Aba


sexta-feira, 29 de junho de 2018

Ciência como Arte



Research as Art 2018

Ontem (28/06/2018), a Universidade de Swansea, do País de Gales, anunciou os vencedores da terceira edição de seu concurso de fotos "Research as Art". A grande vencedora deste ano foi Frances Ratcliffe, que capturou esta bela imagem de parasitas no sangue de caranguejo, que poderia ser confundida com uma foto de diamantes em meio a pérolas.
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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Let it GOOOL!


Por apresentar um vasto território, a Rússia apresenta vários tipos de climas ao longo de sua extensão, desde o ártico até o subtropical, e a temperatura varia muito de acordo com a região. Mas apesar de apresentar essa grande variedade climática, quando pensamos em clima na Rússia rapidamente nos remetemos ao frio, certo? Isso porque a Sibéria, região que ocupa mais de 75% do território russo, é uma das regiões mais frias do mundo, podendo chegar a temperaturas de até -60°C. Certo, mas o que isso tem a ver com futebol?



Para que os jogadores tenham um bom desempenho durante os jogos da Copa do Mundo, é necessário não só um bom treinamento técnico, mas também uma preparação física para que o corpo dos jogadores se adapte ao clima mais frio da Rússia. Nosso organismo apresenta diversas reações fisiológicas para combater o frio, como por exemplo calafrios, piloereção (ereção dos pêlos), alteração da dilatação de vasos sanguíneos, entre outros, tudo isso para manter a nossa temperatura corpórea entre 36,5°C e 37°C. Porém, em situações como a de campeonatos esportivos, os corpos dos atletas exigem muito mais que a manutenção da temperatura corpórea. A alta intensidade de esforço físico realizado pelos atletas demanda um alto gasto energético pelo organismo. Para aumentar a eficiência desse gasto energético é necessário que o organismo dos atletas passe pelo processo de aclimatação para adaptar o corpo às baixas temperaturas.


A aclimatação é um conjunto de respostas fisiológicas provocadas pelo organismo que inclui uma reprogramação hormonal e metabólica do nosso corpo para suportar diferentes condições climáticas. Tanto a aclimatação para o frio ou para o calor incluem alterações hormonais e metabólicas que ocorrem em um longo período de tempo.  A regulação da temperatura do nosso corpo é feita através de uma comunicação entre o hipotálamo e a glândula pituitária. Juntos, eles promovem uma série que alterações fisiológicas e hormonais que controlam a quantidade de células sanguíneas, volume do sangue, pressão sanguínea e ritmo de batimento cardíaco. Além disso eles também controlam a produção de energia térmica do corpo através da queima ou armazenamento de açúcares e gordura.

Trate de se agasalhar, Ney!

Para adaptações a temperaturas mais baixas, o corpo é reprogramado para aumentar a termogênese (produção de calor) através de alterações metabólicas que provocam um aumento da atividade do tecido adiposo. Diversos estudos demonstram que o organismo necessita de cerca de 10 a 14 dias de exposição a temperaturas mais altas ou mais baixas do que o usual para estabelecer o processo de aclimatação. Assim, em situações como a Copa do Mundo de 2018, é necessário que os atletas que não estão acostumados a temperaturas mais baixas passem pelo período de aclimatação antes da competição, indo mais cedo para o local dos jogos ou ficando em algum lugar com clima semelhante. Por isso, nesta copa, os jogadores do Brasil embarcaram para a Inglaterra duas semanas antes do início dos jogos para treinar em condições climáticas semelhantes à da Rússia. Assim, o frio não é mais desculpa para o hexa não vir para o Brasil!


Saiba mais: https://www.jci.org/articles/view/68993 (em inglês)
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terça-feira, 26 de junho de 2018

Minicérebros de parente extinto dos humanos é desenvolvido em laboratório


Cientistas uniram o conhecimento e a tecnologia de três campos – o DNA antigo, a edição de DNA e a produção de organóides derivados de células-tronco – para desenvolver minicérebros que contém genes da espécie Homo neanderthalensis, o parente mais próximo do ser humano.

