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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Zooplâncton pode ajudar na mistura de nutrientes no oceano

As águas dos oceanos sofrem processos de mistura causados por fatores físicos, como ondas e ventos. Porém, um recente estudo desenvolvido em laboratório demonstra o potencial das forças biológicas em causar estes efeitos.
Pesquisadores demonstraram que aglomerados de organismos conhecidos como zooplâncton (animais de poucos centímetros com pouca capacidade de locomoção) movimentando suas pequenas pernas são capazes de, em conjunto, criar correntes poderosas com força suficiente para misturar a água em centenas de metros de profundidade. Proposta na década de 1960, essa ideia vinha sendo debatida, mas nunca testada.


Para realizar os experimentos, foram criados tanques com água mais salgada no fundo e menos salgada no topo, criando um gradiente, semelhante ao que é observado nos oceanos. Neles, foram colocados milhares de pequenos camarões e luzes de LED ou laser foram usadas para atraí-los para cima ou para baixo do tanque. Os pesquisadores registraram, com o uso de câmeras, os movimentos dos animais e conseguiram medir os redemoinhos de água formados por cada camarão, além das correntes maiores resultantes do conjunto de redemoinhos. Eles verificaram também, que estes movimentos de água alteravam o gradiente de concentração de sal nos tanques.

Representação dos tanques construídos pelos pesquisadores para realizarem os experimentos.

Os cientistas acreditam que estes resultados devam ser observados nos oceanos e que outros tipos de animais como águas-vivas, lulas, peixes e mamíferos aquáticos também possam causar este efeito. Os achados desse trabalho podem afetar a maneira como os cientistas pensam sobre a influência dos animais no ambiente aquáticos, além de seus efeitos nos ciclos globais de nutrientes e correntes oceânicas.


Para saber mais:


Por: Adauto Cardoso
adautolimacardoso@gmail.com
Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.
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