Aba


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Como as plantas se reproduzem? Material de incentivo ao ensino de Botânica



Por: Maríllia Monteiro Quinalha
marilia_quinalha@yahoo.com.br


Capa da história em quadrinhos "Como as plantas se reproduzem"
Muitas vezes, no ensino de Ciências e Biologia, a Botânica é uma área desvalorizada e negligenciada, situação que tem como causas principais as inúmeras dificuldades encontradas no processo de ensino. Geralmente, os conteúdos de Botânica são ensinados de forma teórica, consistindo na memorização de inúmeros termos científicos, um dos motivos que torna a área pouco atrativa.
O expressivo desinteresse pela Botânica também é decorrente da ausência de atividades práticas e de integração dessa área da Biologia com outras áreas do conhecimento científico. Além disso, a falta de associação desses conteúdos com o cotidiano dos alunos e a carência de materiais que possam auxiliar no processo de ensino-aprendizagem são fatores que influenciam, significativamente, o ensino de Botânica.
Assim, a história em quadrinhos “Como as Plantas se Reproduzem” foi elaborada com o objetivo de auxiliar as aulas de Botânica e Ecologia, bem como tornar essas áreas mais interessantes para os alunos. O material educativo é gratuito e possui uma abordagem interdisciplinar, com linguagem simples e informal. Somado a isso, sua proposta corrobora com os princípios dos parâmetros curriculares nacionais, que propõem o estudo das interações entre os seres vivos de forma mais ampla e integrada.
Entre os assuntos abordados no material, destacam-se a reprodução das Angiospermas (plantas com flores), a morfologia das estruturas reprodutivas desse grupo e aspectos ecológicos como a polinização e a dispersão de sementes. Desse modo, os professores de Ciências ou Biologia, durante suas aulas, podem utilizar a história em quadrinhos “Como as Plantas se Reproduzem” como material introdutório no ensino do conteúdo sobre a reprodução das plantas. Posteriormente, para reforçar o conteúdo teórico aprendido seria interessante realizar, por exemplo, atividades práticas ao ar livre, permitindo que os alunos possam reconhecer as estruturas florais e as interações entre as plantas e os polinizadores.

Para conhecer a cartilha e suas possibilidades de uso no ensino, confira o link abaixo.
http://www.ibb.unesp.br/Home/Departamentos/Fisiologia/ComunicacaoAnimal/hq_final_baixa-resolucao2.pdf

Sobre a autora: Bióloga e mestre em Botânica pelo Instituto de Biociências da UNESP de Botucatu, doutoranda em Ciências Biológicas (Botânica) pela mesma instituição. 


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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O cérebro em cores

Imagem: conexões no cérebro de um jovem adulto saudável. Obtida por Alfred Anwander, do Instituto Max Planck, Alemanha. A imagem foi uma das vencedoras do prêmio Wellcome Images 2016

A imagem desta semana mostra fibras nervosas, que servem para conectar diferentes partes do cérebro. As fibras destacadas em vermelho comunicam os lados esquerdo e o direito do cérebro, as azuis ligam o encéfalo à coluna vertebral, enquanto as verdes são as responsáveis pela comunicação entre as partes frontais e posteriores do cérebro. A imagem foi feita utilizando-se uma técnica chamada Tractografia, que combina ressonância magnética e informática.

Quer ver as células do cérebro em cores? Confira nossa postagem sore Bainbow (brain + rainbow).

Veja mais vencedores do Wellcome Images no site da premiação (Em inglês) ou no Tumblr do Ciência Hoje (Em Português).


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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O que nos faz humanos? A resposta pode estar na química do cérebro


Por:
Alejandra Viviescas 
 mariale88@gmail.com
Sem dúvida nenhuma, o estabelecimento de comportamentos sociais e a aparição da linguagem, tiveram uma grande importância no sucesso evolutivo da nossa espécie. Essas características tão próprias dos humanos não estão presentes nos grandes primatas, os nossos parentes vivos mais próximos, que apresentam um estilo de vida mais agressivo e autônomo. Por muito tempo, os cientistas tentam entender quais são as características dos humanos que expliquem essa diferença com os grandes primatas, desta forma, explicando nossas tendências sociais. Uma característica bem conhecida é o tamanho do cérebro humano, que é até três vezes maior do que o cérebro de macacos de espécies próximas e, consequentemente, apresenta uma maior quantidade de conexões neuronais. No entanto, somente o tamanho do cérebro não é o suficiente para explicar as diferenças de comportamento observadas entre os diferentes grupos.

Um estudo, publicado no final do ano passado, tinha sugerido que diferenças na expressão gênica das regiões cerebrais poderiam desempenhar um papel no comportamento social dos humanos. Os resultados desta pesquisa mostraram uma maior secreção do neurotransmissor dopamina nos humanos.

Mais recentemente, cientistas da Universidade Ken State, nos Estados Unidos, publicaram um artigo que correlaciona os neurotransmissores presentes em vários grupos de primatas atuais com os comportamentos desses grupos, adicionalmente eles propuseram uma hipótese de como as mudanças na expressão gênica de neurotransmissores nos primeiros hominídeos teriam favorecido comportamentos que teriam lavado à criação de grupos cooperativos e, eventualmente, à sociedade.

Comparados com os outros macacos, o cérebro humano secreta altas quantidades de serotonina e baixas quantidades de acetilcolina. A acetilcolina está relacionada com comportamentos de agressividade e autonomia, enquanto que a serotonina está relacionada com comportamentos de cooperação. Esta mudança no ambiente cerebral teria levado à seleção natural de indivíduos (ancestrais dos humanos) com disposição à colaboração, enquanto que os outros grupos de grandes macacos, teriam se tornado menos cooperativos.

Esquema mostrando as mudanças de neurotransmissores nos primatas e as consequentes mudanças no comportamento.

A redução no tamanho dos caninos teria acontecido ao mesmo tempo do que a mudança nas quantidades de neurotransmissores. Os grandes primatas mostram seus caninos proeminentes para comunicar dominância ou agressividade, enquanto que nós humanos, mostramos nossos caninos, como no sorriso, geralmente para transmitir sentimentos de empatia e cooperação. Esta mudança no uso dos caninos suporta a teoria da seleção de indivíduos mais empáticos e cooperativos.

Chimpanzé e humano, mostrando os caninos.
Deste jeito, a seleção de comportamentos cooperativos, como a busca de comida em grupo ou a monogamia, teria permitido aos grupos de hominídeos colonizar novos habitats e, com o tempo, desenvolver as linguagens e a cultura.

Ainda faltam estudos para o desenvolvimento desta teoria e, um dos fatores limitantes, é que não podemos estudar a composição de neurotransmissores em fósseis. Mas esta é uma hipótese bem interessante que relaciona nossa química cerebral com as características sociais, fazendo com que a nossa espécie seja única.

Sobre a autora: Bióloga e mestre em biologia pela Universidade Nacional da Colômbia, estudante de Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP-Botucatu. Editora desta página de divulgação científica.

