Aba


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Minha querida pesquisa - Amanna Gonzaga Jacaúna



Amanna Gonzaga Jacaúna 
Zootecnista - Mestre em Zootecnia
Doutoranda em Zootecnia – UNESP Botucatu
Grupo de pesquisa em Búfalos – CPTB

A Zootecnia entrou na minha vida como uma incógnita e hoje é a melhor decisão que já tomei. A priori, meu sonho era fazer Medicina Veterinária, mas não havia curso na minha cidade. Então, fiz a prova para Zootecnia, passei e comecei a fazer o curso na Universidade Federal do Amazonas, campus Parintins. Em 2014 finalizei minha graduação, e logo em seguida consegui o tão almejado Mestrado na Universidade Federal da Grande Dourados. Estudar Zootecnia me despertou a conhecer diversas espécies animais de exploração econômica, pois é uma ciência que desenvolve a formação do profissional da produção animal, envolvendo conhecimentos sobre nutrição, melhoramento genético, sanidade, entre outros.
Aprendi a lidar com muitas áreas dentre elas: suínos, equinos, bovinos, etc e, diante disso, pude me aperfeiçoar nos estágios em campo com os veterinários, e durante essas idas e vindas, acabei me deparando com os búfalos que me conquistaram pelo seu exotismo. Foi o momento crucial para descobrir que era exatamente aquilo que eu queria estudar, a Nutrição e Produção de Ruminantes.
Já no Mestrado, comecei a trabalhar em laboratório com digestibilidade in vitro. A princípio achei que seria um trabalho exaustivo, mas foi muito gratificante conhecer mais sobre esta metodologia que é utilizada para simular o rúmen dos bovinos, um dos principais órgãos ligados à eficiência produtiva desses animais. O estômago dos ruminantes tem uma particularidade que diferencia dos não ruminantes, eles possuem o estômago compartimentado, apresentando funções fermentativas, absortivas e químicas. O rúmen é um dos compartimentos do estômago destes animais e tem a função fermentativa apresentando fauna microbiana e condições de temperatura, anaerobiose e pH ideais para sobrevivência desses organismos. O meu trabalho baseava-se na avaliação do produto “Quitosana” (biopolimero natural e atóxico, derivado da desacetilação da quitina) como uma alternativa de aditivo modulador da fermentação ruminal em dietas para ruminantes. Este trabalho permitiu conhecer melhor sobre a fisiologia e metabolismo dos ruminantes, despertando, assim, a curiosidade em conhecer melhor o universo simbiótico dos microrganismos do ambiente ruminal com o hospedeiro.
Finalizei meu mestrado em 2016 dando início a um grande momento de mudanças e preparos para uma nova etapa mais desafiadora: trabalhar ou fazer Doutorado? Então comecei a fazer uma série de pesquisas para saber o que seria mais vantajoso para meu estudo. Já que cheguei até o Mestrado, porque não fazer a próxima etapa? O caminho não foi fácil, foram muitas negativas, muitas portas na cara, muitas provas que por um fio de cabelo não passava, mas não desisti. Em abril de 2017, consegui ingressar no Doutorado na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, campus Botucatu, na área de Produção de Ruminantes, resgatando assim uma paixão antiga da graduação, os búfalos.
Trabalhar com Búfalos é maravilhoso! E estar desenvolvendo pesquisas inovadoras nessa área é melhor ainda. O foco da nossa pesquisa é determinar as exigências nutricionais de búfalos de corte de três grupos genéticos (Murrah, Mediterrâneo e Jafarabadi) em condições tropicais. Aliado a isso, minha parte na pesquisa abrange o microbioma ruminal, ou seja, o ecossistema microbiano do rúmen, com a identificação da população microbiana presente nele e avaliações morfológicas e histológicas das papilas ruminais (localizadas na parede do rúmen). É o primeiro passo de muitos que quero dar nessa empreitada. Que venham as próximas etapas, quanto mais desafios melhor!

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terça-feira, 28 de novembro de 2017

É Brincadeira... Ou Ciência?

