Aba

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Minha querida pesquisa - João Zamae



João Zamae
Médico Veterinário
Especialista em patologia animal e
oncologia de pequenos animais
Mestre em patologia animal
Doutorando em Onco-patologia
pela FMB-Botucatu
Até o terceiro colegial eu nunca havia pensado seriamente sobre qual faculdade cursar, e pela afinidade com a área de biológicas, optei pelo curso de Ciências Biológicas na UNESP de Botucatu. Porém,esta primeira estadia em Botucatu foi curta. Devido à imaturidade eu não me adaptei à cidade, nem ao curso, nem às pessoas e decidi voltar pra casa dos meus pais e refletir sobre o que eu queria realmente fazer.
Avaliando melhor as opções de profissão eu optei pela faculdade de medicina veterinária e eu escolhi a Universidade Estadual de Londrina (UEL) para prestar vestibular. Fui aprovado, gostei do curso, da cidade e fiz vários amigos, mas, infelizmente por questões familiares precisei abandonar os estudos e voltar pra casa dos meus pais uma vez.
Os acontecimentos me abalaram consideravelmente e, ter que recomeçar me parecia insuportavelmente desgastante. Mas, felizmente, logo em seguida consegui retomar meus estudos na Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) em Presidente Prudente, minha cidade natal.
Esse período de descompassos e incertezas me fez adquirir maturidade suficiente pra aproveitar melhor meus anos seguintes na faculdade e tomar decisões de maneira mais segura. Por isso optei por trabalhar na área de patologia aviária. A matéria de patologia já havia me interessado e o mercado avícola, que crescia consideravelmente, estava carente de profissionais especializados na área. O primeiro passo para essa especialização foi o exame que prestei para residência na FMVZ-UNESP de Botucatu. Fui aprovado e retornei à Botucatu depois de tantos anos.
No primeiro ano de residência eu me deparei com um novo dilema. Ganhar dinheiro não é o que nos faz felizes. É importante optar por um trabalho que nos deixe satisfeitos e dê sentido à nossa vida. Só assim é possível fazê-lo bem e estar envolvido com ele durante tanto tempo, diariamente. E essa não era a minha relação com a rotina do laboratório e o mercado avícola.
Questões de bem-estar animal e ética se tornaram muito fortes para mim e eu compreendi que a minha insatisfação era fruto do fato de que o meu trabalho não proporcionava a melhora da qualidade de vida dos animais, ponto fundamental na escolha da minha profissão.
E foi então que veio outra mudança. Em paralelo à residência e depois ao mestrado, ainda na área de patologia aviária, fiz uma especialização strictu sensu em oncologia de pequenos animais, trabalhei em algumas clínicas, fiz diversos cursos e contatos que me ajudaram a migrar para essa nova área de atuação – a oncologia animal.
Com o currículo mais sedimentado e buscando ampliar minha área de trabalho, e com uma boa bagagem de técnicas laboratoriais, patologia e experimentação animal, eu procurei o Professor Deilson Elgui de Oliveira da Faculdade de Medicina – de quem a linha de pesquisa em oncologia havia me interessado muito- para um possível doutorado na área.
Com o aceite do Professor, escrevemos o projeto, eu prestei a seleção de doutorado, e depois das quatro fases de seleção, fui aprovado.
Atualmente trabalho testando novas substâncias candidatas ao tratamento dos tipos de cânceres mais frequentes. Assim consegui resolver minhas questões de ética e relevância do meu trabalho, e posso fazê-lo diariamente satisfeito sabendo que os frutos gerados serão em benefício de muitas pessoas.
Meu conselho para aqueles que lêem esse relato é que escolham suas profissões por amor, o que nem sempre é facilmente acessível e, portanto, tenham paciência no – longo – caminho a ser percorrido até a concretização desse objetivo.

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