integral e o desmatamento do bioma é três vezes maior que na Amazônia.

Quando o aluno toma conhecimento das ameaças à biodiversidade do Cerrado (o avanço do agronegócio; estabelecimento de pastagens e implantação de florestas para produção de carvão e celulose) e das consequências dessas ameaças (fragmentação dos habitats, perda da biodiversidade, erosão dos solos, poluição dos rios e mudanças climáticas em escala regional) é provável que a importância dos conceitos de Conservação e Restauração Ecológica fiquem evidentes, assim como a relevância de profissionais que atuam na pesquisa e na prática desses temas.

Adicionalmente, a temática sobre Conservação e Restauração Ecológica permite o debate sobre conceitos referentes a legislação ambiental e o papel do Código Florestal Brasileiro, atualmente regulado pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Segundo as diretrizes do Código Florestal, há obrigação de proteção por reservas legais para apenas 20% das áreas de Cerrado fora da Amazônia Legal e 35% para áreas inseridas na Amazônia Legal. Esforços para restauração ambiental são indispensáveis sob o ponto de vista legal, que aponta a necessidade de restauração de 5 milhões de hectares de Cerrado, que equivale a 2,5% do bioma. Debates e práticas sobre métodos de restauração podem ser promovidos em classe. Listamos abaixo os principais métodos de restauração:

a) Restauração com produtividade Sistema Agroflorestal (SAF): Nas agroflorestas temos consórcios de espécies arbóreas com culturas agrícolas. Na prática, os alunos podem observar e examinar exemplares de sementes e estruturas vegetais que permitem o reconhecimento de árvores nativas.
b) Regeneração Natural: estratégia que deve ser adotada quando a área foi submetida a baixo impacto e há árvores e arbustos em regeneração com densidade e diversidade suficientes. Na prática, os alunos podem tomar conhecimento sobre adaptações de espécies vegetais típicas do Cerrado, tais como presença de raízes, xilopódios e caules subterrâneos com possibilidade de rebrota.
c) Enriquecimento e Plantio convencional: Os métodos silviculturais tradicionais são recomendadas para áreas de Cerrado onde o solo tenha sido revolvido muitas vezes e alterado quimicamente por corretivos e fertilizantes. Na prática, os alunos podem aprender sobre o plantio de mudas de espécies nativas (preparo do solo, espaçamento, coveamento e fertilização).

Por fim, incentivamos que a temática seja abordada com mais frequência nas salas de aula e que os alunos tomem conhecimento que conservar mais é barato que restaurar!


Raysa Valéria Carvalho Saraiva
raysaval1@gmail.com
Raysa é Bióloga pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Mestra em Biodiversidade e Conservação (UFMA), Doutoranda em Agroecologia pela Universidade Estadual do Maranhão e Professora do curso de Licenciatura em Ciências Naturais de UFMA, Campus Pinheiro.


Referências:
CAVALCANTI, R.B.; JOLY, C.A. Biodiversity and conservation priorities in the Cerrado region. In: OLIVEIRA, P.S.; MARQUIS, R.J. The cerrados of Brazil: ecology and natural history of a neotropical Savanna, New York: Columbia University Press, 2002. 398 p.
DURIGAN, G.; MELO, A.C.G.; MAX, J.C.M.; BÔAS, O.V.; CONTIERI, W.A. 2003. Manual para recuperação da vegetação do Cerrado. São Paulo: Instituto Florestal, Japan International Cooperation Agency.19 p.
EMBRAPA. 2004. Produtos, processos e serviçoes: sistemas agroflorestais (SAFs). Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-produtos-processos-e-servicos/-/produto-servico/112/sistemas-agroflorestais-safs . Acesso em: 22/10/2016.
KLINK, C.A.; MACHADO, R. B. Conservation of the brazilian Cerrado. Conservation Biology, n. 10, p.707-713, 2005.
MEIRELLES, E. M. Os impactos do novo Código Florestal no bioma Cerrado. Ecodata Informa. 2012. Disponível em: https://ecodatainforma.wordpress.com/2012/04/11/os-impactos-do-novo-codigo-florestal-no-bioma-cerrado/ Acesso em: 22/10/2016.