Parece brincadeira, mas é ciência! No Click desta semana, trouxemos algumas fotos que parecem ilustrar bonecas, casinhas e jogos, mas na verdade são experimentos interessantes ou formas inusitadas de ensinar ciência!

iCub e Eve

iCub and Eve. Dr Patricia Shaw, Aberystwyth University. Link para o original: https://www.epsrc.ac.uk/newsevents/events/photocomp2017/

O robô iCub aprende a montar pilhas de cubos coloridos com a menina de 4 anos Eve. A fotografia retrata pesquisa realizada no departamento de Ciência da Computação da Universidade de Aberystwyth. Os pesquisadores procuram criar modelos de como crianças pequenas aprendem a manipular objetos, e então aplicá-los a robôs humanoides.
Esta imagem conquistou o terceiro lugar na categoria “Pessoas e Habilidades” na competição de fotografia científica de 2017 do Engineering and Physical Sciences Research Council – UK. É a terceira vez seguida que o iCub é premiado no concurso. Parece que ele é um robô bem fotogênico.


Representação da Teoria das Tranças

Representation of Braid Groups. Escrito e criado por Nancy Scherich. Diretor e cinematógrafo Alex Nye. Produzido por Nancy Scherich e Steven Deeble. Link para vídeo no YouTube:https://youtu.be/MASNukczu5A


Lançaram um novo remake de Tron? Não, este é um videoclipe de dança usado para explicar um pouco sobre Teoria das Tranças, uma complexa teoria de Geometria. Mais especificamente, a coreografia ilustra o projeto de Doutorado de Nancy Scherich na Universidade da Califórnia, Santa Bárbara. Há poucas formas tão divertidas de explicar Matemática do que com tecido acrobático, roteiros emocionantes e cenários coloridos.

O vídeo foi o grande vencedor do concurso Dance Your PhD – 2017 da revista Science. Nesta competição, o grande favorito do público foi a produção de Natália Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco!


Raios Artificiais

Out of the Darkness. Andreas Feininger/Time & Life Pictures/Getty Images.Link para o original: https://www.theatlantic.com/technology/archive/2011/12/10-of-the-greatest-science-photographs-of-all-time/249355/#slide2

No final dos anos 50, os laboratórios da General Eletrics criaram máquinas que produziam raios artificiais. Este modelo os permitia entender melhor o fenômeno metereológico. A foto mostra um raio artificial atingindo um mastro metálico de uma cidadezinha. A General Eletrics é uma companhia norte-americana fundada por Thomas Edison, sobre o qual será lançado um filme estrelando Benedict Cumberbatch
Esta foto foi considerada uma das dez melhores fotos sobre ciência publicadas na revista Life. Confira as outras nesta galeria da revista The Atlantic


Estudos da Morte Inexplicada em Casca de Noz

Red Bedroom, por Frances Glessner Lee. 1944-1948. Harvard Medical School, Harvard University, Cambridge, MA, Chief Medical Examiner, Baltimore, MD. Link para o original: https://www.smithsonianmag.com/smithsonian-institution/home-where-corpse-frances-glessner-lees-miniature-dollhouse-crime-scenes-180965204/

Não, essa não é a casa de bonecas de uma criança com inclinação à violência. Estas miniaturas foram inspiradas em cenas do crime reais e eram usadas para o treinamento de investigadores forenses no departamento de Medicina Legal da Universidade de Harvard. Os “Estudos da Morte Inexplicada em uma Casca de Noz”, como os modelos são chamados, foram criados por Frances Glessner Lee, uma rica herdeira que se tornou a primeira capitã de polícia dos Estados Unidos e madrinha da Ciência Forense.

Leia mais nesta matéria e galeria da revista do Smithsonian. Também, resolva o crime deste e de outros cenários neste site.
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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Colonização espacial, um sonho que se aproxima

Por:
Cristiane S. Alves 
cris_desantis@yahoo.com.br
Será que o sonho de colonizar outros planetas, fora do nosso sistema solar, vai ser possível algum dia? Imaginem um universo no qual poderemos viajar de um planeta a outro, para visitar os parentes no natal, ou se preferir, usar a desculpa de que 11 anos-luz é muito longe para uma visitinha....

Astrônomos se dedicam há anos ao árduo trabalho de buscar planetas com potencial de abrigar a vida como a conhecemos, sem falar na busca de vida extraterrestre. Às vezes, a incansável busca destes cientistas pode ser recompensada com descobertas instigantes!

Um time de astrônomos europeus e sul-americanos, liderados pelo Dr. Xavier Bonfils, do Institut de Planétologie et d’Astrophysique de Grenoble na França publicou recentemente dados que revelaram que a estrela anã-vermelha   Ross128 - nomeada em homenagem a seu descobridor, Frank Elmore Ross, em 2016 - apresenta um planeta em sua órbita que pode abrigar vida, como nós a conhecemos.

