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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O que nos faz humanos? A resposta pode estar na química do cérebro


Por:
Alejandra Viviescas 
 mariale88@gmail.com
Sem dúvida nenhuma, o estabelecimento de comportamentos sociais e a aparição da linguagem, tiveram uma grande importância no sucesso evolutivo da nossa espécie. Essas características tão próprias dos humanos não estão presentes nos grandes primatas, os nossos parentes vivos mais próximos, que apresentam um estilo de vida mais agressivo e autônomo. Por muito tempo, os cientistas tentam entender quais são as características dos humanos que expliquem essa diferença com os grandes primatas, desta forma, explicando nossas tendências sociais. Uma característica bem conhecida é o tamanho do cérebro humano, que é até três vezes maior do que o cérebro de macacos de espécies próximas e, consequentemente, apresenta uma maior quantidade de conexões neuronais. No entanto, somente o tamanho do cérebro não é o suficiente para explicar as diferenças de comportamento observadas entre os diferentes grupos.

Um estudo, publicado no final do ano passado, tinha sugerido que diferenças na expressão gênica das regiões cerebrais poderiam desempenhar um papel no comportamento social dos humanos. Os resultados desta pesquisa mostraram uma maior secreção do neurotransmissor dopamina nos humanos.

Mais recentemente, cientistas da Universidade Ken State, nos Estados Unidos, publicaram um artigo que correlaciona os neurotransmissores presentes em vários grupos de primatas atuais com os comportamentos desses grupos, adicionalmente eles propuseram uma hipótese de como as mudanças na expressão gênica de neurotransmissores nos primeiros hominídeos teriam favorecido comportamentos que teriam lavado à criação de grupos cooperativos e, eventualmente, à sociedade.

Comparados com os outros macacos, o cérebro humano secreta altas quantidades de serotonina e baixas quantidades de acetilcolina. A acetilcolina está relacionada com comportamentos de agressividade e autonomia, enquanto que a serotonina está relacionada com comportamentos de cooperação. Esta mudança no ambiente cerebral teria levado à seleção natural de indivíduos (ancestrais dos humanos) com disposição à colaboração, enquanto que os outros grupos de grandes macacos, teriam se tornado menos cooperativos.

Esquema mostrando as mudanças de neurotransmissores nos primatas e as consequentes mudanças no comportamento.

A redução no tamanho dos caninos teria acontecido ao mesmo tempo do que a mudança nas quantidades de neurotransmissores. Os grandes primatas mostram seus caninos proeminentes para comunicar dominância ou agressividade, enquanto que nós humanos, mostramos nossos caninos, como no sorriso, geralmente para transmitir sentimentos de empatia e cooperação. Esta mudança no uso dos caninos suporta a teoria da seleção de indivíduos mais empáticos e cooperativos.

Chimpanzé e humano, mostrando os caninos.
Deste jeito, a seleção de comportamentos cooperativos, como a busca de comida em grupo ou a monogamia, teria permitido aos grupos de hominídeos colonizar novos habitats e, com o tempo, desenvolver as linguagens e a cultura.

Ainda faltam estudos para o desenvolvimento desta teoria e, um dos fatores limitantes, é que não podemos estudar a composição de neurotransmissores em fósseis. Mas esta é uma hipótese bem interessante que relaciona nossa química cerebral com as características sociais, fazendo com que a nossa espécie seja única.

Sobre a autora: Bióloga e mestre em biologia pela Universidade Nacional da Colômbia, estudante de Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP-Botucatu. Editora desta página de divulgação científica.

Ficou curioso? Acesse os seguintes links: http://www.pnas.org/content/early/2018/01/12/1719666115.full http://www.sciencemag.org/news/2018/01/dopamine-may-have-given-humans-our-social-edge-over-other-apes
http://science.sciencemag.org/content/358/6366/1027
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