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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Como os biofármacos são produzidos?


Certamente você deve conhecer ou já ouviu falar de alguém que usa insulina para combater o diabetes. O diabetes é caracterizado por altos níveis de açúcares no sangue devido a problemas no metabolismo da insulina, o hormônio produzido pelo pâncreas que realiza o processamento dos açúcares. Assim, a aplicação de insulina em pessoas diabéticas ajuda a compensar essa disfunção metabólica.
Mas de onde vem essa insulina comercializada? Inicialmente, esse produto era obtido do pâncreas de animais abatidos, mas este procedimento era difícil pois eram necessárias toneladas de pâncreas de animais para produzir poucos mililitros de insulina. Além disso, apesar de ser muito semelhante à insulina humana, as poucas diferenças da insulina de animais eram suficientes para causar reações imunológicas em alguns pacientes. Foi então que, na década de 1980, usando a tecnologia do DNA recombinante (entenda melhor em Desvendando a clonagem), pesquisadores conseguiram inserir o gene da insulina humana no DNA de bactérias. Com isso, essas bactérias  passaram a produzir insulina humana e, assim, ela pôde ser purificada e utilizada nos tratamentos em humanos. Uma vez que a insulina humana foi produzida em outro organismo, pela técnica do DNA recombinante, esse hormônio é chamado de insulina recombinante.

Tecnologia do DNA recombinante. Uma célula que não possuía um gene específico recebe este gene e passa a expressá-lo. O produto deste gene (proteína) é então isolado é utilizado como biofármaco.

Assim como a insulina, uma séria de outra moléculas biológicas, como anticorpos, hormônios, enzimas e vacinas, têm sido produzidas em diversos tipos de organismos como bactérias, fungos, animais, plantas e culturas celulares humanas. Uma vez que essas biomoléculas são usadas no tratamento de doenças, elas são conhecidas como biofármacos ou medicamentos biológicos e elas se diferenciam dos fármacos químicos convencionais por serem produzidas por organismos vivos e por geralmente serem moléculas grandes e complexas. Por sua vez, o fármacos convencionais são moléculas sintetizadas artificialmente e possuem estrutura molecular mais simples.

Representação da estrutura molecular de um medicamento convencional (A) e de um biofármaco (B). Observe a diferença no tamanho da molécula e no número de átomos. Fonte: https://caribbeanbiopharma.com/classification-of-pharmaceuticals-biologics-vs-traditional-medicines

Os biofármacos são um excelente exemplo da importância da biotecnologia para a sociedade e eles têm auxiliado no tratamento de diversas doenças e melhoria da qualidade de vida de pacientes.

Para saber mais:
https://www.youtube.com/watch?v=H_Kg0hzFe98
http://profissaobiotec.com.br/insulina-recombinante-como-afetou-vida-dos-pacientes/
https://www.ecycle.com.br/component/content/article/67-dia-a-dia/4958-medicamentos-biologicos-biofarmacos-biossimilares-o-que-sao-diferencas-como-sao-feitos.html



Sobre o Autor: Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.

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