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segunda-feira, 19 de março de 2018

Cérebro após a morte: cientistas descrevem com precisão como acontece a parada na atividade elétrica




Por: Érica Ramos
erica.ramos00@gmail.com



Em hospitais e clínicas muitos pacientes acometidos por determinadas doenças ou traumas acabam por sofrer morte cerebral. Esse processo ocorre após a atividade dos neurônios, principais células do cérebro, cessar e esses começarem a morrer. Isso já está mais que comprovado.

Entretanto, cientistas de Berlim (Alemanha) e Cincinatti (EUA) não pararam por aí e conduziram um estudo para melhor entender o que, exatamente, ocorre na atividade elétrica do cérebro do momento em que o cérebro não recebe mais sangue até a sua morte efetiva.

Para isso, selecionaram 10 pacientes que estavam vivos apenas com o auxílio de aparelhos, após terem sofrido algum acidente vascular cerebral ou parada cardíaca. Essas pessoas não tinham nenhuma chance de sobreviver e, com a autorização dos familiares e aprovação do comitê de ética, os pesquisadores somente monitoraram a atividade cerebral após o desligamento dos aparelhos.

Assim, eles inseriram eletrodos no cérebro desses pacientes e descreveram nos mínimos detalhes as alterações elétricas de diferentes regiões do cérebro.

O que foi observado:
1- Minutos após o desligamento dos aparelhos, o suprimento de sangue do cérebro cessa e, por consequência, os neurônios (até então com atividade normal) deixam de receber oxigênio.
2- Assim que os neurônios param de receber oxigênio (combustível para toda a atividade dessas células), dois processos possíveis aconteceram (em diferentes cérebros): Depressão dispersadepressão não-disersa (simultânea).
3- Alguns segundos após a depressão da atividade neuronal acontecer (seja ela dispersa ou não) há o fenômeno de onda de despolarização dispersa dos neurônios (imagem abaixo) e estes começaram a morrer e o processo passa a ser irreversível.

Onda de despolarização do cérebro durante morte cerebral. Do lado direito gráficos da atividade elétrica  (electrodes), pressão arterial (arterial pressure) e respiração (respiration). Conforme a pressão arterial cessa e, em conjunto, a respiração (que utiliza oxigênio para produzir energia), há despolarização dos neurônios mensurada pelos eletrodos, modificando a atividade elétrica.

O que isso tem de novo?
Primeiramente, até agora ninguém havia monitorado tão de perto esses processos em humanos, somente em animais. Além disso, talvez a conclusão mais importante, a depressão da atividade neuronal que ocorre de forma simultânea em todas os neurônios não havia sido descrita para esses casos.

O que podemos esperar de consequências desse estudo?
Conhecer cada passo da morte cerebral é essencial para, futuramente, desenvolver mecanismos de intervenção. Dessa forma, se conhecemos o tempo que leva e como ocorre é possível agir e evitar. No caso deste estudo, sabendo da depressão dispersa e da depressão simultânea como dois mecanismos que podem ocorrer antes da despolarização e qual a duração deles, torna possível (teoricamente!) reverter o fluxo sanguíneo para o cérebro e evitar a morte cerebral.


Sobre a autora: Bióloga e Mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP, apaixonada pelo tema Educação e, também, editora desta página de Divulgação Científica. No momento atua como aluna de doutorado na UNESP, na área de Genética.

Quer saber mais?
-Em inglês:
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/pdf/10.1002/ana.25147 (artigo original do estudo)
-Em português:
http://www.bbc.com/portuguese/internacional-43366608
https://www.youtube.com/watch?v=8s6EVZ6JcoU
Imagem:
http://www.cosbid.org/terminal-spreading-depolarization-and-electrical-silence-in-brain-death/


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