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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Minha querida pesquisa - Lucas Farinazzo Marques


Desde bem criança, sempre me interessei bastante em ser um cientista, entender a vida, o universo e tudo mais. Ficava na minha janela sempre olhando para o céu e para alguns animais que passavam por ali. No começo queria trabalhar com história, poder entender um pouco sobre de onde viemos e talvez para onde vamos. Depois com computação, sistematizando e informatizando o conhecimento sobre o que nos cerca e, então, finalmente, biologia, para entender como funciona a vida e tudo relacionado à ela.

Comecei o curso de Ciências Biológicas na minha cidade natal (Juiz de Fora) na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e gostei tanto de bioquímica que acabei por conseguir uma bolsa de monitoria da matéria e fiquei fazendo isso por 1 ano. Nesse meio tempo, arrumei um estágio para Iniciação Científica (IC) em Biofísica e comecei a trabalhar com animais de laboratório (nunca tive contato antes com eles). Estávamos buscando uma forma de identificar mudanças de temperatura no fígado para fazermos um preditor de distúrbios hepáticos (principalmente cirrose e hepatite). O trabalho acabou rendendo uma patente e, perto do final (1 ano e meio depois) decidi diversificar mais ainda minha área de conhecimento e fui trabalhar com alfabetização científica como bolsista de Extensão (basicamente trabalhar em prol da comunidade ao redor da Universidade) em um projeto chamado Experimentoteca, onde fizemos várias parcerias com escolas públicas e desmistificávamos de forma lúdica vários aspectos culturais relacionados à imagem do cientista, em experimentos simples e diretos.

Uma das visitas à Experimentoteca pela Escola Municipal de Santa Cecília

No final do meu 3º ano de faculdade consegui uma bolsa do Programa Ciências Sem Fronteiras do Governo Federal para os Estados Unidos. Fui para uma pequena universidade no interior de Ohio (Ohio Wesleyan University) e lá trabalhei como tutor em uma escola pública. Ao término do meu período acadêmico, consegui um estágio na parte de segurança farmacológica (basicamente uma das partes finais no processo de desenvolvimento de drogas, que devem ser testadas em animais) em uma indústria farmacêutica chamada AbbVie, que consegui graças a minha experiência na Biofísica. Lá desenvolvemos um método de otimização para crio-preservação de tecidos mantendo sua reatividade (ou seja, uma forma de quando for utilizar um tipo de tecido animal, conseguir preservar os outros tecidos para uso posterior, diminuindo consideravelmente o desperdício).

Para completar meu ‘pequeno’ histórico, cheguei no Brasil e entrei no laboratório de Genética como bolsista de IC e, por indicação do meu orientador, fui apresentado à uma professora especialista em Bioinformática na área de Modelagem Computacional (área que me apaixonei quase que imediatamente!). Lá meu trabalho foi procurar possíveis candidatos à peptídeos com potencial ação antimicrobiana com base em extrações de Lippia alba (ou erva cidreira como é popularmente conhecida). Já no começo de 2017, passei no mestrado em Modelagem Computacional na UFJF para dar continuidade ao trabalho em modelagem de proteína de forma mais aprofundada. Porém acabei ficando só 3 meses, vi que não era pra mim a parte de matemática e física (apesar de ainda querer continuar na área de bioinformática), principalmente pelo fato de que não vi muita relação do programa com o que eu gostava de trabalhar. Passei no meio do ano no mestrado em Biotecnologia na UNESP em Botucatu e no final de 2017 meu projeto de pesquisa foi aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o que me possibilitou me mudar para o interior de São Paulo. O trabalho aqui consiste em buscar e analisar os lncRNAs (long non-coding RNAs) que são importantes para a tolerância ao etanol em Saccharomyces cerevisiae (a levedura utilizada na produção de cerveja e pão).

Agora vocês me perguntam: “Nossa, para que isso tudo?”. Isso é pra mostrar, que somos recheados de dúvidas e incertezas. Dúvidas sobre qual área devemos seguir, sobre o que fazer dentro da área que você escolheu e o que esperar do futuro. Sabe o que vale mesmo? A experiência disso tudo. Para mim, passar por tantas coisas ajudou MUITO a entender melhor como funciona a Ciência, que é algo totalmente interdisciplinar, que não dá pra fazer nada sozinho.




Por: Lucas Farinazzo Marques
kim_farinazzo@hotmail.com
Sobre o autor: Biólogo pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e atualmente trabalha com Bioinformática.
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