Tamanho comparativo entre o nosso Sol e uma estrela anã-vermelha

A estrela Ross128 fica à 11 anos-luz de distância do nosso sistema solar, sendo que, cada ano-luz corresponde à 9,46 trilhões de quilômetros. Em termos cósmicos, acreditem, essa distância é curta!

Mapa da constelação de Virgem, onde está a estrela anã-vermelha Ross128, marcada com um círculo vermelho, próxima à linha azul e ao ponto ß, no quadrante superior à direita.
Ao redor desta estrela, foi descoberto um exo-planeta com tamanho similar ao da Terra, chamado de Ross 128 b. Ele orbita a estrela Ross128 a cada 9,9 dias e parece ser temperado, isto é, sua temperatura de superfície varia de -60ºC a 20ºC, similar às da Terra.

Ross 128 b está orbitando sua estrela, a uma distância 20 vezes mais próxima do que a Terra do Sol, recebendo 1,38 vezes mais radiação do que a Terra recebe do Sol e, também, recebe "luz do sol" suficiente para não ser, nem muito quente, nem muito frio, características importantes para abrigar a vida como a conhecemos.

Os dados vieram depois de mais de uma década de pesquisa no HARPS (sigla em inglês para “motor de busca de alta precisão por velocidade radial”), uma espécie de caçador de planetas, localizado no Observatório La Silla no Chile. Em todo este tempo, os cientistas monitoraram o céu intensamente e, aliados a técnicas de analises de última geração, foram capazes de compilar os dados e chegar a estas descobertas.

O exo-planeta Ross 128 b e sua estrela, estão se aproximando do nosso sistema solar, e a previsão é de que em 79.000 anos (um piscar de olhos, em termos cósmicos) Ross 128 b seja o exo-planeta mais próximo da Terra, lugar ocupado hoje pelo Proxima Ceuntauri b. O sistema da estrela Proxima Centauri e seu exo-planeta também estão se movendo em direção ao nosso sistema solar, porém, segundo os astrônomos, vai chegar a um ponto em que eles irão começar a se afastar de nosso sistema, impossibilitando uma colisão entre planetas.

Estas características fazem com que Ross 128 b seja o exo-planeta, mais próximo do que conhecemos, que apresenta condições para abrigar vida. Entretanto, antes de começarmos a fazer planos para colonizar outros planetas, mais pesquisas precisam ser feitas por nossos incansáveis cientistas!





Sobre a autora:  pós-doutoranda do Laboratório de Telômeros no Departamento de Genética do IBB-UNESP de Botucatu. Bióloga pelo IBB-UNESP de Botucatu, com Mestrado e Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela mesma instituição, com período sanduíche na Universidade de Utah, em Salt Lake City e Cold Spring Harbor Lab, em Nova York, EUA.

Ficou curioso? Veja os links abaixo:

Português
http://www.bbc.com/portuguese/geral-42011369
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/como-e-ross-128-b-o-recem-descoberto-planeta-proximo-a-terra-com-melhores-condicoes-para-abrigar-vida.ghtml
https://www.terra.com.br/noticias/ciencia/espaco/como-e-ross-128-b-o-recem-descoberto-planeta-proximo-a-terra-com-melhores-condicoes-para-abrigar-vida,33afa2e0059a119c4e14527da02871261wgeejy5.html
http://veja.abril.com.br/ciencia/planeta-potencialmente-habitavel-e-descoberto-perto-da-terra/

Inglês
https://www.scientificamerican.com/article/interstellar-message-beamed-to-nearby-exoplanet/?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=sa-editorial-social&utm_content&utm_term=space_
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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

CSI 006: Procurando Dory



Por: Maria Laura
marialgk@gmail.com


Sem dúvidas, uma das melhores personagens da franquia "Procurando Nemo" é a Dory, um peixe cirurgião-patela com problemas de memória. Apesar de amarmos os filmes, sabemos que peixes não conseguem ler, falar ou formar amizade com seus predadores. Mesmo assim, muitos de vocês já devem ter se perguntado: peixes têm algum tipo de memória? Se sim, eles podem ter "amnésia"?

Para iniciar nossa investigação, vamos analisar o trabalho dos pesquisadores Gemma White e Culum Brown, da Universidade de Macaquarie, em Sidney. Nas praias estudadas por esses cientistas existem várias formações rochosas ao longo da costa. Quando a maré está alta, estas rochas ficam completamente cobertas por água, havendo ligação entre os vários locais do ecossistema. Entretanto, quando a maré está baixa, formam-se poças de maré, como mostrado na imagem abaixo.