Ficou curioso? Acesse os seguintes links: http://www.pnas.org/content/early/2018/01/12/1719666115.full http://www.sciencemag.org/news/2018/01/dopamine-may-have-given-humans-our-social-edge-over-other-apes
http://science.sciencemag.org/content/358/6366/1027
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Ciência e Política: sobreviver em primeiro lugar


Por: Rodrigo I. Francisco Maia
framaiari@gmail.com


Salários atrasados. Recursos contados. Agências em crise. Universidades travadas. A crise na ciência brasileira vai além disso e tem sua essência na política do Estado e dos governos, os quais demonstram uma clara orientação de interesses políticos. Há meses que notícias sobre a crise da educação e da ciência indicam um quadro gravíssimo de condições de trabalho e estudos em todos os âmbitos: da pré-escola aos centros de pesquisa. E porque tal crise tem conexão com a política?
Política também é uma ciência. Possui suas particularidades enquanto tal, tem também seus métodos, conceitos e objetivos. Por isso a questão dos interesses políticos dos governos no Estado há uma lógica e explicação. Ainda que políticos não sejam cientistas políticos, o exercício da política é feito pelos primeiros, enquanto os segundos buscam interpretações e lições que possibilitem um entendimento da realidade. Seria razoável, então, que políticos usufruíssem desta ciência. Mas, tal como a ciência, a política está longe e é incapaz de ser neutra. Nem mesmo a ciência política o é. O que se pode afirmar, portanto, é que os problemas pelos quais passam todas as ciências no Brasil fazem parte de uma determinada perspectiva política na qual Estado, governos e partidos específicos determinam o que é e o que não será.
É comum na ciência política a definição de que o Estado tem por missão a defesa de sua própria existência. Governos são eleitos, ou se auto-impõem como governos, e quando estão em vigência são os governantes a escolher os responsáveis por cada setor de importância para o país (por ex. agricultura, indústria, relações exteriores). Presumimos que os ministros nomeados para os ministérios estejam em consonância com os governantes – não teria sentido se fosse o contrário – e que as determinações dos governos sejam cumpridas por seus ministros, pois o interesse é preservar o governo e salvaguardar o Estado. Assim, com um aparelhamento político sem igual, através da cooptação de diversos partidos, o atual governo realizou drásticos cortes de financiamentos em quase todas as áreas enquanto alguns setores da sociedade vivem uma profunda crise. Esta é uma escolha pela sobrevivência, sobrevivência de um governo que existe para atender interesses particulares, no qual ciência e educação não são tidas como prioridades.
Ainda que a constituição brasileira, única no mundo neste sentido, garanta um percentual fixo de repasse de verbas para a educação e outras áreas, as cifras não são das mais generosas e indicam uma concepção de ciência e educação que permeia o Estado brasileiro e seus interesses. Algumas comparações elementares podem ser feitas a respeito da recente política Estatal: de um lado temos a manutenção do Brasil como um país basicamente agro-exportador de commodities (por ex. soja, carne e minérios) e a incrementação dos lucros dos grandes bancos privados; de outro, o corte em 42% dos repasses para o setor da educação e 44% na ciência e tecnologia. A comparação é simples e pode nos oferecer um olhar sobre a importância e a hierarquia de determinadas áreas econômicas em detrimentos de outras: por exemplo, de um lado o perdão da dívida de 20 bilhões de reais de apenas um grande banco, de outro, o corte de 4 bilhões de reais na educação e um pouco mais de 2 bilhões de reais na ciência e tecnologia. Ainda que seja este um único exemplo, ele tem o poder de demonstrar a profundidade do problema, pois num único exemplo encontramos uma diferença muito grande entre os cortes na ciência e educação e os lucros de apenas um grande banco privado.
Os exemplos poderiam ser vários. A diferença é grande e, ainda que sejam “apenas” 4 e 2 bilhões, é o suficiente para mandar a educação e ciência para o resfriador. Mas é essa a forma pela qual o governo, utilizando mecanismos burocráticos do Estado, escolheu atuar em benefício de um setor privado da sociedade, em detrimento de interesses públicos. Os cortes não são novidades e a estrutura da educação e da ciência brasileiras já suportaram outras crises. Desta vez, o problema foi além dos limites que tal estrutura suporta. Cortes de bolsas, fechamento de salas de aula, desemprego, estagnação e paralisia de diversos setores de ensino e pesquisa. E tudo isso em conexão com o princípio já citado: a auto-sobrevivência. Como assim? Teria o Estado e o governo declarado guerra contra a sociedade em busca de sua sobrevivência? Em partes, tudo indica que sim. A guerra, na tradição clássica da ciência política, é a continuação da política, mas por outros meios e o que o Estado brasileiro tem feito, através de uma determinada política governamental, é submeter áreas de suma importância social à um regime de guerra.
A opinião diverge de uma visão cientifica, e em matéria de política a diferença é crucial. A política econômica liberal adotada pelo Estado em vigor há décadas não é mera vontade e opinião deste ou de outros governos, a particularidade do caso está na intensidade, velocidade e ferocidade dos ajustes realizados, os quais mantém forte a estrutura de um Estado que sabe fazer escolhas, de um Estado que está executando um projeto de sociedade, no qual ciência e educação sofrem danos estruturais e talvez irreversíveis, enquanto outros setores comemoram os lucros mesmo em tempos de crise.
Da ciência política deriva uma lição básica: a história de lutas é uma garantia de conquistas do povo e a política não é exclusividade do Estado e de políticos de profissão. Se a guerra é uma continuação da política, as lutas travadas pelo povo e que garantiram alguma base para a educação e ciência são uma forma de se fazer política na prática, mas de uma outra perspectiva e por um projeto de sociedade, bem diferente daquele que está em vigor (e que não foi eleito). Serão os próximos 20 anos realmente de contenção de gastos e “crescimento zero”?
Um teórico da ciência política definiu a “pequena política” como a política do cotidiano, fragmentada, corrupta e repleta de intrigas dentro de um projeto que já existe e é hegemonizado pelo Estado. O fato é que o problema da ciência e educação devem ser vistos como partes de um problema maior, um problema amplo, que requer novas lutas em defesa do que existia e com objetivos novos, voltados para a resolução de problemas sociais, pois os interesses privados já tiveram muito espaço no Estado e nos governos. Trata-se da sobrevivência do polo social oposto ao da pequena política realizada na esfera do Estado.


