Aba

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Minha querida pesquisa – Talita R. Aleixo de Almeida



Bióloga e mestre em Genética pela
Universidade Estadual Paulista “Júlio
de Mesquita Filho”. Câmpus de
Botucatu/SP, aluna de doutorado
pela em Ciências Biológicas
(Genética) pela mesma instituição.


Lembro-me que trabalhar na área biológica foi algo que me despertou interesse desde criança e isso se confirmou nos anos finais do Ensino Fundamental, quando a professora de ciências ministrou aulas com conteúdo básico de Genética. A frase mencionada pela professora em aula “o gafanhoto é verde porque vive na grama ou vive na grama porque é verde?”, utilizada para explicar a teoria da seleção natural, me instigou a estudar mais sobre o assunto e também sobre as outras áreas da Biologia. Assim, decidi que estudaria Ciências Biológicas.
Ingressei na UNESP (Universidade Estadual Paulista) em 2007. Durante a graduação, realizei estágios de iniciação científica e de extensão universitária em diferentes áreas, como anatomia, química, zoologia e educação. Já nos anos finais do curso iniciei estágio no departamento de genética. Onde decidi que faria mestrado na área de Genética da Conservação.
Mas o que é genética da conservação e por quê estuda-la?
Embora o termo seja bastante popular hoje em dia, a genética da conservação é uma área de estudo que emergiu na década de 80. Ela se utiliza de marcadores moleculares para elucidar alguns aspectos relevantes da biologia da espécie com a finalidade de realizar o manejo e conservação, principalmente de espécies ameaçadas. Durante as últimas décadas, algumas espécies tiveram seu número populacional reduzido de forma drástica como consequência direta ou indireta das ações humanas. Dessa forma, uma grande parte da variabilidade genética das espécies pode ser perdida. Essa perda de variabilidade pode resultar em limitação no potencial de adaptação frente às mudanças ambientais. Além disso, a depressão por endogamia (reprodução entre parentes próximos), devido ao reduzido tamanho populacional, pode se tornar uma consequência inevitável para muitas espécies.
Durante o mestrado, minha pesquisa foi baseada no estudo de três populações naturais de arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), espécie de psitacídeo brasileiro categorizado como vulnerável de extinção (Figura 1a). Trabalhar com espécies ameaçadas requer alguns cuidados quanto ao processo da coleta de amostra biológica, visto que não é interessante que esses animais entrem em óbito. Para isso, utiliza-se a metodologia invasiva não-destrutiva de amostragem biológica, que nada mais é que a coleta de uma pequena quantidade de sangue da asa do animal (Figura 1b). Após a coleta, o sangue é armazenado em álcool e levado ao laboratório, onde nós extraímos o DNA do material e realizamos diferentes procedimentos para obtenção de resultados.

Figura 1a e Figura 1b
Foto: João Marcos Rosa

Ao final do projeto, pudemos identificar baixos níveis de variabilidade genética para espécie quando comparadas com de outros psitacídeos não ameaçados, além disso, as populações apresentaram diferenças genéticas significativas (estrutura genética populacional), a qual pode ser causada pela ausência de fluxo gênico entre elas. Para fins de conservação da espécie, com base nos dados gerados, nós sugerimos que as diferentes populações de arara-azul-grande do Brasil sejam manejadas independentemente uma das outras, visto que elas apresentam diferenças adaptativas como diferentes épocas de reprodução e de fontes de alimento. Além disso, esses animais devem ser continuamente monitorados, a fim de comparar os atuais dados de diversidade e diferença genética com dados futuros.
Atualmente, sou aluna de doutorado e continuo trabalhando na área da Genética da Conservação. Entretanto, o foco agora é na espécie Amazona vinacea, conhecido popularmente por papagaio-de-peito-roxo e que também é considerado ameaçado de extinção. Para esse projeto tenho utilizado marcadores nucleares e mitocôndrias, mas os relatos dos dados gerados serão descritos futuramente.

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