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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Uma nova rede de energia verde: baterias superpoderosas



Baterias de íons de lítio fornecem a energia necessária para muitas coisas, desde nossos celulares até mesmo nossos carros. Apesar disso, elas são altamente danosas para o meio ambiente, produzindo vários tipos de gases tóxicos, inclusive o perigosíssimo monóxido de carbono. Desde sua invenção, vários possíveis tipos já foram indicados como substitutos, porém, ou eles são inviáveis por falta de tecnologia (como baterias de hidrogênio), ou são muito pesados (como baterias de chumbo) ou muito caras (como de nanotubos de ouro). Entretanto, na última semana foi descrita um tipo de bateria (de lítio e oxigênio) que é muito promissora, podendo, em teoria, armazenar 10 vezes mais energia. Contudo, isso tem seu preço: essas baterias desmancham com apenas alguns ciclos de recarga.

Pesquisadores descobriram que usando as novas baterias em altas temperaturas, e com algumas outras modificações, podem durar até 150 ciclos de recarga. Pela temperatura ser alta, não seria possível colocá-la em equipamentos como celulares. Apesar disso, ela seria perfeita para servir como armazenamento principal de uma possível rede verde, armazenando energia eólica e solar em excesso e distribuindo-as quando necessário.

Assim como as baterias de íons de lítio, as baterias de lítio e oxigênio consistem de dois eletrodos separados por um eletrólito líquido em que os íons de lítio fluem durante a carga e a descarga. Quando esse fluxo reage com o oxigênio do ar, eles formam o peróxido de lítio (Li2O2), um composto que degrada o eletrólito com o passar do tempo. Para aumentar o rendimento da bateria, outros estudos já testaram um outro tipo de eletrólito que suportasse o Li2O2, entretanto essa ideia logo foi descartada pois a parte positiva da bateria (o cátodo, de onde partem os elétrons) é feita de carbono e não suportava o peróxido de lítio.

Funcionamento básico de uma bateria de íons de lítio, onde o fluxo de elétrons fornece energia elétrica para determinado utensílio. 

Os pesquisadores do novo estudo decidiram trocar o cátodo de carbono por um de níquel e aumentaram a temperatura operacional da bateria até 150°C. Essa combinação levava à produção de Li2O, um composto estável que não destrói os eletrólitos. A bateria praticamente não sofre nenhuma degradação até chegar em 150 ciclos, porém, o mais importante agora é testar essa nova bateria em muitos mais ciclos para ter certeza que nenhum outro tipo de degradação ocorra. Caso tudo dê certo e essa ideia realmente vá pra frente, uma nova era de baterias mais ecológicas começará.

Artigo original do estudo (em inglês): 
http://science.sciencemag.org/cgi/doi/10.1126/science.aas9343

Fonte principal para elaboração da matéria (em inglês): http://www.sciencemag.org/news/2018/08/powerful-new-battery-could-help-usher-green-power-grid

Quer saber mais?
http://www.mundodigital.net.br/index.php/produtos/portateis/7430-o-perigo-silencioso-das-baterias-de-ions-de-litio
http://www.sta-eletronica.com.br/artigos/tipos-de-baterias
https://manualdaquimica.uol.com.br/fisico-quimica/baterias.htm






Por: Lucas Farinazzo Marques
kim_farinazzo@hotmail.com
Sobre o autor: Biólogo pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e atualmente trabalha com Bioinformática.

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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Como é belo ser cientista

No começo deste ano, a revista Nature lançou o concurso fotográfico #ScientistAtWork, no qual cientistas do mundo inteiro puderam compartilhar imagens de seus locais de trabalho. E as fotos não retrataram pesquisadores em laboratórios comuns e sem graça: as imagens mostravam verdadeiros exploradores da natureza em locais incríveis. Confira alguns dos vencedores abaixo:

Imagem: O microbiologista Hugo Moors e a  geóloga Mieke De Craen coletando amostras no deserto de sal do Norte da Etiópia, um dos ambientes mais extremos do planeta.

