Aba


segunda-feira, 30 de julho de 2018

Água em estado líquido é descoberta em Marte


Nos últimos meses, várias notícias sobre novas evidências que podem indicar a existência de vida em Marte têm sido veiculadas, embora elas não confirmem isso. Porém, parece “que a cereja do bolo” dessas evidências foi finalmente encontrada.

Detecção de água sob o pólo sul de Marte. 

Na última quarta-feira (25/07/2018), em um artigo publicado na revista Science, os resultados de um estudo realizado por cientistas italianos revelou a presença de água líquida no planeta vermelho. A água neste estado é essencial para a ocorrência de vida na forma que conhecemos e encontrá-la pode ser um passo para também encontrar vida.

De acordo com o estudo, os dados obtidos pelos cientistas entre os anos de 2012 e 2015, com uso de radar, sugerem que um grande lago com água líquida exista abaixo de uma calota de gelo. Embora a temperatura do lago seja de cerca de -10° C, que é suficiente para congelar a água pura, o lago permanece líquido devido sua alta concentração de sais. Nestas condições, as células de um organismo vivo tendem a sofrer desidratação devido a perda de água para o ambiente. Portanto, é pouco provável que exista vida neste lago, a não ser que os seres tenham desenvolvido mecanismos para evitar a saída de água das células, como acontece com alguns organismos que vivem em condições semelhantes na Terra.

Este achado, que se revela como o mais importante dos últimos anos na área, impulsiona ainda mais a procura por vida em Marte, uma vez que é possível que água líquida ainda possa ser encontrada em outros locais do planeta e, quem sabe, em condições mais favoráveis à vida.

Para saber mais:
https://www.terra.com.br/noticias/marte-pode-ter-lago-com-agua-liquida,7e81a20eb659f9357643abaa5fd2e135usju6tlg.html
https://super.abril.com.br/ciencia/lago-com-agua-liquida-e-potencial-para-conter-vida-e-encontrado-em-marte/
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/blog/cassio-barbosa/post/2018/07/26/agua-liquida-em-marte-pressao-e-salinidade-explicam-como-substancia-escapou-do-congelamento.ghtml
http://science.sciencemag.org/node/713108.full
http://science.sciencemag.org/content/361/6400/320
http://science.sciencemag.org/node/713107.full

Imagem retirada de :
https://www.universetoday.com/139677/underground-liquid-water-found-on-mars/

Sobre o Autor: Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.

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sexta-feira, 27 de julho de 2018

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Antes da Idade Contemporânea, existiram pensadores brilhantes, como Pitágoras, Bhaskara, Lineu e Versalius. Porém, dada a escassez de recursos, também foram propostas ideias impensáveis nos dias atuais: a Química se confundia com a Alquimia, muitos acreditavam no Geocentrismo e até propôs-se que espermatozoides continham homúnculos. Também, muitos naturalistas acabavam descrevendo seres mágicos, como gigantes e unicórnios. Confira abaixo algumas figuras retiradas destes bestiários.

As imagens abaixo foram retiradas da galeria virtual Trato Das Criaturas Mágicas. Ela foi baseada na exposição sobre Harry Potter promovida pela Biblioteca Britânica e disponível virtualmente pelo Google Arts & Culture, Harry Potter: Uma História Mágica. Veja a nossa amostra abaixo e depois visite a exposição completa em artsandculture.google.com.

Fênix

Imagem: Ilustração do livro "L’Histoire et description du Phoenix" (A história e descrição da fênix), escrita pelo autor francês Guy de la Garde, de 1550. O livro pertence ao acervo da Biblioteca Britânica.

Unicórnios

Imagem: Ilustrações de cinco espécies diferentes de unicórnio em livro de 1694 escrito pelo farmacêutico francês Pierre Pomet, que recomendava o uso de chifre de unicórnio como antídoto para venenos. Livro da coleção da Biblioteca Britânica.

Simurgh

Imagem: Ilustração de Simurgh, uma criatura da mitologia Persa, retratada em bestiário de 1698.


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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Não jogue seu cocô na privada!