Segundo os pesquisadores, minicérebros que imitam algumas regiões do cérebro humano podem ser criados em laboratório a partir de células-tronco originadas de um ser humano sem defeitos genéticos relacionados a distúrbios neurológicos. Estas células-tronco podem ser manipuladas para que genes humanos específicos sejam substituídos por uma versão neandertal. Assim, um minicérebro neandertal pode ser desenvolvido.

Desenvolvimento de minicérebros. Células da pele de um de um indivíduo são isoladas e transformadas para adquirirem a capacidade de se diferenciarem em vários tipos celulares diferentes (células-tronco pluripotentes). Estas células-tronco podem ser estimuladas a se diferenciarem em células neuronais e formarem e um minicérebro humano (A). Por outro lado, elas podem ter seu genoma editado de maneira que genes humanos sejam substituídos por genes neandertais e, após isso, elas podem se diferenciadas em para fomar um minicérebro neandertal (B).

Após meses de cultivo das células-tronco, até elas se diferenciarem em células neuronais e se organizarem como organóides, algumas diferenças podem ser observadas entre os minicérebros humano e o neadertal. Enquanto que o minicérebro humano é esférico, o neadertal possui forma de “pipoca”. Além disso, as células neuronais humanas possuem mais conexões sinápticas que as neandertais.

Minicérebros humanos (esquerda) e neandertais (direita). Observe a diferença na forma entre ambos. Fonte: http://science.sciencemag.org/content/360/6395/1284


Apesar de se mostrar bastante promissora, esta abordagem de estudo ainda está longe de conseguir desenvolver um cérebro humano ou neandertal completo que represente toda a sua complexidade. Porém, é um grande avanço que atinge áreas como a neurociência e a evolução humana.


Para saber mais:
http://science.sciencemag.org/content/360/6395/1284
https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/06/cientistas-desenvolvem-cerebros-de-neandertais-em-laboratorio.html
https://universoracionalista.org/cientistas-cultivam-mini-cerebros-usando-dna-neandertal/

Sobre o Autor: Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.

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quinta-feira, 21 de junho de 2018

Especial da Copa: Por que a bola faz curva?


Pois é. Há muita física nos esportes, inclusive no futebol. Já parou para reparar no quão estranho é a bola fazer uma curva no ar? A gente assiste e jura que a bola vai para fora e, segundos depois... está dentro do gol! Como isso é possível?


Isso já foi reproduzido por diversos jogadores, em diversas situações. Uma delas, que é considerada uma das mais icônicas, ocorreu em 1970, na Copa do Mundo do México. No jogo contra a Tchecoslováquia, Pelé, por muito pouco, não fez um gol histórico, cujo chute ocorreu antes do meio de campo! Por mais que a bola não tenha entrado no gol, o episódio é lembrado e relembrado pelos amantes de futebol através das gerações.



Esse episódio foi escolhido por cientistas para compreender esse acontecimento que confunde a cabeça de todos nós. Foram averiguados dois fenômenos importantes: a força de arrasto e o efeito Magnus. A força de arrasto depende da densidade do ar, do tamanho da bola e de sua velocidade. As moléculas do ar se aderem à bola e formam uma camada limite, chamada também de camada de Prandtl. As moléculas dessa camada viajam junto com a bola, em vez de ficarem para trás. Isso explica porque os ventiladores permanecem com as hélices sujas, mesmo que passe ar continuamente por elas! Essa camada de ar pode gerar a denominada crise de arrasto. Ela faz com que a resistência do ar seja menor, ou seja, a bola consegue atingir uma distância maior do que deveria! Observe na imagem a seguir a diferença entre os chutes do Pelé com e sem a crise de arrasto:


Simulação do chute de Pelé. A crise do arrasto ocorre no ponto marcado sobre a trajetória.
O que aconteceria com a bola chotada por Pelé se não houvesse a crise do arrasto.