Imagem: O geodesista chinês Li Hang Li captura um panorama do céu noturno na estação Zhongshan na Antártica. 

Imagem: A bióloga Callie Veelenturf mede as propriedades químicas de um ninho de tartaruga de couro na Guiné Equatorial. 

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terça-feira, 21 de agosto de 2018

“Eu bebo sim/Eu estou vivendo/Tem gente que não bebe e está morrendo”: por que bebemos?



Os seres humanos possuem necessidade de socializar e é comum que as pessoas escolham um bar ou qualquer ambiente onde a socialização seja regada a álcool. Além de remover as inibições sociais, o álcool também oferece sensação de prazer.

De acordo com um artigo de autoria do psicólogo evolucionista da Universidade de Oxford (Inglaterra) Robin Dunbar, que se baseou em vários estudos, o consumo de álcool por humanos ajuda no comportamento de socialização. Este comportamento social, por sua vez, foi vantajoso para o nosso sucesso evolutivo, uma vez que as amizades nos protegem de ameaças externas e conflitos internos. O número de amigos influencia nossa felicidade, saúde, suscetibilidade à doenças e até na recuperação de cirurgias. Um estudo mostrou que o número e a qualidade das amizades foi a variável que mais afetou a sobrevivência de pessoas que sofreram um primeiro ataque cardíaco.

Ainda segundo Dunbar, em outro estudo, foi verificado que pessoas que frequentavam regularmente um mesmo bar tinham mais amigos íntimos e se sentiam mais felizes, confiantes e integradas que pessoas que frequentavam bares de maneira aleatória. Por sua vez, em uma análise focada em alimentação social, verificou-se que alimentar-se com os outros afetava da mesma maneira estes resultados e que o consumo de álcool era uma das três coisas apontadas pelas pessoas como o que faziam durante a alimentação social.

De acordo com Dunbar, em humanos e outros primatas, o álcool desencadeia um mecanismo cerebral que está relacionado com a construção e manutenção de amizades: a produção de endorfinas. As endorfirnas são um tipo de neurotransmissores, que promovem sensações de bem estar, além de melhorarem o nosso sistema imunológico e a memória.

Mas isso não significa que os quanto mais se bebe, mais amigos e felicidade a pessoa terá. Pelo contrário, o excesso no consumo de álcool pode trazer prejuízos à saúde e afetar o convívio social. Dunbar relatou que em um estudo publicado no British Medical Journal revela que pessoas que não consumiram ou consumiram álcool de maneira excessiva ao longo de décadas tinham chances 50% maiores de desenvolver demência que aqueles que consumiram álcool de maneira moderada no mesmo período.

Assim, ao que parece, uma dose equilibrada de álcool na companhia de amigos parece ser o segredo para uma vida longa.

Por: Adauto Cardoso
adautolimacardoso@gmail.com
Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.


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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Como ganhar £15000 com sua pesquisa: concurso fotográfico do Wellcome trust

Estão abertas as inscrições para o Prêmio de Fotografias do Wellcome Trust, um dos maiores órgãos de fomento à pesquisa do mundo. Tendo como tema as ciências médicas e da saúde, os concorrentes poderão participar em quatro categorias: perspectivas sociais, mundos escondidos, medicina em foco e epidemias. 

As inscrições, que vão até 17 de dezembro de 2018, são gratuitas e abertas a pessoas do mundo inteiro. O vencedor de cada categoria receberá um prêmio de £1250 libras, enquanto o vencedor geral ganhará uma gratificação de £15000. Além disso, as fotos serão exibidas em uma exposição em Londres e receberão cobertura da mídia internacional.

Abaixo, estão algumas imagens que o Wellcome Trust disponibilizou como inspiração. Inspire-se! Quem sabe o próximo vencedor seja brasileiro?

Imagem: Raio-X de morcego, que pode ser um transmissor de doenças como a raiva. Imagem por Chris Thorn, vencedor em 2014.

Imagem: Bebê prematuro e com icterícia em incubadora. Imagem por David Bishop, vencedor em 2016.


Imagem: Microscopia eletrônica de embrião de zebrafish. Imagem por Annie Cavanagh e David McCarthy, vencedores em 2014.