Sobre o Autor: Rodrigo I. Francisco Maia, mestre em relações internacionais pela Università degli Studi di Perugia, Itália; mestre em ciências políticas pela UNESP; graduado em ciências políticas também pela UNESP.
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Minha querida pesquisa - Janaina Macedo da Silva


Aluna do quinto e último
ano do recém-criado curso
 de Engenharia de bioprocessos 
e biotecnologia na UNESP Botucatu

De modo geral, sempre admirei profissões relacionadas à pesquisa e sempre esteve nos meus planos fazer uma faculdade que possibilitasse a minha atuação nesse campo. Em 2014 comecei a cursar Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia na UNESP (Universidade Estadual Paulista), um curso novo e pouco conhecido. Hoje, estou no último semestre de aulas letivas e estudei muito sobre matemática, biologia, física, química e algumas noções de empreendedorismo. Inicialmente, encontrei algumas dificuldades de compreender o que um engenheiro de bioprocessos e biotecnologia poderia fazer para melhorar a vida da população através de pesquisas, ou mesmo como poderia atuar em indústrias. No entanto, após quase 5 anos  inserida no mundo da biotecnologia percebo que o campo de atuação é gigantesco, sendo possível trabalhar com o meio ambiente, alimentos e bebidas, saúde e energia.
Mudar de cidade e estudar em período integral foi diferente de tudo que eu já havia experimentado, pois acaba sendo um pouco desgastante ter cerca de 8 horas de aula por dia e ainda cuidar das demais atividades. Mas esse novo estilo de vida acabou me trazendo mais responsabilidade e fez com que eu tivesse mais confiança nas minhas decisões.  Durante o início das minhas atividades laboratoriais eu encontrei dificuldades devido, principalmente, à falta de experiência. Nem sempre as coisas deram certo, porém, depois de muito planejamento e mudanças de planos, as coisas começaram a mudar e, felizmente, hoje compreendo que para se fazer pesquisa é necessário muita paciência e criatividade. Atualmente, me encontro dividida sobre o que fazer após o término da graduação, já que os investimentos em pesquisa estão cada vez menores. Porém acredito que possivelmente continuarei a estudar.
Durante o segundo e terceiro ano, atuei na área de química analítica, objetivando desenvolver materiais naturais como cebola, açaí, folhas de amora e celulose modificadas quimicamente para despoluir águas contaminadas com metais pesados, elementos tóxicos que quando em contato com o ser humano podem causar danos neurológicos, renais e hepáticos. A partir do quarto ano de faculdade, passei a atuar na área da proteômica, que consiste no estudo das proteínas, moléculas versáteis que possuem inúmeras funções importantes para o bom funcionamento dos organismos. A falta ou presença de algumas proteínas pode estar diretamente relacionada com o aparecimento de doenças. Sendo assim, essas moléculas podem funcionar como marcadores biológicos e, dependendo da presença ou não destas, é possível diagnosticar o desenvolvimento de doenças ainda em estágios iniciais, como o câncer.
A pesquisa desenvolvida por mim e demais integrantes do LBM (Laboratório de Bioanalítica e Metaloproteômica) sob orientação do Professor Dr. Pedro de Magalhães Padilha no Departamento de Química e Bioquímica procura encontrar proteínas que possam funcionar como biomarcadoras para o diabetes tipo 1 e hipertensão. Sabe-se que, quando essas duas doenças passam a coexistir, causam danos nos rins que culminam no desenvolvimento de uma terceira doença, a nefropatia diabética, principal causa de insuficiência renal crônica e hemodiálise no Brasil, diminuindo a expectativa e qualidade de vida dos pacientes. A pesquisa está sendo realizada a partir da prospecção das proteínas de interesse no tecido renal de ratos que foram distribuídos em quarto grupos diferentes: Grupo 1 = Ratos normais; Grupo 2 = Ratos hipertensos; Grupo 3 = Ratos diabéticos e Grupo 4 = Ratos diabéticos e hipertensos. Resumidamente, o grupo retirou os rins dos animais e a partir de soluções específicas, extraiu a maior parte das proteínas que se encontravam no órgão. Então, através de uma técnica laboratorial chamada Eletroforese 2D separamos essas proteínas com base na sua carga elétrica e peso molecular. Em seguida, foi feita uma análise das proteínas encontradas nos diferentes grupos analisados, com a finalidade de selecionar proteínas que estavam presentes ou ausentes nos grupos (figura 1). O próximo passo será a análise dessas proteínas através de uma técnica denominada espectrometria de massas, que irá fornecer dados sobre as proteínas selecionadas, tais como estrutura e função, possibilitando um estudo mais aprofundado da ação dessa molécula no mecanismo de fisiopatologia do diabetes, hipertensão e nefropatia diabética.

Figura 1. Representação da separação de proteínas contidas no tecido muscular do peixe tucunaré. Os circulados indicam proteínas de interesse. Fonte: Vieira, JCS et al. 2015.

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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Microraptor gui, o dinossauro de quatro asas

Foto: Fóssil de Microceptor gui. A escala equivale a 5 cm. Retirado de Hone DWE, Tischlinger H, Xu X, Zhang F (2010) The Extent of the Preserved Feathers on the Four-Winged Dinosaur Microraptor gui under Ultraviolet Light. PLOS ONE 5(2): e9223. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0009223.

 Há 130 milhões de anos atrás, existia um dinossauro chamado Microceptor gui. Microceptor gui pertencia ao mesmo grupo que o Velociraptor, era pequeno como um pombo, tinha cor negra com reflexos azuis como um corvo, e possuía longas penas na cauda como um pavão. Além disso, tanto os membros anteriores como os membros posteriores do dinossauro eram modificados em asas, diferentemente de qualquer animal que exista hoje. Supõe-se que essas quatro asas conferiam ao dinossauro a habilidade de planar.
 Imagem: Ilustração de como Microceptor gui deveria parecer. Por Zhao Chuang, da Peking Natural Science Organization. Obtido no site do Museu Americano de História Natural.

Também, confira um vídeo de pesquisadores comentando sua pesquisa sobre o dinossauro, retirado do canal do Museu Americano de história Natural:

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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Novas espécies de aranhas encontradas no Brasil recebem nomes de personagens famosos de Game Of Thrones, o Senhor dos Anéis e outras obras de ficção

Por:
João Zamae 
 joaozamae@gmail.com
Araneae é uma ordem de artrópodes da classe Arachnida que inclui as espécies conhecidas pelos nomes comuns de aranhas ou aracnídeos, que se distribuem por todos os continentes com exceção da Antártida. Eles apresentam oito pernas, quelíceras que injetam veneno e diferenciam-se anatomicamente do restante dos artrópodes pelo corpo segmentado em cefalotórax e o abdômen.

Anatomia das aranhas
Apesar da elevada prevalência da aracnofobia, apenas a picada de cerca de 30 espécies das mais de 40.000 existentes é considerada perigosa para os humanos, sendo que atualmente são conhecidas 112 famílias, 3.905 gêneros e 44.032 espécies de aranhas, segundo o The World Spider Catalog. No entanto, acredita-se que ainda existam muitas espécies a serem descritas.

Nesse intuito, os pesquisadores do Instituto Butantan, da cidade de São Paulo, Dr. Antonio Brescovit, Dr. Igor Cizauskas e Dr. Leandro Mota foram para a Floresta Nacional de Carajás, no estado do Pará, onde indentificaram sete novas espécies pertencentes à Família Ochyroceratidae, cujos membros são caracterizados por apresentarem um tamanho bastante diminuto, não ultrapassando 2 mm, possuírem seis olhos e viverem no lixo ou em cavernas.