 O segundo e mais famoso fenômeno que ocorre é o efeito Magnus. Esse efeito existe quando a bola gira em torno do próprio eixo durante a trajetória. Se ela está girando, em uma de suas faces, ela estará girando no mesmo sentido que a velocidade do ar, e na outra face, estará no sentido contrário. Essa diferença gera a força de Magnus, que é responsável por desviar a direção da bola! Observe essa bola de basquete sendo jogada de uma barragem. O efeito Magnus é muito visível:



Agora, observe como teria sido o chute de Pelé, caso não existisse o efeito Magnus!

O que aconteceria com a bola chutada por Pelé sem o efeito  Magnus.

Um tanto diferente do que realmente aconteceu, certo?

 
Vídeo com melhores chutes com efeito Magnus!

Essa história pode ser ainda mais complicada! Se você é um amante de física e números, confira os links a seguir. Vem hexa!

Artigo:
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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Como os biofármacos são produzidos?


Certamente você deve conhecer ou já ouviu falar de alguém que usa insulina para combater o diabetes. O diabetes é caracterizado por altos níveis de açúcares no sangue devido a problemas no metabolismo da insulina, o hormônio produzido pelo pâncreas que realiza o processamento dos açúcares. Assim, a aplicação de insulina em pessoas diabéticas ajuda a compensar essa disfunção metabólica.
Mas de onde vem essa insulina comercializada? Inicialmente, esse produto era obtido do pâncreas de animais abatidos, mas este procedimento era difícil pois eram necessárias toneladas de pâncreas de animais para produzir poucos mililitros de insulina. Além disso, apesar de ser muito semelhante à insulina humana, as poucas diferenças da insulina de animais eram suficientes para causar reações imunológicas em alguns pacientes. Foi então que, na década de 1980, usando a tecnologia do DNA recombinante (entenda melhor em Desvendando a clonagem), pesquisadores conseguiram inserir o gene da insulina humana no DNA de bactérias. Com isso, essas bactérias  passaram a produzir insulina humana e, assim, ela pôde ser purificada e utilizada nos tratamentos em humanos. Uma vez que a insulina humana foi produzida em outro organismo, pela técnica do DNA recombinante, esse hormônio é chamado de insulina recombinante.

Tecnologia do DNA recombinante. Uma célula que não possuía um gene específico recebe este gene e passa a expressá-lo. O produto deste gene (proteína) é então isolado é utilizado como biofármaco.

Assim como a insulina, uma séria de outra moléculas biológicas, como anticorpos, hormônios, enzimas e vacinas, têm sido produzidas em diversos tipos de organismos como bactérias, fungos, animais, plantas e culturas celulares humanas. Uma vez que essas biomoléculas são usadas no tratamento de doenças, elas são conhecidas como biofármacos ou medicamentos biológicos e elas se diferenciam dos fármacos químicos convencionais por serem produzidas por organismos vivos e por geralmente serem moléculas grandes e complexas. Por sua vez, o fármacos convencionais são moléculas sintetizadas artificialmente e possuem estrutura molecular mais simples.

Representação da estrutura molecular de um medicamento convencional (A) e de um biofármaco (B). Observe a diferença no tamanho da molécula e no número de átomos. Fonte: https://caribbeanbiopharma.com/classification-of-pharmaceuticals-biologics-vs-traditional-medicines

Os biofármacos são um excelente exemplo da importância da biotecnologia para a sociedade e eles têm auxiliado no tratamento de diversas doenças e melhoria da qualidade de vida de pacientes.

Para saber mais:
https://www.youtube.com/watch?v=H_Kg0hzFe98
http://profissaobiotec.com.br/insulina-recombinante-como-afetou-vida-dos-pacientes/
https://www.ecycle.com.br/component/content/article/67-dia-a-dia/4958-medicamentos-biologicos-biofarmacos-biossimilares-o-que-sao-diferencas-como-sao-feitos.html



Sobre o Autor: Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.