O transplante de sangue ou de órgãos é uma realidade e visto como um procedimento normal em hospitais, que tem melhorado a qualidade de vida ou mesmo evitado a morte de muitas pessoas. Mas, você já ouviu falar de transplante de fezes? Parece esquisito e para alguns até mesmo nojento, mas essa prática tem sido pesquisada por cientistas como uma promissora forma de tratamento para vários tipos de doenças intestinais.

Conhecido no meio científico como transplante de microbiota fecal, o objetivo do método é restaurar a microbiota do intestino de pessoas doentes. A microbiota, comumente conhecida como flora intestinal, é o conjunto de microorganismos que vivem naturalmente no intestino humano e que são importantes para a manutenção da homeostase do organismo. Esses microorganimos atuam diretamente na manutenção da integridade do parede intestinal, metabolização de nutrientes de difícil digestão e fibras e também na maturação e desenvolvimento do sistema imunológico no intestino. 

Algumas patologias ou tratamentos com uso de antibióticos levam à morte de grande parte destes microoganismos e isso permite que bactérias invasoras, como a Clostridium difficile, se reproduzam no intestino causando diarréia e fortes dores no paciente. O uso deste método permite o restabelecimento dos microoganismos intestinais que podem, portanto, combater os invasores e restaurar as funções normais do intestino.

Preparação das fezes para transplantação

Para a realização deste procedimento, um doador saudável (uma pessoa sem problemas intestinais e que não tenha tomado antibióticos recentemente) fornece o material fecal. O material é então levado para o laboratório, onde os microorganismos presentes nas fezes são isolados e é feito o preparo do material a ser transplantado. Após isso, os microorganismos podem ser transferidos para o intestino do paciente, seja pela boca, através de cápsulas que contenham os microorganismos fecais, ou pelo ânus, através do procedimento de colonoscopia. O paciente é sedado durante o procedimento, que dura cerca de quinze minutos, e após isso pode receber alta médica, já que os efeitos são semelhantes ao de uma endoscopia ou colonoscopia.

Os cientistas têm esperança de que esse tratamento possa ajudar no tratamento de vários distúrbios não só intestinais, como colites, síndrome do intestino irritável, Doença de Crohn,etc., mas também de doenças imunes, neurológicas e  metabólicas, como obesidade, diabetes, esclerose múltipla, autismo e Doença de Parkinson. No entanto, a pesquisa nesse campo ainda é recente, necessitando de muitos estudos para comprovar eficácia desta técnica.

Preparação das fezes para transplantação

Nos Estados Unidos já existem alguns centros que possuem “Bancos de Fezes”, que recebem fezes de doadores voluntários e disponibilizam as fezes coletadas para pacientes que necessitam realizar este tipo de tratamento. Aqui no Brasil, o primeiro banco de fezes foi implementado no final de 2017 no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apesar de ainda não terem bancos de fezes estabelecidos, hospitais como o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, Hospital Vera Cruz, em Campinas, e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu também realizam este tipo de procedimento. Atualmente o Laboratório de Microbioma e Genômica Bacteriana da Unesp de Botucatu está angariando doadores de fezes para realizar o transplante em portadores de retocolite ulcerativa. Interessados em realizar a doação de fezes devem entrar em contato com o laboratório através do e-mail doesuasfezes@gmail.com ou telefone: (14) 3880-0427.

Para saber mais:
https://globoplay.globo.com/v/3244696/
https://www.tuasaude.com/transplante-de-fezes-para-colite/
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-e-feito-o-transplante-de-fezes/
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/01/1951967-transplante-de-fezes-e-testado-contra-a-obesidade.shtml

Sobre os autores:
Adauto Lima Cardoso 
adautolimacardoso@gmail.com 
Adauto é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.


Ana Carolina Santos
carolina.santos@unesp.br
Ana Carolina é biomédica, doutoranda na área de Genética de Microrganismos pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Genéticas) do IBB/UNESP Botucatu.

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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Pílula anticoncepcional masculina: uma realidade próxima


Desde a década de 80 os cientistas tentam desenvolver uma pílula contraceptiva para os homens mas existem poucos medicamentos desse tipo disponíveis e apresentam alguns efeitos colaterais indesejados. Em geral, os contraceptivos masculinos agem sobre a interação dos hormônios sexuais, assim como no caso das pílulas para mulheres.