Praia durante maré alta (acima), e formação de poças de maré durante maré baixa (abaixo). Fonte: figura produzida pela autora.

Os pesquisadores australianos observaram peixes (os quais não incluem cirurgiões-patela, infelizmente) encontrados nessas praias e descobriram que vários deles escolhiam uma poça de maré como "lar", ou seja, como um local para onde o animal sempre volta e passa a maior parte de seu tempo. Quando colocados até 30 metros longe de sua poça "lar" (o que é uma distância considerável para animais de 5 centímetros), alguns desses peixes, como o Cocos Frillgoby (Bathygobius cocosensis) e o Ringscale Triplefin (Enneapterygius atrogulare), conseguiam encontrar o caminho de volta para a casa. Acredita-se que esses peixes façam isso por conhecerem as características ou até mesmo o "cheiro" de sua vizinhança. Isso mostra que os peixes podem ter memória espacial.

Cocos Frillgoby (Bathygobius cocosensis)
Fonte: Dave Harasti / http://www.daveharasti.com/. Licença: Todos os direitos reservados.

 
Ringscale Triplefin (Enneapterygius atrogulare)
Fonte: David and Leanne Atkinson / https://australianmuseum.net.au/ringscale-triplefin-enneapterygius-atrogulare. Licença: Todos os direitos reservados.

 Poças de maré na praia Dee Why, perto de Sidney.
Fonte: I Plater / https://www.flickr.com/photos/8773698@N03/844452171/in/photostream/. Licença: Todos os direitos reservados.

Dory retorna ao lar
Fonte: Disney Pixar Studios. Todos os direitos reservados.

Vários outros pesquisadores estudam a memória em peixes. Um exemplo interessante é o trabalho dos pesquisadores Bhat e Magurran, da Universidade de Saint Andrews. Eles estudaram os peixes guppies (Poecilia reticulata), que frequentemente formam grupos com outros peixes da mesma espécie com os quais já conviveram anteriormente, ou seja, que são seus "conhecidos". O estudo mostra que guppies reconhecem seus "amigos" mesmo após um período de separação de várias semanas. Esse mesmo trabalho nos explica que esta espécie tende a buscar a companhia de seus "conhecidos" porque isso confere vantagens adaptativas, como maior facilidade em explorar seu ambiente. 

Guppy (Poecilia reticulata)
Fonte: Roman Slaboch / http://www.fishbase.org/summary/3228. Licença: Todos os direitos reservados.

Dory procura seus pais.
Fonte: Disney Pixar Studios. Todos os direitos reservados.

Mas afinal, se peixes conseguem lembrar de algumas coisas, eles também podem esquecer? Os pesquisadores acreditam que uma área do cérebro dos peixes chamada pálio lateral possui as mesmas origens que o hipocampo dos humanos. Nos humanos e outros mamíferos, o hipocampo é uma região do cérebro relacionada à memória. Várias pesquisas mostram que, quando o pálio lateral de peixes (como o peixe-dourado, por exemplo) é danificado, os animais apresentam dificuldade de aprendizado e perda de memória espacial.

Fonte: Disney Pixar Studios. Todos os direitos reservados.

Assim, terminamos a nossa investigação CSI005: Procurando Dory! Apesar de os peixes estarem longe da realidade mostrada no filme, agora sabemos que eles possuem certa capacidade de se lembrar de lugares e "amigos". Além de descobrirmos muitas coisas legais sobre neurociência, pudemos reparar que os peixes podem ter muita mais "consciência" do que imaginamos, de modo que devemos nos preocupar com o bem-estar desses animais, tanto quanto nos preocupamos com o bem-estar de mamíferos. Assim, nunca devemos nos esquecer de adotar medidas sensatas na pesca, pesquisa científica e com os nossos pets. O que você acha sobre isso? Deixe seu comentário!

Ficou interessado? Confira os artigos originais das pesquisas citadas aqui (em inglês):
Memória espacial em peixes:
WHITE, G.E.; BROWN, C. Site fidelity and homing behaviour in intertidal fishes. Marine Biology, v. 160, pp. 1365–1372, 2013.
Reconhecimento de peixes “conhecidos”:
BHAT, H; MAGURRAN, A. E. Benefits of familiarity persist after prolonged isolationin guppies. Journal of Fish Biology, v. 68, pp. 759–766, 2006.
Pálio lateral de peixes vs. hipocampo de humanos:
BROGLIO, C.; GÓMEZ, A. G.; DURÁN, E.; OCAÑA, F.M.; JIMÉNEZ-MOYA, F.; ROFRÍGUEZ, F.; SALAS, C. Hallmarks of a common forebrain vertebrate plan:Specialized pallial areas for spatial, temporal andemotional memory in actinopterygian fish. Brain Research Bulletin, v. 66, pp. 277–281, 2005.
Inteligência, consciência e bem-estar de peixes:
BROWN, C. Fish intelligence, sentience and ethics. Animal Cognition, v. 18, pp. 1-17, 2015.