Membro da família Ochyroceratidae

No século XVIII o cientista Carl Linné determinou que os nomes científicos devem ser formados por duas palavras, sendo que a primeira identifica o gênero e a segunda o nome que vai diferenciar a espécie das outros já existentes. Muitos desses nomes estão em latim, mas podem ser escolhidas palavras de qualquer idioma, e, além disso, os nomes devem ser escritos em itálico ou negrito, com a letra inicial da primeira palavra em maiúsculo e a da segunda em minúsculo. Com essas regras, a primeira palavra dos nomes científicos só pode ser inventada se a espécie não pertencer a nenhum gênero que já existe, e para a segunda palavra os cientistas têm liberdade para escolher o nome que quiserem. E é aí que alguns deles usam toda a criatividade!

Para nomear essas novas espécies de aranha os pesquisadores do Butantan escolheram personagens d’A Guerra dos Tronos- Crônicas de Gelo e fogo, Harry Potter, O senhor dos Anéis, O Simarillion, H.P. Lovecraft- O Despertar de Cthulhu, A menina e o Porquinho e Little Miss Spider (sem título em português).

Capas das obras de ficção das quais foram extraídos os nomes para as novas espécies
A lista de nomes inspirados começa com Ochyrocera varys, devido ao personagem Lord Varys, d’As Crônicas de Gelo e Fogo. Lord varys é conhecido pelo codinome de “A Aranha” devido às suas habilidades de manipulação, e de comandar sua “rede de olhos e orelhas” ao longo de dois continentes.

Lord Varys interpretado pelo ator Conleth Hill
Já o nome Ochyrocera atlachnacha, refere-se ao deus aranha Atlach-Nacha de H.P. Lovecraft. Atlach-Nacha é uma aranha gigante com rosto humano que vive nas cavernas abaixo das montanhas e supostamente tece uma teia que liga o mundo real ao mundo dos sonhos.

Imagem-conceito de Atlach-nacha
Duas outras espécies foram nomeadas segundo personagens d’O Senhor dos Anéis. A primeira é Ochyrocera laracna, devido à aranha gigante (chamada de Laracna nos Estados Unidos e Shelob na Inglaterra) que ataca Frodo e Sam quando estes estão a caminho de Mordor, no segundo volume da série de livros, As Duas Torres. Outra espécie, Ochyrocera ungoliant, tem seu nome proveniente da mãe de Laracna, que aparece n’O Silmarillion, e, de acordo com a história, no idioma dos Elfos o nome Ungoliant significa aranha negra.

Esquerda: Laracna ataca Frodo. Direita: Ungoliant e Melkor
Da série Harry Potter veio o nome para Ochyrocera aragogue, uma referência à Aragog que vive na escuridão da Floresta Proibida, e no livro Harry Potter e a Câmara Secreta confronta Harry Potter e Ron Weasley.
Aragog confronta Harry e Ronnie
Já como tributos à literatura infantil os pesquisadores concederam o nome à Ochyrocera misspider, inspirado no personagem dos livros infantis do autor norte americano David Kirk Little Miss Spider, famoso pela sua frase “Nós temos que ser bons para com os insetos, todos os insetos”. E, por fim, Ochyrocera charlote como referência à personagem Charlotte, amiga do porquinho Wilbur, o personagem principal do livro.

Sobre o autor: Médico veterinário, especialista em oncologia animal, cursou residência e mestrado em patologia animal pela FMVZ-UNESP de Botucatu e atualmente é doutorando em oncologia pelo Programa de Patologia da FMB-UNESP de Botucatu, e membro do grupo ViriCan, onde investiga o uso de produtos naturais no tratamento dos cânceres.

Ficou curioso?
https://www.sciencedaily.com/releases/2018/01/180110112954.htm
https://zookeys.pensoft.net/articles.php?id=19778
https://doi.org/10.3897/zookeys.726.19778
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aranha
https://timfazciencia.com.br/para-saber-mais/criatividade-a-solta-em-nomes-cientificos/
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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Desvendando os memes




Por: Maria Laura
marialgk@gmail.com

Todos nós nos deparamos com centenas de memes por dia, principalmente nas redes sociais. Mas quando falamos de memes, estamos nos referindo apenas às piadas engraçadas da internet, certo? A resposta é não! O meme é um importante conceito, usado para explicar a Evolução Cultural, proposto por Richard Dawkins em seu polêmico livro O Gene Egoísta, de 1976.


Nesse contexto, memes são qualquer tipo de ideia ou elemento cultural- músicas, filmes, ideologias, costumes, teorias científicas, mitologia, etc. (e também piadas da internet, stricto sensu). De acordo com Dawkins, memes passam por um processo parecido com a seleção natural de genes. Por isso a palavra meme foi cunhada como junção das palavras “gene” e “memória”.

Como funciona a seleção natural de genes?

Os genes determinam as características físicas, comportamentais e metabólicas dos organismos. Por exemplo, uma flor lilás possui genes que determinam sua cor arroxeada. Porém, algumas características são mais favoráveis que outras.


Por exemplo, alguns pavões são mais coloridos que os outros. Os animais menos coloridos não são tão bons em atrair as fêmeas, e por isso têm menos filhotes. Já as aves mais coloridas são mais atraentes e assim têm maior número de filhos. Como os genes são hereditários, seus filhotinhos de pavão também serão coloridos. Por isso, ao longo do tempo, a população de pavões vai ter cada vez mais animais coloridos (reproduzem-se mais), e menos animais desbotados (reproduzem-semenos). Por isso, pavões coloridos são mais frequentes.

Esse processo em que animais com alguns genes se “dão melhor” que outros é chamado de seleção natural.

Como funciona a seleção memética?

Com os memes, acontece um processo bem parecido. Por exemplo, algumas piadas são mais engraçadas que outras. Piadas mais engraçadas serão compartilhadas, “retweetadas”, e encaminhadas para um maior número de pessoas. Já piadas sem graça não terão um grande alcance. Como consequência, após algum tempo a piada engraçada terá se tornado um viral em todas as redes sociais, enquanto aquela que ninguém entendeu terá desaparecido.


Agora, imagine que isso pode ocorrer com todos os tipos de memes: filmes mais ou menos populares, roupas mais ou menos na moda, objetos mais ou menos úteis, ideias mais ou menos convincentes. E assim o nosso universo cultural é alterado da mesma forma que as espécies são.

Porém, é interessante notar que essa maneira pela qual a nossa cultura evolui não necessariamente nos leva a “melhorias”. Afinal, as músicas mais populares são as mais “grudentas” ou as de melhor qualidade? Os hábitos da maioria das pessoas são os mais convenientes ou os mais ecologicamente sustentáveis? As características culturais que são selecionadas são sempre as eticamente corretas?

O que você acha? Deixe sua opinião nos comentários. Esperamos que vocês tenham gostado de descobrir o significado científico de meme. Se houver mais alguma coisa legal que vocês gostariam que nós comentássemos, é só deixarem suas sugestões abaixo!

Sobre a autora: Estudante de Graduação em Ciências Biológicas no Instituto de Biociências de Botucatu - UNESP, com período de Intercâmbio na Universidade de Glasgow. Realiza pesquisa sobre Biologia Molecular do músculo no Departamento de Morfologia do IBB-UNESP.
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Bate papo com Simone Cavalcante


Você conhece o povo indígena Funi-ô?