Por que desenvolver uma pílula masculina?
A grande maioria dos casais que utiliza métodos contraceptivos faz uso de métodos femininos. Em primeiro lugar, figura a laqueadura (método de esterilização feminina definitiva), em segundo lugar o DIU (método reversível) e em terceiro a pílula anticoncepcional feminina (reversível também). Só depois aparece o preservativo masculino (camisinha masculina). Em geral, a responsabilidade recai sobre as mulheres e se considerarmos o uso das pílulas contraceptivas, por exemplo, sabemos que há um ônus maior ainda. Isso porque nesse método é bastante comum as mulheres apresentarem efeitos colaterais fortes e alguns estudos demonstram a associação do uso contínuo de pílulas e o desenvolvimento de câncer de mama.

Habemus pílulas masculinas seguras e eficazes?
Até este ano, o avanço no desenvolvimento das pílulas contraceptivas masculinas estava focado no uso do hormônio sexual masculino denominado testosterona. Nesses estudos foram administradas doses de testosterona que permitiram a manutenção dos níveis desse hormônio sempre estáveis na corrente sanguínea. Na presença de testosterona no sangue, o cérebro entende que a produção de espermatozóides está adequada e cessa a produção de GnRH. Isso resulta na interrupção da produção hormonal de LH e FSH, e gera efeito de infertilidade, que é totalmente reversível com a interrupção do uso de testosterona. A figura abaixo mostra os hormônios masculinos e suas interações de regulação naturais, nas quais as pílulas tentam agir:

Esquema hormonal masculino para a produção de espermatozóides.

Porém, existem problemas nessa abordagem, que são:
1) para manter os níveis de testosterona no sangue suficientes para interromper a produção de GnRH no cérebro, são necessárias pelo menos duas doses diárias da pílula, o que torna o método trabalhoso e aumenta o risco de que não funcione em função da não administração correta das doses (esquecimento de tomar a pílula, por exemplo); 
2) as doses de testosterona administradas podem ocasionar problemas no fígado.

A grande novidade:
O estudo clínico divulgado em março de 2018 utilizou pílulas que continham DMAU (Dimetandrolona undecanoato), uma substância química que se liga a receptores de hormônios masculinos e age “imitando” esses hormônios e ativando seus receptores (agindo como substância agonista externa). Dessa forma, ao adicionar DMAU à corrente sanguínea, o mesmo ativa os receptores de testosterona e permite que a ação desencadeada por esses ocorra normalmente, sem que seja necessária a presença do hormônio. Mas então não é o mesmo que injetar testosterona?

O resultado da pesquisa (ainda a curto prazo - 28 dias de uso da pílula) mostrou que não. Foram testadas 3 diferentes doses de DMAU em 3 diferentes grupos, totalizando 83 homens de 18 a 50  anos (incluindo os pacientes que receberam placebo) num estudo duplo-cego. Os homens que receberam as maiores doses mostraram ausência de espermatogênese e diminuição na produção dos hormônios envolvidos em todo o processo, o que garantiu a esterilização reversível. Nenhum dano ao fígado ou às funções vitais do indivíduo foram observados e somente uma pílula diária foi necessária para a obtenção dos resultados  (diferentemente dos estudos anteriores com testosterona). 

Porém, alguns efeitos colaterais foram observados: aumento no peso (ganho de 1,5 a 3,9 kg) e diminuição do colesterol considerado “bom”, o HDL (diminuição de -7 a -17 mg/dL). Alguns homens também relataram diminuição da libido, no entanto parte deles recebeu placebo. Portanto não se pode afirmar que esse efeito esteja relacionado à pílula.

Esse é um grande avanço para o desenvolvimento de um método contraceptivo masculino oral seguro! Em breve, novos estudos com maior número de pessoas e por um período maior de administração da pílula devem estar disponíveis.
E você, o que achou da novidade? Deixe sua opinião nos comentários, venha debater o tema!




Por: Érica Ramos
erica.ramos00@gmail.com
Sobre a autora: Bióloga e Mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP, apaixonada pelo tema Educação e, também, editora desta página de Divulgação Científica. No momento atua como aluna de doutorado na UNESP, na área de Genética.