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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Atividade humana está levando mais e mais animais a abraçar a noite


Ao passo que humanos invadem mais e mais habitats da vida selvagem, os animais estão notando que a melhor forma de sobreviver não é andar em grupo, é abraçar a vida noturna. Essa é a conclusão de um novo estudo, que revela que a variedade de animais anteriormente diurnos como raposas, veados e javalis se tornaram noturnos para escapar da atividade humana por medo. Mas essa troca de horários tem seus riscos.

Para conduzir o trabalho, pesquisadores escolheram 76 estudos que analisaram 62 espécies de mamíferos nos seis continentes, de gambás até elefantes, e como eles tiveram comportamento alterado, tais como caça, plantio e desenvolvimento, em resposta à atividade humana. Os estudos utilizaram vários tipos de tecnologia para rastrear os animais, desde GPS até câmeras ativadas por movimento.

Imagens como essa se tornam cada vez mais comuns ao analisar locais a noite.
Assim que a noite cai, os animais estudados se tornaram muito mais ativos do que eles eram quando os humanos chegaram, agora eles começaram a caçar e se alimentar no escuro. Por exemplo, mamíferos que normalmente dividiam sua atividade igualmente entre o dia e a noite, aumentaram em média seu tempo noturno para 68%, de acordo com o estudo divulgado no último dia 14 na Science.

A equipe também encontrou animais que respondem de forma similar a invasões humanas, independente se essa atividade tem um impacto direto ou não. Então, um veado pode se tornar mais ativo à noite simplesmente por ter avistado humanos passando por perto, não por estar sendo caçado.

Os pesquisadores acreditam que esses comportamentos noturnos não apenas irão permitir que humanos e animais coexistam de forma mais pacífica. Também pode dar dicas de como planejar corretamente ações de conservação, como restringir a atividade humana durante os períodos que uma espécie estiver mais ativa. Porém, essa mudança para a vida noturna pode ter seus pontos negativos para os animais, uma vida noturna pode diminuir a habilidade de caça de determinado animal além de impactar sua habilidade de encontrar um parceiro para acasalar. Então, só porque os animais estão se tornando mais ativos à noite não quer dizer que eles escaparam do impacto dos humanos.

Para saber mais (em inglês):




Por: Lucas Farinazzo Marques
kim_farinazzo@hotmail.com
Sobre o autor: Biólogo pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e atualmente trabalha com Bioinformática.

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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Marte não é só vermelho

Imagem: Formações rochosas coloridas na Cratera Hale, em Marte. O planeta têm recebido bastante atenção na comunidade científica pela recente descoberta de moléculas orgânicas perto de sua superfície. Créditos da imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona.
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quinta-feira, 14 de junho de 2018

A vida veio do céu?


Quando você olha para as estrelas durante a noite, já chegou a pensar isto: "Será que somos os únicos seres vivos no universo? E, se formos mais além, será que o início da vida veio do céu?" Nesse excelente vídeo do Nerdologia, o Átila, explora bastante esse assunto e tudo de mais recente que se tem sobre o tema:

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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Novas descobertas podem representar indícios de vida em Marte

Imagem de Marte. Fonte: https://www.nasa.gov/sites/default/files/styles/image_card_4x3_ratio/public/images/581910main_PIA14293_full.jpg

Em um artigo recentemente publicado na revista Science, pesquisadores da Agência Espacial Americana (NASA) revelaram que moléculas orgânicas formadas há mais de 3 bilhões de anos foram encontradas em rochas de Marte. Estas moléculas possuem o elemento químico carbono em sua estrutura e são constituintes básicos da estrutura dos seres vivos. Isso indica que o planeta pode ter abrigado vida no passado. No entanto, essas moléculas podem ser formadas por outros tipos de processos que não envolvem vida, portanto, não seriam uma evidência para a existência de seres vivos atualmente ou no passado.