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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Acesso à infraestrutura urbana ao redor do mundo

Imagem: Mapa da acessibilidade às cidades. Obtido em: Weiss, D. J. et al. (2018) ‘A global map of travel time to cities to assess inequalities in accessibility in 2015’, Nature. Macmillan Publishers Limited, part of Springer Nature. Todos os direitos reservados. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1038/nature25181.

O mapa ilustra a facilidade de acesso à infraestrutura urbana ao redor do mundo, em termos de tempo de viagem até a cidade mais próxima. Em regiões mais claras, os habitantes levam menos tempo para se deslocar até a zona urbana, enquanto em regiões mais escuras o tempo de viagem pode ser superior a dez dias. A facilidade de se chegar à zona urbana é um indicador de vários fatores importantes, como acessibilidade a hospitais, escolas e Cultura.

O mapa também se destaca por ter altíssima resolução, o que foi conseguido graças à utilização de recursos online como o OpenStreetMap e o Google maps. Para saber mais sobre o projeto, acesse: map.ox.ac.uk/research-project/accessibility_to_cities/ e www.nature.com/articles/nature25181.
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Álcool e câncer, qual a relação?


Por:
Cristiane S. Alves 
cris_desantis@yahoo.com.br
Será que o consumo moderado de álcool pode causar câncer? E aquela cervejinha do happy hour e do final de semana?

A relação entre o consumo de álcool e o câncer sempre esteve em pauta, mas agora, um estudo publicado por cientistas da Universidade de Cambridge no Reino Unido, pela revista Nature, na primeira semana de 2018, pode ter desvendado o mecanismo de como o consumo de álcool pode causar câncer.

Danos ao DNA ocorrem ao acaso e todos nós estamos sujeitos a essas mutações aleatórias, que podem ocasionar diversas doenças, principalmente o câncer. Mas, este estudo sugere que o consumo de álcool pode aumentar as chances destas mutações acontecerem.

O grupo de pesquisa estudou essa relação em camundongos, e chegou à conclusão de que um dos compostos gerados durante o metabolismo do álcool, o acetaldeído, pode causar a quebra da dupla fita do DNA em células tronco hematopoiéticas, alterando seu DNA.

Desta maneira, as células recém geradas do sangue vão herdar tais alterações, podendo comprometer seu correto funcionamento e podem se espalhar pelo corpo.

Nosso organismo já está equipado com uma 'arma' contra o acetaldeído, uma enzima chamada de aldeído desidrogenase 2, ALDH 2. Esta enzima é capaz de transformar a substância tóxica - acetaldeído - em acetato, uma substância que as células utilizam como fonte de energia.

A ALDH2 quebra o acetaldeído assim que ele é formado. Mas como já sabemos, existem populações, como algumas populações do sudeste asiático, que possuem mutações no gene da ALDH2, e acumulam o acetaldeído no organismo quando ingerem álcool, causando vermelhidão facial e corporal, dor de cabeça, náuseas, vômito, taquicardia e mal-estar generalizado. Estas populações também são mais suscetíveis a cânceres de esôfago, faringe e do sangue.

No experimento do grupo de Cambridge, os pesquisadores utilizaram camundongos com mutações no gene da ALDH2 e verificaram que, após o consumo de álcool, tais camundongos sofrem 4 vezes mais danos no DNA do que os animais sem a mutação. Esses dados indicam um possível caminho para o entendimento de como o consumo de álcool pode desencadear o câncer.

Apesar de o estudo ter sido realizado com doses altas de álcool - 5,8 gramas por quilo - simulando um consumo excessivo da substância, sabe-se que o álcool pode causar câncer por outras vias, diferentes da estudada neste trabalho.

Fica a dica: moderação no consumo de álcool, sempre!



Sobre a autora:  pós-doutoranda do Laboratório de Telômeros no Departamento de Genética do IBB-UNESP de Botucatu. Bióloga pelo IBB-UNESP de Botucatu, com Mestrado e Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela mesma instituição, com período sanduíche na Universidade de Utah, em Salt Lake City e Cold Spring Harbor Lab, em Nova York, EUA.

Ficou curioso? Acesse os links abaixo:
Inglês:
https://www.nature.com/articles/nature25154
http://www.iflscience.com/health-and-medicine/alcohol-found-to-physically-break-dna-in-stem-cells-providing-potential-cause-for-cancer/

Português:
https://exame.abril.com.br/ciencia/alcool-danifica-dna-e-provoca-tumores-e-cancer/
https://www.brasil247.com/pt/saude247/saude247/335483/Consumo-de-álcool-Estudo-revela-como-ele-atinge-o-DNA-e-aumenta-o-risco-de-câncer.htm
https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/estudo-mostra-como-alcool-danifica-dna-aumenta-risco-para-cancer-22250436
https://g1.globo.com/bemestar/noticia/estudo-mostra-como-consumo-de-alcool-eleva-risco-de-cancer.ghtml
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Restos de alimentos viram adubo: Aprendendo compostagem na escola




Por: Fernanda Helena Palermo
fer.helena@yahoo.com.br



O que você faz com os restos de casca de frutas e verduras que sobram em sua casa? E aquelas frutas que acabam estragando?

Todos os dias, depositamos em nossos cestos de lixo toneladas de resíduos orgânicos que são levados para os aterros sanitários e, junto com outros resíduos não orgânicos, acabam agredindo o solo, água e atmosfera. E se esses restos de alimentos fossem utilizados para produzir mais alimentos? E ainda, dentro de nossas próprias casas? Já pensou em fazer isso em sua escola?

Por meio da compostagem, isso é possível!

Resíduos orgânicos podem ser de origem animal ou vegetal, como por exemplo, frutas, verduras, cascas de ovo, papel, madeira, carne, etc. Pouca gente sabe, mas esse material é muito rico e pode ser transformado em um composto (adubo) de ótima qualidade, utilizado para produção de hortaliças, ervas medicinais e condimentares, frutas e qualquer outro vegetal. Assim, além de diminuir a quantidade de lixo na sua cestinha e, consequentemente nos aterros sanitários, você pode aprender a cultivar diversos alimentos.

Para cada tipo de resíduo é necessário um cuidado especial. A decomposição de alimentos derivados de animais leva mais tempo e precisa de mais cuidado, assim recomenda-se que na compostagem doméstica sejam utilizados apenas alimentos de origem vegetal.

Hoje em dia, existem várias técnicas e materiais disponíveis para montar uma composteira doméstica. Você pode comprar uma pronta ou montar a sua utilizando baldes e cestos. O importante é entender como o processo ocorre e depois usar sua imaginação, podendo utilizá-la em sua residência, empresas, ambientes de trabalho e escolas.

O processo de compostagem é muito rico e, em um contexto escolar, pode contribuir para o ensino de diversos temas, como decomposição de materiais orgânicos e inorgânicos e ciclos da natureza, além do estudo dos microrganismos que atuam na decomposição da matéria orgânica e importância sócio-ambiental desta prática.

O que é compostagem?

A compostagem é um processo controlado de decomposição de matéria orgânica, que resulta num rico adubo. E isso ocorre pela ação de diversos microrganismos detritívoros e decompositores presentes no solo. Nas composteiras domésticas, as minhocas são nossas grandes aliadas! Algumas espécies têm a capacidade de digerir a matéria orgânica fresca e converter em húmus, um material muito fértil para as plantas. Esse processo é chamado de vermicompostagem ou compostagem com minhocas.

