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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Remédio ou Misticismo? Aprendendo mais sobre plantas medicinais




Por: Flávia Bonamin
flabonamin@gmail.com



Porque este tema é importante?

É provável que a utilização das plantas como medicamento seja tão antiga quanto o próprio ser humano. O homem desenvolveu a arte de curar em consequência de um longo processo de experimentação e observação, cuja existência estava intimamente ligada aos processos naturais. Numerosas etapas marcaram a evolução da medicina e, por muito tempo ela esteve associada a práticas, mágicas, místicas e ritualísticas. Consideradas ou não como seres espirituais, as plantas, por suas propriedades terapêuticas ou tóxicas, adquiriram fundamental importância na medicina popular.

No Brasil, a utilização de plantas no tratamento de doenças apresenta inúmeras influências da cultura indígena, africana e, naturalmente, europeia. Estas influências deixaram marcas profundas nas diferentes áreas de nossa cultura, seja sob aspecto material ou espiritual. Elas constituem a base da medicina popular e que, há algum tempo, vem sendo retomada pela medicina natural. Essa nova visão procura dar à medicina popular um caráter científico e integrá-la num conjunto de princípios que visam não apenas curar algumas doenças, mas retornar ao ser humano a vida natural.

Plantas comumente utilizadas em tratamentos caseiros.

Sabe aquele chazinho milagroso da vovó? Aquele que cura gripe, dor de estômago, faz passar cólica e acalma? Então, as plantas possuem muitas propriedades medicinais e essa informação vai passando de geração em geração. Para os cientistas essa tradição recebe um nome importante: ETNOFARMACOLOGIA.

Se separarmos esta palavra temos que etnofarmacologia então busca informações a partir do conhecimento de diferentes povos e etnias (ETNO) sob o contexto da FARMACOLOGIA, que é a ciência que estuda os efeitos farmacológicos de extratos e dos constituintes químicos isolados das plantas no organismo.

A pesquisa etnofarmacológica envolve, em suas diversas etapas, diferentes áreas da Biologia. Os botânicos, por exemplo, coletam e identificam a planta utilizada em certa comunidade e, em laboratório, farmacologistas pesquisam a substância responsável pelo benefício no tratamento de doenças, chamada de “princípio ativo” (a substância que realmente fará efeito no organismo, de diversas formas). Uma planta, então, só é considerada medicinal se a mesma apresentar ação terapêutica.

Em 03 de Maio de 2006 foi instituída a Portaria n° 971, a qual garante o acesso às plantas medicinais e fitoterápicos para o tratamento de doenças de baixa gravidade, e que levou em consideração o conhecimento popular do uso dessas plantas.
E para que um fitoterápico seja produzido, antes de chegar à prateleira da farmácia, a planta passa por vários testes que visam determinar seu efeito nos diferentes tecidos e órgãos do corpo. Este é um trabalho realizado por diversos grupos de pesquisas espalhados pelo mundo. Dessa forma, o conhecimento das comunidades contribui para os estudos científicos e vice-versa. Essa ação conjunta pode ser um valioso caminho de identificação das plantas úteis à produção de medicamentos.
Agora você já sabe que a etnofarmacologia é muito importante, vamos apresentar um exemplo de atividade que pode ser realizada em sala de aula, para ensinar sobre as plantas, suas propriedades químicas e farmacológicas.

Como podemos trabalhá-lo na escola?

É possível fazer essa atividade tanto com crianças do ensino fundamental quanto com alunos de ensino médio, e dependendo do público, diferentes aspectos podem ser trabalhados. Por exemplo: no ensino médio os alunos já aprendem botânica e, portanto, já podem pensar nas estruturas das plantas que são utilizadas. No caso dos alunos do Ensino Fundamental, seria legal pensar mais no aspecto de culturas diferentes e plantas diferentes usadas de acordo com a região.

A ideia é dividir a sala em grupos com 5 alunos aproximadamente (ou quantos alunos o professor responsável desejar) e pedir aos alunos que entrevistem seus familiares e vizinhos quanto ao uso de plantas medicinais. O professor pode elaborar fichas com perguntas, por exemplo:
- Idade e sexo
- Utiliza plantas medicinais? (   )sim (  )não
- Se sim, quais plantas utiliza? ________________
- Qual a forma de uso dessas plantas? (chás, pomadas, tempero, etc) ________
- São utilizadas para que sintoma ou doença? _________________
- Nomes científicos das plantas citadas ______________ (interessante para alunos do ensino médio pesquisarem após fazerem esta entrevista)
Após a coleta dessas informações, o aluno pode fazer uma tabela com todos os resultados de todos os alunos presentes no grupo e trabalhar de forma interdisciplinar com o professor de matemática, por exemplo, a fim de ensinar porcentagem à estes alunos.  Além disso, cada aluno poderá ficar responsável por entrevistar algumas pessoas (definido pelo professor) e ao final da atividade, cada grupo deverá ter um número significativo de entrevistados.

Alguns exemplos de plantas medicinais utilizados à partir do conhecimento popular (etnofarmacologia) e que estão presente na casa de muitas pessoas são listadas abaixo:
  • Arnica (Arnica montana): ajuda a aliviar dores reumáticas, gota e tendinites.
  • Babosa (Aloe vera): Combate à caspa, tratamento de inflamações e queimaduras e tem potencial hidratante.
  • Camomila (Matricaria chamomilla): acalma e é tônico digestivo
  • Capim-limão (Cymbopogon citratus): ansiolítico
  • Alecrim (Rosmarinus officinalis): auxilia no processo de digestão.

Sobre a autora: Bióloga, Mestre e Doutora em Farmacologia de Produtos Naturais pela UNESP de Botucatu e Especialista em Cosmetologia pela UNIARA de Araraquara. Sempre gostei de biologia, desde criancinha.
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