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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Desvendando os antibióticos



Por: Alejandra Viviescas 
 mariale88@gmail.com



Os antibióticos são um conjunto de medicamento capazes de combater infecções bacterianas. Eles começaram a revolucionar a medicina em 1928, quando o bacteriologista Alexander Flemming, observou que as bactérias não cresciam em uma placa de Petri que estava contaminada com um fungo do gênero Penicillium. A partir desta observação, Flemming sugeriu que o fungo produzia uma sustância capaz de inibir o crescimento das bactérias.

 Em 1940, os químicos Howard Florey e Ernst Chain isolaram e estabilizaram o composto, hoje conhecido como penicila, na forma de medicamento. A Penicilina se tornou assim, o primeiro antibiótico a ser usado na prática clínica. O uso deste antibiótico foi tão importante para salvar vidas, especialmente durante a segunda guerra mundial, que em 1945 os três cientistas receberam o prêmio Nobel de fisiologia ou medicina.

De esquerda à direita: Alexander Flemming, Ernst Chain e Howard Florey. Ganhadores do Prêmio Nobel de fisiologia ou medicina em 1945 “pelo descobrimento da penicilina e seus efeitos curativos em várias doenças infecciosas”.

Hoje em dia existem diversos tipos de antibióticos, mas todos se baseiam no mesmo princípio: eles matam ou evitam que as bactérias se reproduzam, sem alterar as células humanas, ou animais. Isto é possível porque, embora todas as células compartilhem muitas características, há também vários aspectos metabólicos diferentes entre as células eucariotas e as células bacterianas. Assim, os diferentes tipos de antibióticos alteram um processo biológico importante nas bactérias, neutralizando a infecção bacteriana.
Desde seu estabelecimento, em 1940, os antibióticos têm salvo incontáveis vidas e, aliado às vacinas, têm feito com que doenças como a tuberculose, que antigamente era uma sentença de morte, hoje em dia seja facilmente controlada.

Porém, sua alta efetividade e facilidade de acesso fizeram com que os antibióticos fossem usados indiscriminadamente, tanto na medicina quanto na indústria alimentar e, hoje em dia, estamos vendo surgir várias complicações associadas ao uso indevido destes medicamentos.

Por exemplo, os antibióticos são úteis somente para tratar infecções bacterianas. Eles não servem para tratar viroses, como o resfriado ou a gripe, ou micoses, que são causadas por fungos. Mas, mesmo assim, as vezes tomamos antibióticos para doenças que não devem ser tratadas com estes medicamentos. Às vezes, também, tomamos antibióticos de forma preventiva, para evitar infecções no futuro e antibióticos são usados na indústria da carne, para evitar infecções no gado. Tais utilizações são usos indevidos dos antibióticos, que podem levar ao surgimento de bactérias resistentes.

As bactérias resistentes conseguem se reproduzir mesmo na presença de altas doses de diferentes antibióticos e, hoje em dia, são consideradas pela Organização Mundial da Saúde como um problema grave, que ameaça a vida de todas pessoas, sem importar o continente, o nível socioeconômico ou a idade.

Novas alternativas de tratamento às infecções causadas por bactérias resistentes estão sendo desenvolvidas, mas elas vão demorar para estar disponíveis ao público. Se a sociedade não começar a usar os antibióticos de maneira responsável, as bactérias resistentes continuarão surgindo, independentemente do desenvolvimento de novas drogas.

Os antibióticos são medicamentos poderosos, que salvam vidas todos os dias. Porém, seu uso indiscriminado pode trazer problemas graves, como o surgimento das "superbactérias", resistentes à todos os antibióticos conhecidos.

É importante conhecer como os antibióticos funcionam e para que eles servem, somente assim poderemos fazer bom uso deles, aproveitando ao máximo seu potencial. Para isso, devemos reduzir seu uso ao máximo e usá-los exclusivamente para tratar infecções bacterianas.


Sobre a autora: Bióloga e mestre em biologia pela Universidade Nacional da Colômbia, estudante de Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP-Botucatu. Editora desta página de divulgação científica. 
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