Por outro lado, existem alguns animais indesejados que, apesar de serem importantes para o meio ambiente, devem ser mantidos longe das composteiras domésticas, como as baratas, moscas e ratos. Eles aparecem, pois o processo de decomposição pode gerar odores que são atrativos para esses animais. A forma de manter eles afastados é utilizando uma matéria vegetal seca (folhas secas ou serragem – sem verniz) que vão evitar a emissão desses odores.

Que tipos de alimentos posso colocar na composteira doméstica?

Todos alimentos de origem vegetal, como: frutas, verduras, legumes. Cascas de ovo, sementes, sachês de chá (retire a etiqueta) e borra de café também são bem vindos. Quanto mais diverso, mas rico em nutrientes será seu composto.

O que devo evitar colocar na composteira?

Alimentos de origem animal como carnes e derivados do leite, por exemplo: iogurte, leite, manteiga, queijo. Óleos e gorduras, fezes de animais e papeis também devem ser evitados. Se houver minhocas em sua composteira, também deve-se evitar o excesso de frutas cítricas (laranja e limão), cebola e alho.

Fazendo sua composteira de balde

Sua composteira está pronta para usar!

Cuidando de sua composteira

O que podemos aprender com a compostagem na escola?

Diversos temas podem ser trabalhados a partir da compostagem, como por exemplo, a importância do ciclo de nutrientes na natureza, estabelecendo a importância do cuidado com os resíduos orgânicos e não orgânicos para o meio ambiente; identificar o que é resíduo orgânico e aprender sobre seu processo de decomposição; a importância dos microrganismos no processo de compostagem e manutenção dos ecossistemas e ainda aprender a cultivar alimentos utilizando o adubo feito em sala de aula!

Outros modelos de composteiras domésticas:
Utilizando balde de margarina: http://ciclovivo.com.br/noticia/aprenda-a-fazer-uma-composteira-caseira-reutilizando-baldes-de-margarina/

Utilizando caixas empilháveis:
https://issuu.com/moradadafloresta/docs/compostasp_manual_compostagem

Sites interessantes sobre o assunto:
www.grupocurare.com.br
https://sitiocurupira.wordpress.com/
https://moradadafloresta.eco.br/
https://compostasaopaulo.moradadafloresta.eco.br/

Sobre a Autora: Bióloga (Unesp-SP) e mestranda em Ciências Biológicas na área de Botânica pela UNESP de Botucatu, SP e membro do Grupo Curare que atua com ensino de Permacultura em Botucatu, SP.

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Sobre o valor da filosofia e a validade do método científico para fazer ciência




Por: Marcelo Santis
mrclsantis@gmail.com


Qual o objetivo da ciência? Muitos responderão que é a aquisição que sempre tem a tendência de aumentar o nosso entendimento, compreensão e esclarecimento do mundo.

Ciência, segundo a maioria, além de ter inicialmente a propriedade de descrição dos eventos ou fenômenos a serem julgados e analisados, tem pelo menos dois objetivos principais: previsão e explicação. O primeiro deles fornece conhecimento do que acontece; o segundo é suposto fornecer conhecimento de por que as coisas acontecem como elas são. Com isso, estamos preocupados como é a investigação científica, para chegar a um corpo de conhecimento testável e bem suportado pela evidência .
E como obtemos esse conhecimento? Um dos métodos mais famosos e altamente discutido em livros-texto de introdução de ciências, é o “método científico”. Seria um protocolo ou manual, em que se o seguirmos estamos sendo “bons” cientistas”. Mas, essa seria a maneira mais correta para se obter as explicações?
Podemos obter essa resposta, vamos considerar o que a filosofia, mais especificamente, a filosofia da ciência, pode nos dizer de como e de que maneira podemos obter essa resposta. "Filosofia da ciência" é o nome dado a esse ramo da filosofia que reflete e analisa criticamente a ciência. Como disciplina, tenta compreender os objetivos e métodos da ciência, juntamente com seus princípios, práticas e conquistas.
A filosofia da ciência aborda algumas das seguintes questões:
·       É possível dar uma descrição geral da metodologia científica, ou existem diferentes métodos e formas de explicação para vários ramos da ciência?
·       Como as ciências físicas, biológicas e sociais diferem umas das outras?

O que a filosofia da ciência nos aponta é que o problema do método científico é que ele não abrange toda a ciência. Em resumo, a ciência pode ser feita dessa maneira, mas não precisa ser. Podemos começar essa discussão constatando que ciência não começa com as interpretações (proposições) de observação, uma vez que algum tipo de teoria as acompanha. As interpretações da observação não constituem uma base firme na qual o conhecimento científico pode ser fundamentado porque são sujeitas a falhas. A principal falha em confiar nas proposições de observação é que nossos sentidos e percepção do mundo são bastante subjetivos (algo baseado na interpretação pessoal).
Um exemplo muito simples, sobre a ilusão dos nossos sentidos é o fenômeno da observação da lua. Quando é alto no céu, a lua parece muito menor do que quando é baixa no horizonte. Isso é uma ilusão. A lua não muda de tamanho nem a distância da terra altera durante as poucas horas que leva para que sua posição relativa seja submetida à mudança necessária. No entanto, nossa mente realiza esse procedimento, pois está bem adaptada aos objetos que estão na Terra e não em órbita ao redor do espaço. 
Mas será tão simples e não problemática essa questão?


Agora podemos partir de exemplos mais complexos. Dentro da discussão sobre as nossas observações, o filósofo N. R. Hanson nos coloca diante de uma subdeterminação da interpretação. O que a seguinte figura deveria ser? Suas retinas e as minhas são igualmente afetadas. Mas nós vemos a mesma coisa? Seria um pato ou um coelho?
Porém, vamos agora fazer um novo exercício, mas mudando o contexto das circunstâncias.
O contexto claramente nos dá a pista sobre qual aspecto do coelho-pato é apropriado: em tal contexto, algumas pessoas não conseguiram ver a figura como um coelho. Embora neste contexto:
Tais "contextos" são muitas vezes carregados conosco em nossas cabeças, tendo sido colocados ali pela intuição, experiência e raciocínio. Está assim, evidente, que toda observação é carregada de teoria. Então o primeiro passo do “método”, não procede de forma tão simples quando pensávamos. Como Wittgenstein diz, interpretar é pensar, é está fazendo algo.

Um outro exemplo dessa problemática, é que o primeiro passo do método científico parte de uma pergunta ou problema, porém isso nem sempre vai ocorrer. Em 1928, Alexander Fleming acidentalmente deixou uma cobertura de uma placa de Petri usada para cultivar bactérias. A placa estava contaminada por um molde que continha penicilina. Neste caso, não houve problema ou pergunta para começar. Foi um acidente. Com isso, temos um contra-exemplo clássico colocando uma séria dificuldade a esse método.