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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Desvendando as técnicas forenses

Por:
Bianca P. Conçalves
bi_picado@hotmail.com
Tália M. Tremori 
talia_missen@hotmail.com
Você já ouviu falar na palavra FORENSE? Ela vem do latim e significa FORUM. É um termo relativo aos tribunais jurídicos e ao Direito, correlaciona-se com desvendamentos de crimes. E por falar em desvendamentos de crimes, alguém aí já assistiu o seriado “CSI: Crime Scene Investigation”? Sim, este seriado tem tudo a ver com nosso tema de hoje. E sabe por quê?

Porque para desvendar um crime ou descobrir quem foi o criminoso como é feito no “CSI” são utilizadas técnicas forenses, que fazem parte da chamada Ciência Forense, que aplica o conhecimento científico de diversas áreas para auxiliar a Justiça. Entre essas áreas encontramos uma muito importante, a Genética Forense, que oferece técnicas para auxiliar a solucionar casos criminais envolvendo seres humanos ou animais.

A técnica mais utilizada em casos criminais na área da Genética é através do nosso DNA (ácido desoxirribonucleico), que permite, por exemplo, traçar o perfil genético de um indivíduo, e o que é perfil genético? Nada mais é do que a identidade do próprio indivíduo, como se fosse o seu RG genético!

No nosso DNA, existem regiões que variam em sua sequência. Lembram-se das famosas “letrinhas” que compõem o DNA? São elas A (adenina), T (timina), C (citosina) e G (guanina). Essas “letrinhas” irão diferenciar os indivíduos, veja na figura abaixo como elas se organizam na estrutura do DNA e também como elas podem variar, dando origem ao que chamamos de polimorfismos (poli = muitas/ morphos = formas).


Figura 1: Essa figura representa duas duplas fitas de DNA, as “letrinhas” chamadas de bases nitrogenadas podem variar em sua sequência, dando origem ao que chamamos de polimorfismos.

Em casos criminais, as amostras biológicas como sangue, tecido e ossos, coletados no local de crime, geralmente, encontram-se degradadas, o que dificulta muito as análises feitas por pesquisadores e peritos criminais que trabalham em laboratórios de genética. Será então que é possível obter (extrair) DNA de apenas uma gotinha de sangue? Ou um pedacinho de tecido humano?

Sim, não podemos esquecer do DNA mitocondrial (DNAmt), que é ideal para esse tipo de análise, já que é encontrado em abundância nas células. Passaremos agora a recordar sobre as mitocôndrias (Figura 2), uma organela que está presente no citoplasma das células, com grande importância no processo de respiração celular, transformando o oxigênio e a glicose em ATP. Possui DNA em seu interior, chamado de DNA mitocondrial com uma estrutura dupla e circular.

Figura 2: Célula animal ilustrando o DNA presente nas mitocôndrias (DNAmt)

Além de ser encontrando em grande quantidade, o DNA mitocondrial é mais resistente a degradação do que o DNA nuclear, isso ocorre porque sua estrutura é circular como mostrado na figura 2. Dessa forma pode ser utilizado para identificação em casos de restos mortais em desastres, como acidentes aéreos, explosões, incêndios.

Outra aplicabilidade da genética forense é a identificação de espécies da fauna, por exemplo nos casos de contrabando e tráfico de animais, utilizando o DNAmt é possível evidenciar produtos e subprodutos da fauna silvestre, o que permite determinar a origem de amostras suspeitas com segurança, além de dados epidemiológicos e populacionais.

Para a identificação de espécies da fauna utilizamos uma técnica que irá sequenciar (“ler”) uma região específica do DNAmt, essa “leitura” resultará em uma sequência de bases nitrogenadas que será única para a maioria das espécies.

