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quinta-feira, 15 de março de 2018

O que preciso para ser cientista?





Por: Adriane Pinto Wasko
awasko@ibb.unesp.br


Em termos simplificados, pesquisador é um profissional que faz pesquisa – quer saber a resposta de uma pergunta e, para isso, desenvolve uma investigação. Portanto, pesquisa refere-se à busca de determinada informação. O cientista é também um pesquisador, mas dos resultados e conclusões de suas pesquisas, discute seu trabalho de maneira mais ampla, procurando avançar em um campo do conhecimento científico. É cético, crítico e, a partir de uma resposta, elabora novas perguntas. O que é preciso, então, para ser realmente um cientista?

Talento, curiosidade, persistência, motivação, paixão, encantamento, vontade de estudar e capacidade de elaborar boas perguntas. Segundo um vídeo da Academia Brasileira de Ciências (http://www.abc.org.br/centenario/?-O-que-e-preciso-para-ser-um-cientista-284-), essas são habilidades e competências de cientistas. O cientista é um artista – não direcionado para a produção da arte, mas para a produção do conhecimento. Além disso, o cientista deve ser comprometido com a sociedade para que o conhecimento seja compartilhado de forma democrática e inclusiva. Como várias dessas características podem ser desenvolvidas ao longo de nossas vidas, estimular tais qualidades é, portanto, atuar no aprimoramento e formação de jovens estudantes e incentivar o desenvolvimento científico e tecnológico de nosso país.

Programas de pós-graduação, que atuam em diferentes campos da ciência, devem ter um conjunto de posturas e procedimentos próprios a seu compromisso com a formação e exercício profissional de seus alunos - jovens cientistas - e também de responsabilidade social. E é exatamente isso que o Programa “Difundindo e Popularizando a Ciência na Unesp: Interação entre Pós-Graduação e Ensino Básico” vem realizando, desde 2007. Esse programa tem o objetivo de difundir diferentes tópicos do conteúdo curricular do ensino médio e o conceito e a aplicação do Método Científico. Nele, alunos de mestrado e doutorado de diferentes programas de pós-graduação da Unesp de Botucatu desenvolvem, anualmente, cursos de férias para estudantes do ensino médio público, supervisionam atividades de pesquisa de bolsistas de Iniciação Científica Júnior, atuam junto a feiras de ciência e desenvolvem materiais didáticos lúdicos e alternativos, como revistinhas em quadrinhos, jogos, cartilhas, peças de teatro e experimentos de baixo custo.

Tais atividades encantam, estimulam e transformam tanto os alunos do ensino médio como da pós-graduação pois pautam-se na premissa de que o conhecimentos deve ser acessível a todos e, para isso, as formas de comunicação têm que ser coerentes, simples e imaginativas. Além disso, estas atividades baseiam-se na construção e valorização do pensamento científico, de forma que o ceticismo, a admiração, a curiosidade e o empirismo se tornem ações cotidianas e apaixonantes. Assim, é possível despertar jovens talentos para a ciência e também melhor formar e transformar academicamente alunos de mestrado e doutorado. Estes, além de habilidades técnicas e domínio intelectual do conteúdo associado a suas dissertações ou teses, passam a ter competências diversas associadas à prática de ensino, comunicação, trabalho em equipe, capacidade de liderança e pensamento criativo, características cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho.

Para ser um cientista, é preciso ser capaz de ver além do senso comum. É compreender que o sucesso profissional exige mais do que habilidades de laboratório e artigos científicos publicados. É também necessário ter a capacidade de perceber, idealizar, sonhar e almejar mais do que o corriqueiro e ter a mente aberta para novas experiências. E, não menos importante, é ter um papel transformador da sociedade.

Atividades e materiais voltados à construção e valorização do pensamento científico e desenvolvidos, de forma integrativa, entre alunos do ensino médio e da universidade.

Sobre a autora: Bióloga, Mestre e Doutora em Genética e Evolução e Docente do Instituto de Biociências de Botucatu - Unesp, é encantada pelo mundo e pelas pessoas. Tem paixão por ministrar aulas e desenvolver atividades de ensino e divulgação científica pois entende que estas ações ainda podem mudar o mundo.

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