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terça-feira, 14 de agosto de 2018

“Gene da linguagem" não foi o diferencial para a evolução da espécie humana




Uma verdade provisória, esse é o lema da Ciência em relação às suas descobertas e conhecimentos. Nada melhor para exemplificar esse lema do que o estudo publicado em agosto de 2018 pela pesquisadora Elizabeth Atkinson, de Massachusetts (EUA). Nele, a pesquisadora e seus colaboradores trouxeram evidências de que o gene FOXP2, conhecido como “gene da linguagem”, não foi o principal responsável pelas distintas características de linguagem na espécie humana. Dessa forma, os resultados de Elizabeth revogam os a publicação de 2002 e trazem uma nova perspectiva evolutiva para a linguagem.

Até então, o que se sabia sobre os fatores genéticos que influenciam a linguagem era que diversos outros genes, atuantes no desenvolvimento cerebral, eram regulados pelo gene FOXP2 que, por sua vez, é um fator de transcrição. Esse gene está presente no DNA de muitos grupos animais, incluindo pássaros, camundongos e macacos, e apresenta algumas diferenças entre as suas sequências de DNA em cada grupo. Nessas espécies, ele também atua na aprendizagem de sons e vocalização. Alterações na expressão desse gene em humanos pode levar a sérios problemas, como a apraxia da fala.

Entretanto, o estudo de 2002 havia mostrado que a sequência de DNA do FOXP2 continha mutações específicas à espécie Homo sapiens, presentes no éxon 7 do gene e compartilhadas por todos os indivíduos analisados (total de 20 indivíduos). As mutações não apareciam em nenhum outro grupo e datavam de 200.000 anos atrás, época na qual existiam espécies de hominídeos ancestrais que, por sua vez, compartiham ancestralidade com o Homo sapiens. Assim, autores sugeriram que essas pequenas modificações foram positivamente selecionadas por mecanismos de seleção natural direcional. e se tornaram o principal fator genético responsável pelo alto desenvolvimento da linguagem humana. No entanto, apenas algumas regiões do gene foram analisadas e o conjunto de indivíduos utilizado para esta pesquisa era muito pequeno.

O gráfico ilustra como se comportam as características de uma população antes e depois do fenômeno de seleção direcional. O eixo Y representa o número de indivíduos da população e o eixo X representa as variações de uma característica qualquer como, por exemplo, a habilidade de vocalizar.

Com o intuito de confirmar ou revogar os estudos de 2002, Elizabeth e colaboradores aumentaram, consideravelmente, o número de indivíduos analisados e, também, passaram a analisar a sequência completa do gene FOXP2, bem como todo o contexto do DNA dos indivíduos. E isso é o que de mais brilhante a Ciência tem, o estudo de 2018 derrubou as teorias do estudo de 2002 e provou (em sua nova verdade provisória, agora com mais evidências para suporte do que a anterior) que o gene FOXP2, apesar de sua sequência ter evoluído recentemente na espécie humana, não está mais sobre o efeito de seleção natural direcional nas populações atuais. Além de revogar os achados anteriores, o atual estudo demonstrou a importância de uma grande amostragem de indivíduos das diferentes populações para que se possam caracterizar tais variações populacionais, bem como a observação de todo o contexto de um gene e não regiões específicas. Abaixo uma figura que resume os achados do novo estudo:

Imagem do artigo original que resume os resultados do novo estudo. No primeiro quadro (acima) os autores questionam se a variação no exon 7 do gene FOXP2 (encontrada em 2002) é realmente específica de humanos. No quadro do meio, os autores mostram que o gráfico das formas do gene FOXP2 na população não se parece com um gráfico de seleção natural direcional na atualidade. No útimo quadro (abaixo) os autores mostram que, ao contrário do estudo de 2002, uma região do gene FOXP2 que não codifica proteínas é que possui mutações específicas da espécie humana e que varia em diferentes populações.