Então, voltemos ao “método científico”, mais especificamente, a partir do seu segundo passo (da “condução de pesquisa” até a formação de uma “conclusão”), que podem ser agrupados em um único evento, é o chamado modelo de confirmação hipotético-dedutivo. É um modelo normativo para orientar os cientistas na concepção e execução de suas pesquisas. O método H-D às vezes é oferecido como “o” método de referência da inferência científica.
Daremos então um exemplo do funcionamento desse modelo hipotético-dedutivo:
Suponha que o seu reprodutor de música portátil não ligue. Você pode então considerar a hipótese de que talvez as baterias estejam mortas. Então você decide testar se isso é verdade.
     Dada essa hipótese, você prevê que o tocador de música deve funcionar corretamente se você substituir as pilhas por novas.
     Então, você procede para substituir as pilhas, que é o "experimento" para testar a previsão.
     Se o reprodutor de música funcionar novamente, sua hipótese é confirmada, e então você joga fora as pilhas antigas. Se o reprodutor de música ainda não funcionar, então a previsão é falsa e a hipótese é refutada. Então, você pode rejeitar sua hipótese original e apresentar uma alternativa para testar, e.g., as baterias estão funcionando, mas seu reprodutor de música está quebrado.


Para que esse teste tenha seu resultado devidamente falseado, devemos primeiro tomar como verdadeiro uma outra hipótese. A ideia que a teoria do funcionamento da química das pilhas, que é um dispositivo em que ocorre uma reação espontânea de oxidorredução que gera corrente elétrica, que, por sua vez, é aproveitada para fazer o reprodutor de música funcionar, está correta.


Com isso, o retrato mais completo do “método científico” seria o seguinte:

H (hipótese de teste)                  Se o aparelho funcionar com pilhas novas, o aparelho está quebrado
A (hipóteses auxiliares)     A teoria eletroquímica das pilhas está correta
O (previsão observacional)         A hipótese é falsa, as pilhas funcionam, o aparelho está quebrado
______________________
I (condições iniciais)          O aparelho não funcionou com pilhas novas             

Assim, se o teste mostra a hipótese de que as pilhas que não funcionam como falso, podemos inferir apenas que a hipótese ou uma das hipóteses auxiliares incluídas nessa inferência deve ser falsa. Portanto, o teste não fornece motivos definitivos para rejeitar a hipótese. Mesmo o teste mais cuidadoso e extenso não pode refutar uma das duas hipóteses nem provar o outro: assim, estritamente interpretado, uma experiência crucial é impossível na ciência.

Então, quando uma teoria faz uma predição falsa, às vezes pode ser difícil saber se devemos rejeitá-la ou se há algo de errado com as hipóteses auxiliares. Para ilustrar essa tese, mais um exemplo:
Antes da descoberta do planeta Netuno, descobriu-se que Urano se movia em uma órbita que diferia da órbita predita com base na teoria de Newton, e nas condições iniciais envolvendo os corpos conhecidos no sistema solar. Em vez de rejeitar a teoria de Newton, Adams e Leverrier postularam a existência do planeta Netuno para explicar as perturbações de Urano. Netuno foi posteriormente descoberto por observação telescópica. As condições iniciais revisadas, incorporando fatos sobre Netuno, possibilitaram a dedução da órbita correta de Urano.

As tentativas recentes de apresentar o método hipotético-dedutivo é uma descrição simplificada do raciocínio científico. Uma outra problemática, é tomada a partir do seguinte exemplo: Suponha que queremos verificar se doses maciças de vitamina C tendem a diminuir a duração dos resfriados. Se esta hipótese estiver correta, a probabilidade de recuperação rápida é aumentada para as pessoas que tomam o medicamento. (Este é um exemplo fictício, a questão genuína é se a vitamina C diminui a frequência de resfriados). Podemos realizar uma experiência controlada do tipo duplo cego. No entanto, não podemos deduzir que a duração média dos resfriados entre as pessoas que tomam o medicamento será menor do que a média para aqueles no grupo de controle. Só podemos concluir que, se a hipótese for verdadeira, é provável que a duração média no grupo experimental seja menor do que no grupo controle.

Mas “provável”, não faz parte da lógica dedutiva, pois até agora, vimos que o que temos a partir dessas inferências são premissas (evidências) que suportam nossas conclusões (a hipótese X está confirmada ou refutada). Então, um argumento é simplesmente um conjunto de declarações, uma das quais é apontada como a conclusão do argumento. Os demais membros do conjunto são premissas. Pode haver uma ou mais premissas; não é necessário um número fixo de premissas. As premissas fornecem suporte para a conclusão.
Todos os argumentos logicamente corretos se dividem em dois tipos, dedutivos e indutivos, e esses tipos diferem fundamentalmente um do outro. Existem formas logicamente corretas e incorretas de cada um. Aqui estão exemplos corretos.
A] Dedutivo: todo mamífero tem um coração.
Todos os cavalos são mamíferos.
Todo cavalo tem um coração.
B] Indutivo: todo cavalo que já tenha sido observado teve um coração.
Todo cavalo tem um coração.

Existem certas características fundamentais que distinguem os argumentos dedutivos e indutivos. Mencionaremos dois primários.

INDUTIVO                                                    
    Se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão deve ser verdadeira.
    Toda a informação ou conteúdo factual na conclusão já estava contido, pelo menos implicitamente, nas premissas.

DEDUTIVO
     Se todas as premissas forem verdadeiras, a conclusão provavelmente é verdadeira, mas não necessariamente verdadeira.
     A conclusão contém informações não presentes, mesmo implicitamente, nas premissas. E não há uma probabilidade desse evento acontecer, se a partir das premissas temos uma conclusão válida, não possuímos aqui uma atividade de risco (que caracteriza a indução), como mostrado no exemplo da administração de vitamina C e a tendência de diminuir a duração dos resfriados, pois estamos lidando com chances ou probabilidades.
Uma outra problemática é a questão do teste e predição desse “método”. Muitos processos cruciais ocorreram no passado e são difíceis (ou impossíveis!) de testar no presente. Se o processo de teste de hipóteses não eliminar a maioria dos preconceitos pessoais e culturais da comunidade de investigadores, hipóteses falsas podem sobreviver ao processo de teste e depois ser aceitas como descrições corretas da forma como o mundo funciona. Isso aconteceu no passado, e acontece hoje.

A pesquisa experimental clássica do “método” envolve fazer previsões e testá-las (como mostrado no nosso exemplo do aparelho de música e as pilhas), idealmente, em configurações laboratoriais controladas. Em contraste, a pesquisa histórica envolve a explicação de fenômenos observáveis em termos de causas não observáveis que não podem ser totalmente replicadas em um laboratório. Nas ciências históricas, a casualidade está escondida de nós, pois somos incapazes de testemunhar e registrar eventos históricos, tudo o que temos acesso são traços, isto é, efeitos causais presentes dos eventos nos quais estamos interessados. A ciência histórica é incrivelmente limitada ao abordar explicitamente a questão de como podemos inferir explicações históricas causais.
“Cientistas históricos estão em uma situação muito diferente porque eles não podem realizar experimentos controlados em suas hipóteses alvo, e ...são confrontados com um enorme número de suposições auxiliares dada a extensão e complexidade do tempo envolvido. ”A explicação, em oposição à predição, desempenha o papel central na aceitação e rejeição de hipóteses na ciência histórica. A maioria das explicações históricas apela às relações causais, ao contrário das relações lógicas de dedutibilidade.
Um exemplo de área em que não é possível usar a predição no esquema usual do “método científico” é a biologia evolutiva. Ao tentar entender como e por que a diversificação evolutiva ocorreu, estamos presos ao estudar um fenômeno que ocorreu em grandes escalas espaciais ao longo de milhares de milhões de anos. Por esta razão, a biologia evolutiva é mais parecida com uma ciência-história - social - do que com as ciências laboratoriais como a química.