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quinta-feira, 19 de julho de 2018

Hemácias

Imagem: Microscopia eletrônica de varredura de hemácias, as células do sangue que transportam oxigênio e gás carbônico. A microscopia eletrônica apenas fornece imagens em branco e preto, sendo que esta figura foi artificialmente colorida de vermelho, apesar de esta ser a cor natural desse tipo celular.  Obtido em: http://cellimagelibrary.org/images/38811. Imagem de Annie Cavanagh, por Wellcome Images. doi:10.7295/W9CIL38811.
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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Minha querida pesquisa - Lucas Farinazzo Marques


Desde bem criança, sempre me interessei bastante em ser um cientista, entender a vida, o universo e tudo mais. Ficava na minha janela sempre olhando para o céu e para alguns animais que passavam por ali. No começo queria trabalhar com história, poder entender um pouco sobre de onde viemos e talvez para onde vamos. Depois com computação, sistematizando e informatizando o conhecimento sobre o que nos cerca e, então, finalmente, biologia, para entender como funciona a vida e tudo relacionado à ela.

Comecei o curso de Ciências Biológicas na minha cidade natal (Juiz de Fora) na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e gostei tanto de bioquímica que acabei por conseguir uma bolsa de monitoria da matéria e fiquei fazendo isso por 1 ano. Nesse meio tempo, arrumei um estágio para Iniciação Científica (IC) em Biofísica e comecei a trabalhar com animais de laboratório (nunca tive contato antes com eles). Estávamos buscando uma forma de identificar mudanças de temperatura no fígado para fazermos um preditor de distúrbios hepáticos (principalmente cirrose e hepatite). O trabalho acabou rendendo uma patente e, perto do final (1 ano e meio depois) decidi diversificar mais ainda minha área de conhecimento e fui trabalhar com alfabetização científica como bolsista de Extensão (basicamente trabalhar em prol da comunidade ao redor da Universidade) em um projeto chamado Experimentoteca, onde fizemos várias parcerias com escolas públicas e desmistificávamos de forma lúdica vários aspectos culturais relacionados à imagem do cientista, em experimentos simples e diretos.

Uma das visitas à Experimentoteca pela Escola Municipal de Santa Cecília

No final do meu 3º ano de faculdade consegui uma bolsa do Programa Ciências Sem Fronteiras do Governo Federal para os Estados Unidos. Fui para uma pequena universidade no interior de Ohio (Ohio Wesleyan University) e lá trabalhei como tutor em uma escola pública. Ao término do meu período acadêmico, consegui um estágio na parte de segurança farmacológica (basicamente uma das partes finais no processo de desenvolvimento de drogas, que devem ser testadas em animais) em uma indústria farmacêutica chamada AbbVie, que consegui graças a minha experiência na Biofísica. Lá desenvolvemos um método de otimização para crio-preservação de tecidos mantendo sua reatividade (ou seja, uma forma de quando for utilizar um tipo de tecido animal, conseguir preservar os outros tecidos para uso posterior, diminuindo consideravelmente o desperdício).

Para completar meu ‘pequeno’ histórico, cheguei no Brasil e entrei no laboratório de Genética como bolsista de IC e, por indicação do meu orientador, fui apresentado à uma professora especialista em Bioinformática na área de Modelagem Computacional (área que me apaixonei quase que imediatamente!). Lá meu trabalho foi procurar possíveis candidatos à peptídeos com potencial ação antimicrobiana com base em extrações de Lippia alba (ou erva cidreira como é popularmente conhecida). Já no começo de 2017, passei no mestrado em Modelagem Computacional na UFJF para dar continuidade ao trabalho em modelagem de proteína de forma mais aprofundada. Porém acabei ficando só 3 meses, vi que não era pra mim a parte de matemática e física (apesar de ainda querer continuar na área de bioinformática), principalmente pelo fato de que não vi muita relação do programa com o que eu gostava de trabalhar. Passei no meio do ano no mestrado em Biotecnologia na UNESP em Botucatu e no final de 2017 meu projeto de pesquisa foi aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o que me possibilitou me mudar para o interior de São Paulo. O trabalho aqui consiste em buscar e analisar os lncRNAs (long non-coding RNAs) que são importantes para a tolerância ao etanol em Saccharomyces cerevisiae (a levedura utilizada na produção de cerveja e pão).

