Aba

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Desvendando as técnicas forenses

Por:
Bianca P. Conçalves
bi_picado@hotmail.com
Tália M. Tremori 
talia_missen@hotmail.com
Você já ouviu falar na palavra FORENSE? Ela vem do latim e significa FORUM. É um termo relativo aos tribunais jurídicos e ao Direito, correlaciona-se com desvendamentos de crimes. E por falar em desvendamentos de crimes, alguém aí já assistiu o seriado “CSI: Crime Scene Investigation”? Sim, este seriado tem tudo a ver com nosso tema de hoje. E sabe por quê?

Porque para desvendar um crime ou descobrir quem foi o criminoso como é feito no “CSI” são utilizadas técnicas forenses, que fazem parte da chamada Ciência Forense, que aplica o conhecimento científico de diversas áreas para auxiliar a Justiça. Entre essas áreas encontramos uma muito importante, a Genética Forense, que oferece técnicas para auxiliar a solucionar casos criminais envolvendo seres humanos ou animais.

A técnica mais utilizada em casos criminais na área da Genética é através do nosso DNA (ácido desoxirribonucleico), que permite, por exemplo, traçar o perfil genético de um indivíduo, e o que é perfil genético? Nada mais é do que a identidade do próprio indivíduo, como se fosse o seu RG genético!

No nosso DNA, existem regiões que variam em sua sequência. Lembram-se das famosas “letrinhas” que compõem o DNA? São elas A (adenina), T (timina), C (citosina) e G (guanina). Essas “letrinhas” irão diferenciar os indivíduos, veja na figura abaixo como elas se organizam na estrutura do DNA e também como elas podem variar, dando origem ao que chamamos de polimorfismos (poli = muitas/ morphos = formas).


Figura 1: Essa figura representa duas duplas fitas de DNA, as “letrinhas” chamadas de bases nitrogenadas podem variar em sua sequência, dando origem ao que chamamos de polimorfismos.

Em casos criminais, as amostras biológicas como sangue, tecido e ossos, coletados no local de crime, geralmente, encontram-se degradadas, o que dificulta muito as análises feitas por pesquisadores e peritos criminais que trabalham em laboratórios de genética. Será então que é possível obter (extrair) DNA de apenas uma gotinha de sangue? Ou um pedacinho de tecido humano?

Sim, não podemos esquecer do DNA mitocondrial (DNAmt), que é ideal para esse tipo de análise, já que é encontrado em abundância nas células. Passaremos agora a recordar sobre as mitocôndrias (Figura 2), uma organela que está presente no citoplasma das células, com grande importância no processo de respiração celular, transformando o oxigênio e a glicose em ATP. Possui DNA em seu interior, chamado de DNA mitocondrial com uma estrutura dupla e circular.

Figura 2: Célula animal ilustrando o DNA presente nas mitocôndrias (DNAmt)

Além de ser encontrando em grande quantidade, o DNA mitocondrial é mais resistente a degradação do que o DNA nuclear, isso ocorre porque sua estrutura é circular como mostrado na figura 2. Dessa forma pode ser utilizado para identificação em casos de restos mortais em desastres, como acidentes aéreos, explosões, incêndios.

Outra aplicabilidade da genética forense é a identificação de espécies da fauna, por exemplo nos casos de contrabando e tráfico de animais, utilizando o DNAmt é possível evidenciar produtos e subprodutos da fauna silvestre, o que permite determinar a origem de amostras suspeitas com segurança, além de dados epidemiológicos e populacionais.

Para a identificação de espécies da fauna utilizamos uma técnica que irá sequenciar (“ler”) uma região específica do DNAmt, essa “leitura” resultará em uma sequência de bases nitrogenadas que será única para a maioria das espécies.

Agora que já aprendemos um pouco da Genética Forense e sua técnica com o DNAmt, é importante lembrar também que a coleta de amostras biológicas na cena de um crime é fundamental e deve ser realizado de maneira minuciosa por um profissional capacitado, além do constante estudo e pesquisas de técnicas aplicadas à Ciência Forense, afinal um pequeno detalhe invisível a olho nu, como o DNA, pode ser o vestígio suficiente para solucionar um crime.

Sobre as autoras: 
Bianca: Biologa pela UENP/Bandeirantes, estudante de direito na ITE/Botucatu, mestre e estudante de douturado em Ciências Biológicas (Genética) – IBB – UNESP/Botucatu, coordenadora da WAWFE (Worldwide Association of Woman Forensic Experts) no Brasil.
Tália: Médica Veterinária, mestre em patologia Animal e estudante de doutorado pela FMVZ – UNESP – Botucatu, fez doutorado sanduíche no país na FMB – USP, Especialista em Informática em Saúde pela UNIFESP, Membro titular da Comissão Técnica de Medicina Veterinária Legal do CRMV-SP, Coordenador da WAWFE (Worldwide Association of Woman Forensic Experts) no Brasil Membro fundador da Asociación Iberoamericana de Ciencias Veterinarias y Forenses.

Imagens retiradas de:
commons.wikimedia.org/wiki/File:Dna-SNP.svg
borgersonresearch.com
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