Quer saber mais sobre?
-Em português:
https://emsinapse.wordpress.com/2018/08/07/estudo-generico-nos-oferece-melhores-indicios-de-como-a-linguagem-evoluiu/

-Em inglês:
https://www.cell.com/cell/fulltext/S0092-8674(18)30851-1#%20 (artigo científico original 2018)
https://www.nature.com/articles/nature01025 (artigo científico original 2002)
https://www.the-scientist.com/news-opinion/language-gene-dethroned-64608
https://www.sciencenews.org/article/language-gene-foxp2-no-humans-evolution-boost
Imagens originais obtidas de:
https://www.cell.com/cell/fulltext/S0092-8674(18)30851-1#%20
http://entendendoovelhodarwin.blogspot.com/2010/09/selecao-direcional.html


Por: Érica Ramos
erica.ramos00@gmail.com
Sobre a autora: Bióloga e Mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP, apaixonada pelo tema Educação e, também, editora desta página de Divulgação Científica. No momento atua como aluna de doutorado na UNESP, na área de Genética.





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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Esses pequenos e esticáveis alto-falantes e microfones permitem que sua pele toque música



Se você está com vontade de esquecer seus fones-de-ouvido, uma nova tecnologia vestível que pode transformar sua pele em um alto-falante vai soar como música para o seus ouvidos. Criado em parte para ajudar pessoas com problemas de fala e auditivos, essa nova “pele inteligente” pode ser embutida nos ouvidos ou em uma parte da garganta. Um dispositivo similar, descrito no mesmo estudo, funciona como um microfone que pode ser conectado a smartphones e computadores para desbloquear sistemas de segurança ativados por voz.

Para construir os alto-falantes e o microfone, que são mais finos que uma tatuagem temporária, os pesquisadores desenvolveram eletrônicos flexíveis o suficiente para esticar e dobrar com a pele, sem perder sua capacidade de conduzir eletricidade e calor (ambos necessários para transmitir sinais sonoros).

Após testar diferentes materiais, os cientistas escolheram uma rede de pequenos fios prateados revestidos com camadas de polímeros, que são elásticos, transparentes e capazes de transmitir sinais sonoros.

Após receber um sinal elétrico de áudio de um tocador de música, o diminuto alto-falante aquece a rede de fios até 33ºC, o qual replica o padrão de som ao alterar a pressão do ar ao redor. Nossos ouvidos captam essas mudanças na pressão do ar como ondas sonoras. O microfone opera de forma inversa, ao converter ondas sonoras em sinais elétricos, que podem ser armazenados e reproduzidos por um smartphone ou computador. Ele pode detectar ondas sonoras vindas da boca, além de reconhecer palavras apenas com a vibração das cordas vocais através da pele. Isso tudo mostrado no vídeo abaixo:



O próximo passo, de acordo com os cientistas, é melhorar a qualidade do som e o volume dos alto-falantes, assim como a acurácia do microfone em detectar a fala e distinguir entre diferentes vozes. Eles também querem utilizar melhores materiais para fabricação em massa. Até os alto-falantes dérmicos entrarem no mercado, não se esqueça de levar seus fones-de-ouvido quando sairem de casa.

Quer saber mais?

Em inglês: 

Traduzido e adaptado por Lucas Farinazzo

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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Um tour pelos melhores museus do mundo, de graça e sem sair de casa

Com toda a tecnologia que temos hoje em dia, podemos ser exploradores e viajantes sem sair do sofá. Você sabia, por exemplo, que é possível fazer um tour por vários museus ao redor do mundo usando apenas o Google Street View? Selecionamos três museus de Ciência para você passear hoje. Aproveite a visita!

National museum of Nature and Science, Tóquio, Japão



Museum of Natural Sciences - Bruxelas, Bélgica


Smithsonian National Air and Space Museum - Washington DC, EUA

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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Estudo genético revela a história das frutas cítricas


Muito se sabe sobre as frutas cítricas, seus valores nutricionais e econômicos, sua distribuição pelo globo entre outras coisas. Porém, muito recentemente, um estudo foi divulgado revelando a história desses maravilhosos alimentos que tanto fazem parte da nossa gastronomia e, para detalhar isso, o Slow do Canal do Slow explicou muito bem sobre isso:
 
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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Herbário: uma coleção de conhecimentos botânicos!


