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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Não jogue seu cocô na privada!


O transplante de sangue ou de órgãos é uma realidade e visto como um procedimento normal em hospitais, que tem melhorado a qualidade de vida ou mesmo evitado a morte de muitas pessoas. Mas, você já ouviu falar de transplante de fezes? Parece esquisito e para alguns até mesmo nojento, mas essa prática tem sido pesquisada por cientistas como uma promissora forma de tratamento para vários tipos de doenças intestinais.

Conhecido no meio científico como transplante de microbiota fecal, o objetivo do método é restaurar a microbiota do intestino de pessoas doentes. A microbiota, comumente conhecida como flora intestinal, é o conjunto de microorganismos que vivem naturalmente no intestino humano e que são importantes para a manutenção da homeostase do organismo. Esses microorganimos atuam diretamente na manutenção da integridade do parede intestinal, metabolização de nutrientes de difícil digestão e fibras e também na maturação e desenvolvimento do sistema imunológico no intestino. 

Algumas patologias ou tratamentos com uso de antibióticos levam à morte de grande parte destes microoganismos e isso permite que bactérias invasoras, como a Clostridium difficile, se reproduzam no intestino causando diarréia e fortes dores no paciente. O uso deste método permite o restabelecimento dos microoganismos intestinais que podem, portanto, combater os invasores e restaurar as funções normais do intestino.

Preparação das fezes para transplantação

Para a realização deste procedimento, um doador saudável (uma pessoa sem problemas intestinais e que não tenha tomado antibióticos recentemente) fornece o material fecal. O material é então levado para o laboratório, onde os microorganismos presentes nas fezes são isolados e é feito o preparo do material a ser transplantado. Após isso, os microorganismos podem ser transferidos para o intestino do paciente, seja pela boca, através de cápsulas que contenham os microorganismos fecais, ou pelo ânus, através do procedimento de colonoscopia. O paciente é sedado durante o procedimento, que dura cerca de quinze minutos, e após isso pode receber alta médica, já que os efeitos são semelhantes ao de uma endoscopia ou colonoscopia.

Os cientistas têm esperança de que esse tratamento possa ajudar no tratamento de vários distúrbios não só intestinais, como colites, síndrome do intestino irritável, Doença de Crohn,etc., mas também de doenças imunes, neurológicas e  metabólicas, como obesidade, diabetes, esclerose múltipla, autismo e Doença de Parkinson. No entanto, a pesquisa nesse campo ainda é recente, necessitando de muitos estudos para comprovar eficácia desta técnica.

Preparação das fezes para transplantação

Nos Estados Unidos já existem alguns centros que possuem “Bancos de Fezes”, que recebem fezes de doadores voluntários e disponibilizam as fezes coletadas para pacientes que necessitam realizar este tipo de tratamento. Aqui no Brasil, o primeiro banco de fezes foi implementado no final de 2017 no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apesar de ainda não terem bancos de fezes estabelecidos, hospitais como o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, Hospital Vera Cruz, em Campinas, e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu também realizam este tipo de procedimento. Atualmente o Laboratório de Microbioma e Genômica Bacteriana da Unesp de Botucatu está angariando doadores de fezes para realizar o transplante em portadores de retocolite ulcerativa. Interessados em realizar a doação de fezes devem entrar em contato com o laboratório através do e-mail doesuasfezes@gmail.com ou telefone: (14) 3880-0427.

Para saber mais:
https://globoplay.globo.com/v/3244696/
https://www.tuasaude.com/transplante-de-fezes-para-colite/
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-e-feito-o-transplante-de-fezes/
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/01/1951967-transplante-de-fezes-e-testado-contra-a-obesidade.shtml

Sobre os autores:
Adauto Lima Cardoso 
adautolimacardoso@gmail.com 
Adauto é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.


Ana Carolina Santos
carolina.santos@unesp.br
Ana Carolina é biomédica, doutoranda na área de Genética de Microrganismos pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Genéticas) do IBB/UNESP Botucatu.

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