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sexta-feira, 2 de março de 2018

CSI 010: Pele de peixe como curativo ?!




Por: Camila Cristina
cris_camila@yahoo.com.br

No episódio 6, da série The Good Doctor, nós acompanhamos o caso de uma paciente que sofreu sérias queimaduras nos braços e colo, e o tratamento aplicado foi a utilização de pele de tilápias como bandagem. Assim, surge a dúvida: existe um tipo de curativo ou tratamento que utiliza pele de tilápia na vida real?! Será que dá certo?

Imagem do episódio de The Good Doctor.

Primeiramente podemos dizer que sim, o tratamento de queimaduras com pele de tilápia é recente mas existe! Ele está sendo estudado e utilizado em testes clínicos aqui mesmo, no nossa país. O tratamento foi desenvolvido no Ceará e promete ser mais eficaz e econômico para a cicatrização de queimaduras quando comparado ao tratamento atual.





No Brasil, o tratamento local de queimaduras é feito com pomada sulfadiazina de prata sulfadiazina de prata e o curativo de gases, que deve ser trocado diariamente, se tornando um tratamento trabalhoso além de muito doloroso para o paciente.  A sulfadiazina de prata é utilizada para impedir a infecção, porém ela não impede a desidratação. Dessa forma, em 2011, o médico pernambucano Marcelo Borges pensou em utilizar a pele da tilápia no tratamento das queimaduras. Nesse novo procedimento, é necessário a obtenção da tilápia, retirada e limpeza de sua pele e esterilização inicial. Em seguida, o material é enviado para São Paulo, onde passa por uma radioesterilização . Por fim, o material volta para o banco de peles do estudo e, dentro de 20 dias, as peles ficam refrigeradas e podem ser utilizadas para tratamentos em até dois anos.



As análises da pele de tilápia revelaram que ela contém uma grande quantidade de colágeno tipo 1 e 3, que são proteínas importantes para a cicatrização. Além disso, a pele tem alto grau de resistência à quebra e elevado grau de umidade, características ideais para um curativo. Além de provocar melhor cicatrização, mais umidade e resistência, a pele de tilápia possui a vantagem de não precisar ser trocada diariamente.


Neste momento, a equipe que estuda a pele da tilápia é composta por 65 colaboradores. E, eventualmente, a técnica pode ser utilizada em outros hospitais do Brasil e até em outros países.

E aí, o que acharam desse tratamento?



Sobre a autora: Biomédica e mestranda em Genética Humana e Médica pela UNESP de Botucatu.

Para mais detalhes sobre a matéia:

Moraes-Filho, E. (2017). Uso da pele de tilápia (Oreochromis niloticus), como curativo biológico oclusivo, no tratamento de queimaduras. Revista Brasileira de Queimaduras, 16(1), 10–17. Retirado de: http://rbqueimaduras.com.br/details/341/pt-BR/uso-da-pele-de-tilapia--oreochromis-niloticus---como-curativo-biologico-oclusivo--no-tratamento-de-queimaduras

Moraes-Filho, E. (2017). Uso da pele de tilápia (Oreochromis niloticus), como curativo biológico oclusivo, no tratamento de queimaduras. Revista Brasileira de Queimaduras, 16(1), 10–17. Retirado de: http://rbqueimaduras.com.br/details/341/pt-BR/uso-da-pele-de-tilapia--oreochromis-niloticus---como-curativo-biologico-oclusivo--no-tratamento-de-queimaduras

https://www.statnews.com/2017/03/07/tilapia-queimaduras/

https://veja.abril.com.br/saude/pele-de-tilapia-a-nova-promessa-no-tratamento-de-queimaduras/

http://www.businessinsider.com/tilapia-fish-skin-burn-treatment-brazil-2017-5 



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