Além deste achado, um outro trabalho também publicado na mesma edição da Science, revela oscilações no nível de metano ao longo do ano na atmosfera de Marte. O metano pode ser produzido por seres vivos e, portanto, a presença e variações na sua concentração pode ser um indicativo de ocorrência de vida. Porém, processos naturais como a interação entre água e rochas podem ter produzido estas variações.

Embora estes achados não confirmem a presença de vida no planeta vermelho, eles indicam que as pesquisas nesse campo estão no caminho certo.

Para saber mais:
https://veja.abril.com.br/ciencia/nasa-encontra-moleculas-organicas-de-3-bilhoes-de-anos-em-marte/
https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,veiculo-espacial-da-nasa-descobre-moleculas-organicas-em-marte,70002341993
http://science.sciencemag.org/content/360/6393/1096
http://science.sciencemag.org/content/360/6393/1093

Sobre o Autor: Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.

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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Histologia em forma de coração


Imagem: Formas de "coração" encontradas em estruturas histológicas e artifícios de lâminas (o formato de "coração" se formou ao acaso, não correspondendo à morfologia típica dessas estruturas.) As imagens correspondem a artifícios ou estruturas encontradas em lâminas de (1) pâncreas, (3) glândula tireoide, (4) mama, (5) glândula sudorípara, (18, 7 e 8) pulmão, (10) fígado, (11) artéria, (24) veia, (13) intestino, (14) glândula parótida, (15)  linfonodo, (16) ovário, (30) osso, (19) mama, (20) epitélio vaginal, (21) glândula salivar, (22) vesícula biliar, (36) mamilo, (25) cérvix, (26) glândula pineal, (27) útero, (28) epidídimo, (29) epitélio vaginal, (31) folículo capilar, (32) vênula, (33) tireoide, (34) testículo, (35) músculo cardíaco. Retirado de http://www.ihearthisto.com/page/3

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quarta-feira, 6 de junho de 2018

O perigo da superpopulação


Já ouviu falar da superpopulação? Já pensou que cada vez temos mais gente ocupando um espaço limitado? O Átila, do Nerdologia, discute isso e mais algumas coisas no excelente vídeo abaixo:


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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Novos nervos artificiais podem revolucionar as próteses

As próteses modernas são bem impressionantes. Algumas permitem a amputados controlarem o movimento de braços apenas com seus pensamentos, outros possuem sensores de pressão na ponta dos dedos que ajudam as pessoas que estão utilizando a prótese a controlar a força de pegada sem ter que monitorar constantemente as ações com seus olhos. esmo assim, nosso sentido natural do toque é muito mais complexo, integrando milhares de sensores para identificar diferentes tipos de pressão, como algo leve ou mais pesado, junto com a habilidade de sentir calor e mudanças de posição. Essa grande quantidade de informação é processada por uma rede que transmite os sinais através de aglomerados locais de nervos até a medula espinhal e, finalmente, ao cérebro. Somente com a combinação dos sinais para que eles se conectam em uma cadeia formando então uma resposta.

Próteses como essa já demonstram a grande evolução que elas estão passando para tornar a vida de muitas pessoas mais fácil

Na semana passada, pesquisadores da Universidade de Stanford criaram o que pode, em breve, levar a prostética (área que estuda próteses) a passar por uma gigantesca revolução. Isso se deve principalmente ao fato de que eles criaram um novo tipo de nervo artificial que pode ser sensível ao toque, processar informação e se comunicar com outros nervos praticamente da mesma forma que dos nossos corpos. Versões futuras podem adicionar sensores para identificar mudanças em textura, posição e diferentes tipos de pressão, levando a um tremendo aumento em como pessoas com membros artificiais (e algum dia até robôs!) sentem e interagem com o ambiente que os cerca.