Agora vocês me perguntam: “Nossa, para que isso tudo?”. Isso é pra mostrar, que somos recheados de dúvidas e incertezas. Dúvidas sobre qual área devemos seguir, sobre o que fazer dentro da área que você escolheu e o que esperar do futuro. Sabe o que vale mesmo? A experiência disso tudo. Para mim, passar por tantas coisas ajudou MUITO a entender melhor como funciona a Ciência, que é algo totalmente interdisciplinar, que não dá pra fazer nada sozinho.




Por: Lucas Farinazzo Marques
kim_farinazzo@hotmail.com
Sobre o autor: Biólogo pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e atualmente trabalha com Bioinformática.
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sexta-feira, 13 de julho de 2018

As fotos mais belas do inverno

Agora, no inverno, não é incomum vermos pessoas reclamando do frio e sentindo saudades dos dias quentes de verão (nos quais elas provavelmente estariam criticando o calor!). Mas temos que ser positivos: vocês já pararam para apreciar toda a beleza que o frio tem a oferecer? No click dessa semana, aproveite belas imagens de um universo de neve e gelo.

Imagem: Raposa-do-ártico (Vulpes lagopus), que têm pelagem marrom-acinzentada durante o verão e pelagem branca durante o inverno. Foto retirada em Manitoba, Canadá, por Norbert Rosing. Originalmente postado no site da National Geographic.

 Imagem: Aurora boreal sobre o monte de Kirkjufell, na Islândia. Foto capturada por Natthawat Jamnapa, originalmente postada no site da National Geographic

Imagem: Iglu tradicional do povo Nunavut, nativo do Canadá. Foto por Acacia Johnson, originalmente publicada no site da National Geographic

Imagem: Floco de neve do tipo "dentrito", que é formado sob temperaturas entre -1ºC e -3ºC. Em outras faixas de temperatura, outros formatos de cristais são formados. Foto por Kenneth Libbretch, originalmente postada no site da National Geographic

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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Notícia falsa: Patente dos EUA impede pesquisa sobre o jambu no Brasil



Não é de hoje que as “notícias falsas” têm propagado boatos e gerado muita confusão na população. E a ciência não está imune à essa prática. Um dos últimos casos envolve o jambu, a planta amazônica apreciada por causar dormência. A notícia foi bastante divulgada nas redes sociais e levou inclusive ao posicionamento de figuras políticas sobre o assunto.

Segundo as informações compartilhadas por milhares de usuários nas mídias digitais, uma patente estadunidense sobre o jambu estaria impedindo pesquisas com a planta na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A verdade é que os EUA têm patentes relacionadas ao jambu, mas elas não interferem nas pesquisas realizadas no Brasil. As patentes dos EUA só valem lá e o Brasil não precisa obedecer à essas leis. É o que diz Rafael de Sá Marques, presidente do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, segundo informações do Jornal Folha de São Paulo.

O pró-reitor de inovação da UFAM, Waltair Machado disse ao G1 que em nenhum lugar do mundo é possível proibir alguém de pesquisar algo e o que pode acontecer é a proibição da comercialização de algum produto, caso ele tenha sido registrado. Ainda segundo Machado, que investigou o assunto na UFAM, pesquisadores da instituição podem ter desistido de avançar no desenvolvimento de um anestésico bucal por ficarem sabendo que essa fórmula já havia sido patenteada no exterior. No entanto, se os pesquisadores quiserem investir na pesquisa e se conseguirem aperfeiçoar a fórmula já registrada, eles podem inclusive gerar uma nova patente.

Para saber mais:
https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2018/07/patente-dos-eua-sobre-a-planta-jambu-e-novo-alvo-de-noticias-falsas.shtml
https://g1.globo.com/e-ou-nao-e/noticia/eua-patentearam-jambu-e-impediram-pesquisas-de-universidade-nao-e-verdade.ghtml
http://amazonasatual.com.br/patente-de-substancia-do-jambu-nos-eua-inviabiliza-estudos-da-erva-no-amazonas/

Sobre o Autor: Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.

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quarta-feira, 4 de julho de 2018

11 passos para visualizar a mitose em células de cebola. Aprenda e divirta-se.


