Aba

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Como estavam, como estão e para onde vão as mulheres na ciência?



Por Ana Liz Uchida Melo
lizuchida@gmail.com 

 Já ouviram falar de Henrietta Leavitt? Bertha Lutz ou de Lise Meitner? Embora as contribuições dessas mulheres repercutirem até hoje, dificilmente escutamos esses nomes.
Em diversos momentos importantes para a história da ciência, muitas mulheres foram invisibilizadas em suas descobertas, como por exemplo, Rosalind Franklin. Por outro lado, algumas obtiveram reconhecimento mesmo com a sociedade machista na qual estavam inseridas, como a cientista Marie Curie.
Historicamente, as mulheres têm sido sub-representadas nas mais diversas áreas, e na produção científica não é diferente. Diversos fatores têm contribuído para a manutenção dessa imagem social, sendo que a formação dos papéis sociais correspondentes ao gênero pode ser considerada o cerne dessa situação. A construção da desigualdade de gênero ocorre desde o início da vida ou até mesmo antes, com a criação de estereótipos (ações e imagem esperadas) bem determinados para meninos e meninas. O que se espera para as mulheres é o papel de “cuidadoras” e não pertencentes aos espaços públicos, enquanto os homens são entendidos como “provedores” e com o poder ativo na sociedade.
Como consequência dessa estrutura social, as mulheres entraram mais tarde nas universidades e, assim, nos cursos de pós-graduação, além de terem enfrentado dificuldades para se manterem nesses espaços não considerados pertencentes a elas. Isso pode ser verificado no fato de que embora o ensino superior tenha chegado ao Brasil juntamente com a família real em 1808, somente em 1879 um decreto imperial autorizou mulheres a frequentarem os cursos de faculdade para obtenção de um título acadêmico. Ainda assim, a primeira mulher (Rita Lobato Velho Lopes) a se graduar no país só o fez em 1887, tornando-se a segunda latino-americana a obter diploma de médica.
Atualmente, as mulheres encontram uma situação um pouco diferente dessa época. No início de 2017, a Revista Forbes publicou uma reportagem intitulada “Surpreendente novo estudo: Brasil é líder mundial em igualdade de gêneros em ciência (tradução livre) ”. A reportagem baseada no estudo “Gender in the Global Research Landscape” (“Gênero no panorama da pesquisa global”), publicado pela Elsevier, afirma que, no período de 2011 e 2015, 49% dos pesquisadores ativos foram mulheres.
Algumas áreas apresentam maior porcentagem de publicações, sendo que as áreas da saúde e ciências biológicas apresentam maior número de pesquisadoras, e áreas como ciência da terra, engenharia e exatas ainda têm pouca representatividade, evidenciando um reflexo da sociedade patriarcal, na qual essas áreas e disciplinas são relacionadas a atividades masculinas.
Apesar do panorama que temos hoje, resultado de muitas ações e lutas por parte dos movimentos feministas, as mulheres ainda enfrentam alguns entraves para ingressar e se manter na pós-graduação, devido a problemas de divisão do trabalho doméstico e de preconceito de gênero, principalmente nas áreas relacionadas ao homem.
Assim, a participação da mulher no âmbito científico acompanhou o progresso das lutas para a inclusão desta na sociedade. A maior igualdade entre os gêneros na pesquisa científica pode ser considerada um avanço, principalmente no Brasil. No entanto, as lacunas a serem preenchidas são nítidas, deixando clara a necessidade de impulsionar a atuação das mulheres dentro das atividades inovadoras e tecnológicas. Sem a presença ativa das mulheres no ambiente científico, pouco conseguiremos avançar na pesquisa brasileira.
Sobre a autora: Bióloga, mestranda em Zoologia pelo Instituto de Biociências de Botucatu - UNESP

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