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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Minha querida pesquisa - Janaina Macedo da Silva


Aluna do quinto e último
ano do recém-criado curso
 de Engenharia de bioprocessos 
e biotecnologia na UNESP Botucatu

De modo geral, sempre admirei profissões relacionadas à pesquisa e sempre esteve nos meus planos fazer uma faculdade que possibilitasse a minha atuação nesse campo. Em 2014 comecei a cursar Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia na UNESP (Universidade Estadual Paulista), um curso novo e pouco conhecido. Hoje, estou no último semestre de aulas letivas e estudei muito sobre matemática, biologia, física, química e algumas noções de empreendedorismo. Inicialmente, encontrei algumas dificuldades de compreender o que um engenheiro de bioprocessos e biotecnologia poderia fazer para melhorar a vida da população através de pesquisas, ou mesmo como poderia atuar em indústrias. No entanto, após quase 5 anos  inserida no mundo da biotecnologia percebo que o campo de atuação é gigantesco, sendo possível trabalhar com o meio ambiente, alimentos e bebidas, saúde e energia.
Mudar de cidade e estudar em período integral foi diferente de tudo que eu já havia experimentado, pois acaba sendo um pouco desgastante ter cerca de 8 horas de aula por dia e ainda cuidar das demais atividades. Mas esse novo estilo de vida acabou me trazendo mais responsabilidade e fez com que eu tivesse mais confiança nas minhas decisões.  Durante o início das minhas atividades laboratoriais eu encontrei dificuldades devido, principalmente, à falta de experiência. Nem sempre as coisas deram certo, porém, depois de muito planejamento e mudanças de planos, as coisas começaram a mudar e, felizmente, hoje compreendo que para se fazer pesquisa é necessário muita paciência e criatividade. Atualmente, me encontro dividida sobre o que fazer após o término da graduação, já que os investimentos em pesquisa estão cada vez menores. Porém acredito que possivelmente continuarei a estudar.
Durante o segundo e terceiro ano, atuei na área de química analítica, objetivando desenvolver materiais naturais como cebola, açaí, folhas de amora e celulose modificadas quimicamente para despoluir águas contaminadas com metais pesados, elementos tóxicos que quando em contato com o ser humano podem causar danos neurológicos, renais e hepáticos. A partir do quarto ano de faculdade, passei a atuar na área da proteômica, que consiste no estudo das proteínas, moléculas versáteis que possuem inúmeras funções importantes para o bom funcionamento dos organismos. A falta ou presença de algumas proteínas pode estar diretamente relacionada com o aparecimento de doenças. Sendo assim, essas moléculas podem funcionar como marcadores biológicos e, dependendo da presença ou não destas, é possível diagnosticar o desenvolvimento de doenças ainda em estágios iniciais, como o câncer.
A pesquisa desenvolvida por mim e demais integrantes do LBM (Laboratório de Bioanalítica e Metaloproteômica) sob orientação do Professor Dr. Pedro de Magalhães Padilha no Departamento de Química e Bioquímica procura encontrar proteínas que possam funcionar como biomarcadoras para o diabetes tipo 1 e hipertensão. Sabe-se que, quando essas duas doenças passam a coexistir, causam danos nos rins que culminam no desenvolvimento de uma terceira doença, a nefropatia diabética, principal causa de insuficiência renal crônica e hemodiálise no Brasil, diminuindo a expectativa e qualidade de vida dos pacientes. A pesquisa está sendo realizada a partir da prospecção das proteínas de interesse no tecido renal de ratos que foram distribuídos em quarto grupos diferentes: Grupo 1 = Ratos normais; Grupo 2 = Ratos hipertensos; Grupo 3 = Ratos diabéticos e Grupo 4 = Ratos diabéticos e hipertensos. Resumidamente, o grupo retirou os rins dos animais e a partir de soluções específicas, extraiu a maior parte das proteínas que se encontravam no órgão. Então, através de uma técnica laboratorial chamada Eletroforese 2D separamos essas proteínas com base na sua carga elétrica e peso molecular. Em seguida, foi feita uma análise das proteínas encontradas nos diferentes grupos analisados, com a finalidade de selecionar proteínas que estavam presentes ou ausentes nos grupos (figura 1). O próximo passo será a análise dessas proteínas através de uma técnica denominada espectrometria de massas, que irá fornecer dados sobre as proteínas selecionadas, tais como estrutura e função, possibilitando um estudo mais aprofundado da ação dessa molécula no mecanismo de fisiopatologia do diabetes, hipertensão e nefropatia diabética.

Figura 1. Representação da separação de proteínas contidas no tecido muscular do peixe tucunaré. Os circulados indicam proteínas de interesse. Fonte: Vieira, JCS et al. 2015.

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