O nervo artificial foi colocado nessa barata para movimentar uma perna prostética

Os pesquisadores usaram seu protótipo para detectar a movimentação de uma pequena vareta em diferentes direções através dos seus sensores de pressão, além de identificar caracteres em Braille. Além disso, eles conseguiram conectar o neurônio artificial em uma contraparte biológica. Os pesquisadores removeram uma perna de uma barata e inseriram um eletrodo do neurônio artificial em um neurônio da perna da barata, os sinais vindos do neurônio artificial fizeram os músculos da perna se contraírem. No vídeo abaixo (em inglês), é mostrado um pouco mais sobre essa grande revolução:



Por ser barato produzir eletrônicos orgânicos como esse, a técnica que foi utilizada por esses cientistas permite a outros pesquisadores integrar um grande número de nervos artificiais que podem captar diferentes estímulos sensoriais. Tal sistema pode fornecer muito mais informação sensorial para futuros usuários de próteses, os ajudando a melhor controlar seus novos membros. Isso também pode dar a futuros robôs uma maior habilidade de interagir com o ambiente, algo vital para realizar tarefas cada vez mais complexas.

Para saber mais:

http://www.sciencemag.org/news/2018/05/new-artificial-nerves-could-transform-prosthetics
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bioeletr%C3%B4nica






Por: Lucas Farinazzo Marques
kim_farinazzo@hotmail.com
Sobre o autor: Biólogo pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e atualmente trabalha com Bioinformática.

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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Minha querida pesquisa - Lucas Denadai de Campos


Lucas Denadai de Campos – Biólogo
Mestre em Ciência Biológicas (Zoologia)
Estudante de Doutorado
Do Instituto de Biociências da
Universidade de São Paulo

O contato com as Ciências naturais tem sido constante desde o começo da minha vida. Desde que me lembro, meus pais possuem uma pequena chácara na periferia de Botucatu, SP. Foi nesse local aonde tive os primeiros contatos com diversos animais, plantas e fungos. A cada final de semana que íamos para aquele lugar, o mundo natural ficava mais atrativo e novas descobertas eram feitas.
Na escola, Ciências (1º grau), Biologia e Química (2º grau), eram as únicas disciplinas que de fato me chamavam a atenção. Tive excelentes professores de Ciências, Biologia e Química durante toda a minha formação básica. Ao final do ensino médio, decidi que Biologia seria o tema da minha vida a partir daquele momento.
Comecei os meus estudos em Ciências Biológicas na UNESP campus de Botucatu no ano de 2008. Tive o grande privilégio de fazer a minha graduação na cidade onde nasci, com amigos de infância e com outros grandes amigos que acabei conhecendo. Logo no primeiro ano, recebi uma bolsa de extensão em um projeto de parasitoses intestinais em humanos e cachorros, sob a orientação da professora Semíramis. Foi uma experiência nova e complemente diferente para mim. Afinal, processar fezes de humanos e animais, não era uma coisa que esperava fazer durante a minha formação como biólogo amante da natureza. Porém, aprendi muito sobre como identificar parasitas intestinais.
Durante o segundo semestre, ainda no meu primeiro ano, tive uma disciplina chamada Sistemática Biológica. Foi aí que tudo mudou. Tudo bem que eu já me interessava pelos animais desde aquela época, principalmente os insetos. Mas, foi naquela disciplina que descobri uma coisa que poderia sanar a minha curiosidade sobre os insetos e os animais. A sistemática contemplava (e ainda contempla) tudo o que eu queria entender e fazer dentro da Biologia. Comparar os seres vivos entre si, encontrar suas diferenças e semelhanças, agrupa-los ou separá-los, identificar espécies, descrever espécies, gêneros... O melhor de tudo, é que o professor daquela disciplina era (e ainda é) especialista em insetos, mais especificamente, especialista em grilos. Assim, após finalizar meu estágio no departamento de Parasitologia, fui ao departamento de Zoologia falar com o professor Francisco de Mello, também conhecido como Chico, a respeito de um novo estágio.
Foi nesse momento que comecei meus estudos taxonômicos e sistemáticos com grilos. No laboratório do professor Chico, com ajuda de seus alunos de pós-Graduação, Márcio e João Paulo (hoje doutores), tive a oportunidade de aprender um pouco sobre como identificar os grilos, como descrevê-los (parte do que se faz na taxonomia) e claro, como coletar esses insetos. Foi assim que desenvolvi o meu projeto de iniciação científica. Onde descrevi quatro novas espécies e dois novos gêneros de grilos.
Ao finalizar a graduação, e minha iniciação científica, eu gostaria de continuar estudando os grilos. Porém, naquele momento, o professor Francisco já não orientava mais alunos de pós-graduação. Foi, então, que tive que deixar o aconchego da minha cidade para seguir com a minha curiosidade. Entrei em contato com o professor Silvio Nihei no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo para saber se ele aceitaria me orientar num projeto de estudo diferente do qual ele é especialista, as moscas. Ele me convidou para uma conversa em seu laboratório, onde ele já orientava um aluno com grilos, o qual também havia sido aluno do professor Chico em Botucatu. Assim, esse aluno, Pedro Souza-Dias, atuou como coorientador (não formal) durante o meu mestrado.
No meu projeto de mestrado (início em 2014), estudei um gênero de grilos chamado Eidmanacris. Esses grilos são muito interessantes do ponto de vista evolutivo por não produzirem som para cortejar as fêmeas e por possuírem um hábito cavícola, ou seja, são sempre encontrados em buracos e até em cavernas! Em minha dissertação eu redescrevi algumas espécies (que foram descritas há muito tempo e por isso, suas descrições estavam incompletas) e descrevi outras novas. Totalizando 29 espécies para o gênero Eidmanacris. Também fiz uma filogenia dessas espécies através das características de suas diferentes formas (morfologia). Apenas para explicar, uma filogenia nada mais é que uma hipótese de relacionamento de parentesco entre os táxons (nesse caso as espécies) através de suas características, sejam elas morfológicas, comportamentais ou até mesmo genéticas. Basicamente as que possuírem mais características em comum, são mais aparentadas do que as outras. Durante esse projeto, tive a oportunidade de visitar o Muséum national d’Histoire naturelle em Paris, França. Essa visita tive como objetivo analisar alguns espécimes para o meu projeto, para discutir o meu projeto e futuros projetos com uma das maiores especialistas em grilos do mundo, a professora Laure Desutter-Grandcolas.