O Herbário é um espaço físico destinado ao armazenamento de uma coleção botânica, que pode representar a composição da flora local, regional, nacional e até mesmo mundial. Esta coleção botânica é constituída pelas exsicatas, das quais são feitas a partir de plantas secas, fixadas em papel cartão ou cartolina e etiquetadas com as devidas informações acerca das plantas e do local onde foram colhidas.
Qualquer pessoa ou instituição pode ter seu herbário. Para isso, é necessário o conhecimento da técnica de herborização, que vai desde a coleta de material vegetal, prensagem, secagem, montagem do material até o armazenamento deste no herbário.
A coleta (Figura 1) consiste na obtenção do material vegetal, que deve apresentar, além das folhas, órgãos reprodutivos como flor e/ou fruto. Esses órgãos reprodutivos são importantes para correta identificação da planta. Nesta etapa, é importante anotar algumas informações como a data de coleta, localidade, hábito (herbácea, arbusto, árvore ou trepadeiras), vegetação predominante (como cerrado, caatinga, floresta e outros) e algumas características da planta que podem ser perdidas após a coleta, como cheiro e cor da flor, por exemplo.
A pessoa que coleta o material botânico é chamada de coletor e é através dele que a coleção do herbário aumenta. Qualquer pessoa pode ser um coletor. Nas informações enviadas para o herbário, o coletor é identificado pelo sobrenome e seu número de coleta. Este número de coleta é uma sequencia ordinal que representa cada planta coletada.

Figura 1. Coleta. A. Coleta de material botânico, com flor. B. Material botânico coletado, mostrando o ambiente. C. Informações anotadas durante a coleta.

Após a coleta, tem-se a prensagem (Figura 2), que consiste na inclusão do material coletado em jornal dobrado, de modo que as estruturas, como as folhas, as flores e/ou os frutos sejam bem evidenciados. As folhas devem ficar arrumadas de forma que apareçam as duas faces, por isso é importante virar algumas folhas para expor o lado inferior. Geralmente, coloca-se o jornal com o material vegetal entre dois papelões e, posteriormente, em uma prensa de madeira. Caso não tenha este material, colocar a amostra vegetal dentro de um livro, ou mesmo em uma folha dobrada, desde que coloque um peso em cima. Esta etapa é importante, uma vez que é responsável pela moldura do material.

Figura 2. Prensagem. A. Inclusão do material coletado na folha de jornal. B. Material coletado entre a prensa de madeira. C. Material pronto para ser levado à estufa.

Com material prensado, é importante colocá-lo em uma fonte de calor. Nesta etapa, temos a secagem (Figura 3), que pode ser feita de forma natural, expondo ao sol, ou de forma artificial, colocando em uma estufa. E serve para retirar todo conteúdo hídrico da planta e evitar possíveis danos, ocasionados especialmente por fungos e insetos. Terminada a secagem, tem-se a montagem do material.

Figura 3. Secagem. A. Material sendo levado à estufa. B. Estufa com várias prensas contendo material botânico.

A montagem do material consiste na confecção de exsicatas, cujos materiais necessários são (Figura 4): 
• Planta seca;
• Cartolina, de preferência na cor branca (45x27,5 cm);
• Cola;
• Linha e agulha;
• Etiqueta;
• Lápis;
• Folha de papel pardo (45x55 cm).

Figura 4. Materiais utilizados para a confecção de exsicata.

A confecção da exsicata dá-se nos seguintes passos (Figura 5):
Em uma folha de cartolina, colocar a planta seca na melhor disposição, de forma que nenhuma de sua estrutura fique fora da cartolina.
Utilizar linha e agulha de costura para fixar a planta seca na cartolina. Não utilizar cola na planta, pois propicia o aparecimento de fungos que futuramente danifica o material vegetal.
No canto inferior direito, colar a etiqueta. Na etiqueta, tem que haver informações como data e local de coleta, nome e número de coletor, nome científico (Família e espécie) e popular da planta, hábito da planta e vegetação predominante e outras observações feitas durante a coleta.
Após, fazer uma capa com a folha de papel pardo para proteger a exsicata.
Outra etapa importante é a identificação da planta coletada, que pode ser feita por comparação com outras exsicatas, com livros destinados a este fim ou por especialistas da área.