Quando uma célula eucariótica se multiplica, ela passa por várias etapas cíclicas distintas, e muitas dessas podem ser observadas com o auxílio de um microscópio óptico. O ciclo celular, nos eucariotos, ocorre em duas fases: Intérfase e Mitose. A intérfase é a mais longa do ciclo celular, ou seja, é a fase em que as células se encontram na maior parte do tempo e a qual compreende três subfases:

G1 – fase em que ocorre síntese de proteínas;
S – fase em que ocorre a duplicação do DNA;
G2 – fase em ocorre a duplicação dos centríolos.

A mitose é o processo no qual uma célula-mãe origina duas células filhas, as quais compartilham as mesmas informações genéticas. A mitose integra 4 subfases descritas abaixo:

Prófase - é a etapa mais longa da mitose e está correlacionada com a interfase. Os cromossomos se condensam passando da forma difusa observada na interfase para estruturas altamente empacotadas características da célula em divisão. As cromátides irmãs estão unidas pelo centrômero (que também estão duplicados)
Metáfase - após atingir máxima condensação, os cromossomos se encurtarão e passarão a localizar-se na região equatorial da célula;
Anáfase - é a fase mais curta da mitose. Se caracteriza pelo movimento das duas cromátides irmãs para pólos opostos da célula. Uma vez separadas, as cromátides irmãs passam a ser referidas como cromossomos filhos. Nessa fase é possível verificar a posição do centrômero em cada cromossomo (acrocêntrico, metacêntrico ou submetacêntrico).
Telófase – os cromossomos começam a descondensar e a membrana nuclear se reorganizará. Terminada a mitose, vai ocorrer então a citocinese, que consiste na separação do citoplasma da célula-mãe, em duas partes iguais, originando assim as duas novas células. 

Fases da mitose da raiz de cebola. 1. Intérfase. 2. Prófase. 3. Metáfase. 4. Anáfase e 5. Telófase. Fonte: Altas de histologia do ICB – UFG.

O processo de mitose não tão fácil de ser analisado em células vivas, isso porque o núcleo e seus componentes apresentam-se incolores, assim é necessário utilizar fixadores, os quais matam e fixam as células, para sua melhor conservação, e corantes que irão colorir diferencialmente suas estruturas de acordo com sua composição química. Em vegetais, os melhores materiais para observação da mitose constituem os tecidos em fase de crescimento como os meristemas apicais, onde ocorrem sucessivas divisões celulares. Dessa forma, as pontas de raízes de cebola (Allium cepa) constituem um ótimo material para a observação e reconhecimento das fases da mitose.
O objetivo da prática descrita abaixo é permitir que alunos do Ensino Básico aprendam a preparar uma lâmina contendo as diferentes fases do ciclo celular, assim como identifica-las.

Materiais:
a) Raízes de cebola;
b) Corante orceína-clorídrica;
c) Ácido acético a 50%;
d) Copos, lâminas, lamínulas, pinças, estiletes, tesoura, esmalte incolor, lamparina de álcool.

Como realizar esse experimento:
1) Colocar uma cebola em 1 copo de água, de forma que a região onde se encontra as raízes toquem na água;
2) Deixar as raízes crescerem até atingirem 2 cm;
3) Colocar 3 gotas de orceína-clorídrica em uma lâmina limpa;
4) Colocar uma ponta da raiz de cebola na orceína-clorídrica com o auxílio de uma pinça;
5) Cobrir com lamínula;
6) Retirar a tampa da lamparina com álcool e acender o pavio com o fósforo;
7) Segurar cuidadosamente a lâmina sobre a chama, por cerca de 3 segundos. Repetir esse procedimento por 3 vezes em intervalos de 3 segundos;
8) Pressionar levemente a lamínula com a ponta de uma pinça. A pressão deve ser suficiente para esmagar as raízes sem quebrar a lamínula;
9) Colocar um pedaço de papel filtro dobrado sobre a lâmina para retirar o excesso de orceína-clorídrica;
10) Vedar a lamínula com esmalte incolor;
11) Observar ao microscópio óptico.