E uma última observação filosófica sobre o último passo sobre a decisão de aceite ou não das hipóteses, ou seja, das mudanças científicas. Existem mudanças na teoria, tecnologia, metodologia, dados, estruturas institucionais e sociais, e assim por diante. Umas das ideias mais influentes de como essa decisão se daria, de acordo com essa visão recebida do “método científico”, é a de Popper, que em linhas gerais se caracteriza por: 
(1) se uma teoria é científica, então ela faz afirmações ou previsões que podem ser mostradas falsas; (2) uma teoria que justifica apenas a confirmação (e ignora falsas provas) não pode ser demonstrada como falsa; com isso, uma teoria pode ser somente corroborada; (3) uma teoria que só pode ser confirmada e não falsificada não é científica, mas pseudocientífica.
Portanto, uma instância de uma observação negativa (enunciado singular), já seria o suficiente para a mudança científica. Essas mudanças seriam cumulativas, e a ciência avançaria por conjecturas (de novas hipóteses) e refutações (instâncias de falseamento ou corroboração de hipóteses). Um eminente filósofo da ciência americano, Thomas Kuhn15, desafiou a forma como filósofos, historiadores, sociólogos e cientistas pensaram em mudanças científicas. A tese de Kuhn, de que muitos dos fatores envolvidos na decisão de uma comunidade científica de aceitar ou rejeitar uma hipótese são baseados em considerações sociológicas e psicológicas. Isso levou a questões filosóficas sobre a aparente “racionalidade” dos cientistas.

Depois dessa breve e incompleta análise do “método científico” do ponto de vista filosófico, pudemos ver as várias formas como o que os cientistas elaboram suas ideias e seus problemas, que são vários e muito mais intrincados do que uma análise superficial e pouco crítica poderia oferecer. Com esses simples exemplos, e algumas teses filosóficas, pudemos ver que todos os passos desse “método” nos fornecem uma leitura que é, no melhor, incompleta e muito simplificada, e de certa forma caricata, de como a ciência funciona. Aqui está a problemática em ser, algo que chamo de empirista (baseado na experiência e observação) ingênuo.
A noção de um único método científico é tão penetrante que muitos estudantes devem ficar desapontados quando descobrem que os cientistas não possuem uma cópia emoldurada das etapas do método científico postado acima de cada banco de trabalho de laboratório. Uma inspeção próxima revelará que os cientistas se aproximam e resolvem problemas com imaginação, criatividade, conhecimento prévio e perseverança. Estes, é claro, são os mesmos métodos usados por todos os solucionadores de problemas efetivos. A lição a ser aprendida é que a ciência não é diferente de outros empreendimentos humanos quando os enigmas são investigados. Felizmente, esse é um mito que eventualmente pode ser deslocado, pois muitos textos mais recentes estão abandonando ou aumentando a lista em favor das discussões de métodos de ciência.

Sobre o autor: Graduado em Ciências Biológicas (Bacharelado) na Universidade Estadual Paulista, Campus de Botucatu. Foi aluno de mestrado da Universidade de São Paulo (IB-USP) pelo programa de pós-graduação em Ciências Biológicas (Zoologia), e atualmente é doutorando pelo mesmo programa, onde trabalha com sistemática filogenética de Tachinidae (Diptera) e aspectos da filosofia da ciência (explicação científica).


Referências
Salmon, W. 1998. Causality and Explanation. Oxford: Oxford University Press.
Hempel, C. 1965. Aspects of Scientific Explanation. New York: The Free Press.
Salmon, J.  (ed.) 1992. Introduction to the philosophy of scienceNew Jersey: Prentice Hall.
Retirado e adaptado de: Chalmers, A. 1999. What Is This Thing Called Science? Hackett Publishing: Company, Cambridge, quarta edição.
Hanson, N. 1969. Perception and Discovery. San Francisco: Freeman. Figuras de Philosophical Investigations por Wittgenstein, 1953.

 Este é o famoso veredito do físico e historiador francês Pierre Duhem do seu livro, The Aim and Structure of Physical Theory, (Princeton: Princeton University Press, 1954), originalmente publicado em 1905. “Quando as pessoas fazem declarações, podem oferecer evidências para apoiá-las ou não podem. Uma declaração que é suportada pela evidência é a conclusão de um argumento, e a lógica fornece ferramentas para a análise de argumentos. A análise lógica está preocupada com a relação entre uma conclusão e a evidência fornecida para apoiá-la. Quando as pessoas argumentam, eles fazem inferências. Essas inferências podem ser transformadas em argumentos, e as ferramentas da lógica podem então ser aplicadas aos argumentos resultantes. Desta forma, as inferências de que se originam podem ser avaliadas. A lógica trata de argumentos e inferências. Um dos seus principais propósitos é fornecer métodos para distinguir aqueles que são logicamente corretos daqueles que não são. ” Salmon, W. 1984. Logic, Prentice Hall.
 É importante apontar que se uma hipótese não é testável pelo menos em princípio, em outras palavras, se não tiver implicações de teste, então não pode ser propositalmente proposto ou entretido como uma hipótese ou teoria científica, pois nenhuma descoberta empírica concebível pode entrar em acordo ou conflito com ele.
Cleland, C. 2001. "Historical science, experimental science, and the scientific method" Geology, 29(11):987-990.
Losos, J. B. 2009. Lizards in an Evolutionary Tree: Ecology and Adaptive Radiation of Anoles, University of California Press.
 Popper, K. 1968. The logic of scientific discovery. Harper and Row, New York. 544 p.
Corroboração: termo técnico introduzido por Popper para distinguir sua visão dos indutivistas que pensam que a evidência pode confirmar uma hipótese. Corroborada é uma hipótese que (1) ainda não foi refutada e (2) resistiu a testes severos (ou seja, tentativas de refutação). Para Popper, as hipóteses nunca são confirmadas pela evidência. Se as observações não falsificam uma hipótese, a hipótese não se torna provável. Isso fica corroborado. Mas o conceito de corroboração não pode explicar por que é racional que os cientistas baseiem suas previsões futuras na melhor teoria corroborada. Para fazer isso, é inevitável que eles aceitem algum tipo de princípio de indução. Psillos, S. 2007. Philosophy of Science A-Z. Edinburgh: University of Edinburgh Press.
Kuhn, T. 1970. The Structure of Scientific Revolutions. Chicago: University of Chicago Press.
McComas, W. “The principal elements of the nature of science: Dispelling the myths.” The nature of science in science education. Springer Netherlands, 2002. 53-70.



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