Figura 5. Passo a passo da montagem da exsicata. A. Melhor disposição para fixar a planta seca. B - C. Fixando o material na cartolina com auxílio de agulha e linha. D - E. Colando a etiqueta do canto inferior direito da cartolina. F. Colocando a exsicata pronta em uma capa de papel pardo.

Com a exsicata pronta, é necessário o armazenamento desta no acervo do herbário, que, geralmente está organizado por ordem alfabética de Família, gênero e espécie (Figura 6).

Figura 6. Armazenamento da exsicata no acervo do herbário. A. Exsicata guardada em prateleiras horizontais e armário de ferro. B. Acervo do herbário, organizado por ordem alfabética de família, gênero e espécie.

Alguns cuidados são necessários para a perfeita conservação das exsicatas, uma vez que estão propícias ao ataque de insetos e fungos. Entre os cuidados têm-se o uso de naftalina e manutenção de baixa temperatura no ambiente, por exemplo. Se corretamente conservadas, uma exsicata pode durar centenas de anos.
Cada herbário recebe um nome e uma sigla. E, para ser reconhecido mundialmente, o responsável pelo herbário deve registrá-lo. Existem mais de 3.000 herbários no mundo. Sendo os maiores, o de Paris (Muséum National d’Histoire Naturelle - Herbário P), Nova York (New York Botanical Garden – herbário NY) e  Londres (Royal Botanic Gardens Kew - Herbário K), com 9.500.000, 7.800.000 e 7.100.000 exsicatas, respectivamente. No Brasil, os maiores estão no Rio de Janeiro/RJ, como o do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) e o Museu Nacional do Rio de Janeiro (R) e em Curitiba/PR, como o Museu Botânico Municipal (MBM), com 650.000, 550.000 e 450.000 exsicatas, respectivamente.
O herbário é muito importante, porque além de nos fornecer informações da flora em geral, ele abriga amostra da nossa biodiversidade vegetal, inclusive de plantas que já foram extintas. Além disso, fornece a base para trabalhos científicos e serve como centro de ensino e treinamento em botânica e conservação da natureza.
No entanto, o herbário não é somente utilizado pelos cientistas. Ele pode ser utilizado e criado nas escolas para fins didáticos, a fim de promover a popularização e a democratização do saber científico, aprimorando o ensino de Ciências e Biologia. 
É sabido que os alunos de ensino básico têm dificuldade com o vocabulário na Biologia, especialmente na área de Botânica. O acesso ao herbário possibilita ao aluno, o conhecimento da flora do seu bairro ou do entorno da sua escola, por exemplo, e o desenvolvimento de importantes conceitos biológicos através da manipulação de plantas e suas estruturas de forma a tornar a aprendizagem mais divertida, interessante e instigante.

Referências:
BRAZ, N.C.S.; LEMOS, J.R. 2014. “Herbário escolar” como instrumento didático na aprendizagem sobre plantas em uma escola de Ensino Médio da cidade de Parnaíba, Piauí. Revista Didática Sistêmica, v.16, n.2 (2014) p.3-14.
NYBG - INDEX HERBARIORUM. Disponível em:< http://sweetgum.nybg.org/science/ih/>. Acesso em: 18 de julho de 2018.
ROTTA, E.; BELTRAMI, L.C.C.; ZONTA, M. 2008. Manual de prática de coleta e herborização de material botânico. Dados eletrônicos. - Colombo: Embrapa Florestas, PR.
WAGGERS, I.; STANGE, C.E.B. 2008. Manual de instruções para coleta, identificação e herborização de material botânico. Programa de Desenvolvimento Educacional – SEED, UNICENTRO, Laranjeiras do Sul, PR.
ESCOLA DE CIÊNCIAS DA VIDA/PUCPR. Disponível em: <https://www.pucpr.br/escola-de-ciencias-da-vida/infraestrutura/herbario/>. Acesso em: 19 de julho de 2018.


Por: Katiane Reis Mendes
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