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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Uma separação em andamento: África se divide em duas partes

Imagem da fenda formada em Mai Mahiu (créditos da foto: Tony Karumba)









No início de abril de 2018, diversos meios de comunicação noticiaram uma grande fenda (Imagem acima) que se formou em Mai Mahiu (sudoeste do Quênia) após a região passar por fortes chuvas, inundações e tremores. A fenda apresenta 10 km de extensão, máximo de 15 m de profundidade e, aproximadamente, 20m de largura.

Mas o que está acontecendo?

Na realidade, essa é só a ponta do iceberg... Digo, é só a superfície da fenda. A fenda se localiza na região próxima ao que é conhecido como Vale do Rifte. Os geólogos já esperam por fenômenos como esse na região, visto que o continente africano está se separando fisicamente em duas partes nessa região. O processo de separação ocorre por divergência de duas placas tectônicas, ou seja, uma se afasta da outra e, no futuro irão se separar completamente permitindo a formação de um oceano entre ambas, confira o vídeo abaixo:




A separação das placas tectônicas não é rápida, no caso da placa africana, esta iniciou sua separação da placa denominada Somali há cerca de 30 milhões de anos, se iniciando no Golfo do Áden e se prolongando até o Zimbábue (Figura 1). A estimativa do tempo para a separação completa das placas é de mais 30 milhões de anos e a taxa de separação varia de 2,5 a 5 cm por ano. É interessante lembrar que esse fenômeno é o mesmo que ocorreu há cerca de 138 milhões de anos e levou à separação entre a América do Sul e a África.


Figura 1: Ilustração do separação das placas Africana (à esquerda) e Somali (direita) indicada pela linha pontilhada.


Consequências:
Infelizmente, no momento da abertura dessa fenda, casas foram destruídas e a população não havia recebido qualquer previsão desse acontecimento. Dessa forma, é importante o monitoramento e predição de áreas de risco e um recente artigo apresentou um novo modelo de taxa de tensão geodésica para a região. Essa novidade deve contribuir para melhor prever regiões de maior risco de abalos sísmicos.



Por: Érica Ramos
erica.ramos00@gmail.com
Sobre a autora: Bióloga e Mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP, apaixonada pelo tema Educação e, também, editora desta página de Divulgação Científica. No momento atua como aluna de doutorado na UNESP, na área de Genética.

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