Resultados e Discussão:
Nessa etapa da atividade é importante ressaltar que a interfase é a fase do ciclo celular mais frequente, pois nem todas as células estão em divisão ao mesmo tempo e a fase mais rara é anáfase, por ser muito rápida. Além disso, o professor e os alunos poderão elucidar e discutir diferentes aspectos da aula prática como os exemplos descritos abaixo:

a) Qual é a função da oceína-clorídrica?
b) Examinar cada fase da mitose, caracterizando cada uma delas.
c) Desenhar as diferentes fases da mitose, ressaltando os aspectos mais importantes delas.
d) Identificar qual fase da mitose é a mais indicada para determinar o número de cromossomos de uma espécie?
e) É possível contar o número de cromossomos da cebola? Se sim, quantos são?
f) Quando ocorre a duplicação dos cromossomos?
g) Qual a diferença entre cromátides irmãs e não irmãs?
h) É possível afirmar que as células filhas herdam a mesma quantidade e o mesmo tipo de informação genética existente na célula-mãe?

Quer saber mais sobre o assunto, acesse:
http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/bitstream/handle/mec/19278/9_E_2_2_16_mitose.pdf?sequence=5
http://www.ibb.unesp.br/Home/Departamentos/Morfologia/Laboratorios/LaboratoriodeGenomicaIntegrativa/pra769ticas-laboratoriais-experimentando-gene769tica-2007.pdf

Sobre a autora:

Talita R. A. Almeida
aleixo.talita@yahoo.com.br
Talita é bióloga e mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Botucatu/SP e estudante de doutorado pela mesma instituição.

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terça-feira, 3 de julho de 2018

É realmente hora de voar? Pássaros que saem do ninho fora da hora podem trazer desastre para toda a família



Para pais com crianças crescidas, alguma vezes a dor de um ninho vazio é imensa. E parece que pássaros passam por algo similar, porém mais mortal. Quando pássaros jovens saem do ninho mais cedo, eles ajudam as futuras gerações a sobreviver, mas eles mesmo tem uma maior chance de morrer, de acordo com um novo estudo.

“Não existe uma única solução ótima. Esse trabalho não é só sobre pássaro, é sobre como os animais evoluem para tomar essa decisão.” - Rick Relyea, ecólogo não envolvido com o estudo do Instituto Politécnico Rensselaer em Troy, Nova Iorque.

Pássaros jovens podem ter uma vida dura, assim como seus pais. Um ninho muito barulhento pode acabar atraindo predadores que pode acabar com todo o esforço reprodutivo de um ano em apenas uma bocada. Por causa disso, os pais pássaros incentivam seus filhotes a sair do ninho mais cedo, mesmo quando eles não estão exatamente prontos, aumentando a chance de pelo menos um sobreviver e literalmente garantindo que todas suas crias não estejam todas no mesmo lugar. Porém esses jovens pássaros sofrem bastante com isso, já que sua taxa de mortalidade é de 70%, comparado com apenas 12% de espécies que são retardatárias.

Para entender os motivos por trás dessa diferença, um grupo da universidade de Montana em Missoula, EUA, pensaram que as taxas de sobrevivência tinham relação com quão pronto para voar as crias estavam, então eles testaram a habilidade basal de voo em diferentes idades de cerca de 12 espécies e gravaram os resultados em um vídeo de alta velocidade:



Como esperado, os pássaros mais jovens tinham asas pouco desenvolvidas e voaram mal. Além disso, quando os pesquisadores forçaram algumas fuinhas-dos-juncos (que possuem uma das menores taxas de sobrevivência entre as espécies estudadas) a ficarem em seus ninhos por 13 dias ao invés de 10, mais chegaram à fase adulta. Apenas 10% morreram no período de 7 dias, comparado com 30% dos apressados.

Será que isso serve como paralelo para pais humanos? Alguns paralelos existem, porém a questão cultural faz muita diferença, tornando esse tipo de decisão algo muito mais complicado.

Quer saber mais?
Links em inglês:
http://advances.sciencemag.org/content/4/6/eaar1988
http://www.sciencemag.org/news/2018/06/time-fly-birds-leave-nest-wrong-time-can-bring-disaster-whole-family





Por: Lucas Farinazzo Marques
kim_farinazzo@hotmail.com
Sobre o autor: Biólogo pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e atualmente trabalha com Bioinformática.
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