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segunda-feira, 28 de maio de 2018

O enigma do glúten


Um artigo recentemente publicado na revista Science relata a polarização de opniões durante o simpósio sobre doença celíaca realizado na Universidade Columbia.

Todo mundo certamente já deve ter percebido que em embalagens de alimentos como o trigo e seus derivados a frase “contém glúten” está estampada. Além disso, vários restaurantes oferecem opções de pratos livres de glúten e supermecados possuem seções específicas para alimentos sem glúten. Mas afinal, o que é o glúten? E por que todo esse cuidado em produzir alimentos livres de glúten? Ele consiste em um complexo de proteínas presentes em sementes de cereais como trigo, cevada e centeio. Esse cuidado vem da necessidade de atender pessoas com a doença celíaca, uma disfunção do organismo devido a falta de uma ezima que quebra o glúten. Essa deficiência faz com que ele se acumule e o sistema imune reaja atacando a parede do intestino delgado. Isso provoca desconforto nos pacientes que apresentam dores e inchaço abdominal, diarréia, perda de peso e lesões na pele. Além disso, algumas pessoas possuem alergia às proteínas do trigo produzindo anticorpos que podem causar vômito, coceira e falta de ar.

No entanto, muitas pessoa que não foram diagnosticadas como celíacas (portadoras de doença celíaca) e que foram negativas quando testadas para alergia ao trigo têm apresentado sintomas semelhantes quando consomem trigo e melhoram quando cortam este alimento. Isso faz com que muitos médicos acreditem em outro tipo de sensibilidade alimentar ou em questões psicológicas.

Por isso, alguns pesquisadores passaram a explorar melhor este assunto e acreditam que estas pessoas tenham algum tipo de reação imune ao glúten ou a outra substância presente no trigo, o que é hoje conhecido como sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC). Por outro lado, outros cientistas acreditam que os pacientes estejam reagindo a um excesso de carboidratos conhecidos como FODMAPs (do inglês fermentable oligosaccharides, disaccharides, monosaccharides and polyols – em tradução livre polissacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis) presentes no trigo e em outros alimentos e que são mal absorvidos pelo intestino.

Na reunião em Columbia os pesquisadores se dividiam entre as duas ideias, mas, apesar disso, os próprios reconheciam que ambas podem explicar casos específicos. Outros cientistas criticam essa polarização alegando que ela pode causar ceticismo. Asssim, as pessoas preferem evitar o consumo destes alimentos do que sofrer com os sintomas. “Os pacientes estão retirando primeiro o glúten, depois a lactose e depois os FODMAPs – e eles estão em uma dieta muito ruim” afirma uma pesquisadora, que acredita que, apesar das dificuldades, pesquisas cuidadosas devem estar perto de resolver essa questão.

Para saber mais:
http://science.sciencemag.org/content/360/6391/848
https://super.abril.com.br/saude/a-polemica-do-gluten/
http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/surpresas_da_doenca_celiaca.html


Sobre o Autor: Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.

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