Figura 1. A-Eidmanacris septentrionalis, macho. B-Eidmanacris neomarmorata, fêmea.

Ao finalizar o meu projeto de Mestrado, estava muito animado com tudo que ainda estava por vir. Novos projetos, pesquisas, cada dia conhecendo novos pesquisadores que pudessem me ajudar. E foi assim que, em 2017, comecei o meu Doutorado. O professor Silvio continua me orientando e sou coorientado pela professora Laure. Nesse novo projeto, estudo um grupo completamente diferente de grilos da região Neotropical (que compreende a América do Sul, América Central e o sul do México). São grilos de hábito arborícola (vivem na copa de árvore e em arbustos). Esses grilos possuem uma grande diversidade de asas e de formas. Isso foi o que mais me chamou a atenção neles e o objetivo do meu doutorado é desenvolver uma nova relação de parentesco entre esses grilos usando características morfológicas e genéticas para tentar entender como é que evoluíram as diferentes formas de asas que podem ser encontradas dentro desse grupo. Para isso tenho que estudar diversos exemplares que foram depositados em vários museus de História Natural, principalmente Europa e Estados Unidos.

Figura 2. A-Diatrypa tuberculata, macho. B-Asa em maior aumento com estruturas em destaque: a, fileira estridulatória; b, harpa; c, espelho; d, campo apical; e, campo lateral.

Ainda estou no começo do meu Doutorado e tenho muitas visitas a museus e muito trabalho a fazer. Espero que logo tenha muito mais a acrescentar a esse texto, com o desenvolvimento da minha pesquisa. Tudo isso para tentar sanar a curiosidade que começou lá na chácara dos meus pais quando eu ainda nem sabia direito quem eram os grilos.

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