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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Desvendando as Coleções Biológicas


Por: Lucas Denadai de Campos
lcdenadai@gmail.com



As coleções biológicas têm um papel fundamental no conhecimento e preservação dos seres vivos. Essas coleções podem conter animais, plantas, fungos e até mesmo microrganismos como bactérias e vírus. Coleções biológicas nada mais são do que a reunião ordenada de espécimes mortos, ou parte deles, que são preservados para estudos (Figura 1). Existem diversas coleções biológicas pelo mundo.

Figura 1. Coleção de crânios de vertebrados.

Elas foram e ainda estão sendo formadas há décadas, se não, séculos! Todo o material biológico dessas coleções vem de grandes expedições realizadas pelo mundo, ou mesmo, de coletas na praça do centro da cidade. Normalmente, são os museus de história natural (preserva material das ciências naturais: seres vivos e minerais), herbários (coleção de plantas dessecadas) e institutos de pesquisa que detém esses tipos de coleções. Porém, qual é o objetivo de guardar todos esses espécimes?

Figura 2. A- Exposição de insetos do Catavento Cultural na cidade de São Paulo. B- Grande Galeria da Evolução em Paris, França.

Para entender melhor, basicamente existem dois tipos principais de coleções biológicas: didáticas e de pesquisa. As coleções didáticas contêm material biológico destinado ao ensino, exposições e treinamento de novos pesquisadores (Figura 2). Elas podem ser encontradas em instituições de ensino como escolas, universidades e museus. Essas coleções são completamente separadas das coleções de pesquisa e tem como objetivo expor o material para o conhecimento da população. A necessidade de sua reposição é constante, uma vez que os exemplares de coleções didáticas se deterioram em um curto período de tempo devido ao manuseio e exposição continuados.

As coleções de pesquisa, como o próprio nome já diz, são destinadas a pesquisa científica e de acesso restrito apenas aos pesquisadores. Nessas coleções de pesquisa, não estão depositados só os espécimes que já foram estudados, mas os que ainda serão. É a partir dessas coleções que novas espécies são descritas e identificadas. Se hoje conhecemos parte da diversidade biológica do nosso planeta, devemos muito as coleções biológicas.

Figura 3. Coleção científica de insetos do Museu de História Natural de Paris.

As coleções de pesquisa necessitam de grandes espaços devido à grande quantidade de material. O Natural History Museum em Londres na Inglaterra, possui em suas coleções seis milhões de espécimes de plantas, 34 milhões de insetos e aracnídeos e mais de 29 milhões de espécimes de outros animais como invertebrados marinhos e vertebrados! Estamos falando apenas de um único museu. Existem outros de porte parecido como Muséum national d’Histoire naturelle (Paris, França) (Figura 3), ou o National Museum of Natural History (Washington, EUA).

Entretanto, coleções biológicas de pesquisa não são apenas “coisa de gringo”. No Brasil, também temos nossas coleções, que são conhecidas e respeitadas dentro e fora do país. Algumas dessas coleções, podem ser encontradas no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (São Paulo-SP) (Figura 4), Museu Nacional (Rio de Janeiro-RJ) e no Museu Paraense Emílio Goeldi (Belém-PA).

Figura 4. Coleção científica de peixes do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

Atualmente, com o rápido avanço da tecnologia e a informatização, o acesso e utilização das coleções biológicas tem sido cada vez mais constante. Bancos de dados das coleções estão sendo disponibilizados na internet, tanto para o conhecimento dos seres vivos, quanto para fonte de informações para pesquisas. Se lembra dos espécimes que foram coletados séculos atrás e foram depositados em coleções biológicas? Hoje em dia, com o avanço tecnológico, é possível desenvolver pesquisas com eles, que nunca foram cogitadas pelos cientistas. Tudo isso porque alguém decidiu um dia começar a coletar e guardar os seres vivos de maneira ordenada para que pudessem ser estudados posteriormente. Se tiver a oportunidade, visite uma coleção biológica, seja ela no Brasil ou no exterior, seja de pesquisa (se você for um pesquisador) ou didática. Parte da história da vida em nosso planeta está ali, parte compreendida e parte aguardando para ser desvendada.


Sobre o autor: Lucas é admirador de Entomologia e macrofotografia. Formado em Ciências Biológicas modalidades Licenciatura (2012) e Bacharelado (2014) pela "Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho"-UNESP, no Campus de Botucatu - IBB. Mestre pelo programa de pós-graduação em Ciências Biológicas (Zoologia) do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, onde desenvolveu estudos taxonômicos e filogenéticos sobre os ortópteros (2016). Atualmente é doutorando pelo mesmo programa de pós-graduação, desenvolvendo estudos taxonômicos, filogenéticos e evolutivos de grilos.  Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em Taxonomia dos Grupos Recentes.

Fonte:
Winston, J. E. Describing species: practical taxonomic procedure for biologists. Columbia University Press, 1999. 518 pp.
Papavero, N. (1994). Fundamentos práticos de taxonomia zoológica (coleções, bibliografia, nomenclatura). 2ª edição. São Paulo: Ed. Unesp, 1999. 285 pp.
Natural History Museum website: http://www.nhm.ac.uk/ acesso 22 de setembro de 2017.

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