Agora que já aprendemos um pouco da Genética Forense e sua técnica com o DNAmt, é importante lembrar também que a coleta de amostras biológicas na cena de um crime é fundamental e deve ser realizado de maneira minuciosa por um profissional capacitado, além do constante estudo e pesquisas de técnicas aplicadas à Ciência Forense, afinal um pequeno detalhe invisível a olho nu, como o DNA, pode ser o vestígio suficiente para solucionar um crime.

Sobre as autoras: 
Bianca: Biologa pela UENP/Bandeirantes, estudante de direito na ITE/Botucatu, mestre e estudante de douturado em Ciências Biológicas (Genética) – IBB – UNESP/Botucatu, coordenadora da WAWFE (Worldwide Association of Woman Forensic Experts) no Brasil.
Tália: Médica Veterinária, mestre em patologia Animal e estudante de doutorado pela FMVZ – UNESP – Botucatu, fez doutorado sanduíche no país na FMB – USP, Especialista em Informática em Saúde pela UNIFESP, Membro titular da Comissão Técnica de Medicina Veterinária Legal do CRMV-SP, Coordenador da WAWFE (Worldwide Association of Woman Forensic Experts) no Brasil Membro fundador da Asociación Iberoamericana de Ciencias Veterinarias y Forenses.

Imagens retiradas de:
commons.wikimedia.org/wiki/File:Dna-SNP.svg
borgersonresearch.com
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terça-feira, 21 de novembro de 2017

As fotos mais engraçadas da natureza!

Quem disse que a ciência é sempre séria e analítica, sem senso de humor? Como todo mundo, pesquisadores amam dar uma boa risada. Uma prova disso é o Comedy Wildlife Photography Awards, um concurso de fotografia  que premia imagens do mundo selvagem que não apenas são belas, mas também são extremamente engraçadas. Nesta galeria, trouxemos nossas fotos favoritas do concurso. São tão divertidas que dariam bons memes!

Para ver mais fotos do Comedy Wildlife Photography Awards, acesse o site www.comedywildlifephoto.com. Também, confira nossa coluna Ciência Cômica!


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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A fórmula da Juventude – será que ela existe?

Por:
João Paulo Marcondes 
jpcastromarcondes@gmail.com
Quem não gostaria de uma fórmula mágica que pudesse reverter o envelhecimento?

Possivelmente, a grande maioria das pessoas gostaria de permanecer jovem por mais tempo, adiando, assim, os efeitos negativos da idade e da exposição a diversos fatoreis ambientais prejudiciais, como o fumo, por exemplo, sobre nosso organismo. Caso essa fórmula mágica existisse, ela poderia evitar ou retardar desde o envelhecimento da pele ao surgimento de doenças relacionadas à idade, como, por exemplo, a artrose.

Embora as pesquisas sobre o envelhecimento tenham evoluído muito nos últimos anos, retardar consideravelmente tal processo e, também, o surgimento de doenças associadas ao mesmo ainda é uma meta a ser alcançada. Entretanto, talvez estejamos mais próximos de tal meta.

Neste ano, diversos estudos realizados em modelos animais mostraram que matar as células senescentes por meio de drogas específicas (drogas senolíticas: que atacam células senescentes), restaura o porte físico, a densidade da pelagem e função dos rins de camundongos naturalmente senis e aqueles camundongos geneticamente modificados para apresentarem envelhecimento precoce. Além disso, drogas como o dasatinibe em associação com a quercetina podem melhorar a função pulmonar de camundongos senis com fibrose pulmonar idiopática. A eliminação de células senescentes também diminuiu o desenvolvimento de artrose em modelos animais, sendo, portanto, importante alvo para o tratamento das doenças degenerativas das articulações, comuns durante o envelhecimento.


Surgimento e morte das células senescentes.

Mecanismo de ação da droga senolítica FOXO4-DRI. A) a droga FOXO4-DRI faz com que as proteínas FOXO4 e P53 se separem, no núcleo das células senescentes; B) a proteína P53 vai para o citoplasma e ativa outras proteínas e moléculas que levam as células senescentes à morte; C) com a morte das células senescentes, ocorre a diminuiçãoda produção de moléculas inflamatórias e as células normais (não senescentes) e o tecido voltam ao estado de homeostase (tornam-se mais saudáveis); D) isso promove no organismo (camundongo senil) uma recuperação do vigor físico, aumento da densidade da pelagem e melhora da função renal.

Até o momento foram descobertas em torno de 14 drogas senolíticas. Além disso, os resultados promissores com os modelos animais estão encorajando pesquisadores, como os da MayoClinic, nos Estados Unidos, a dar início a um estudo clínico com os compostos dasatinibe e quercetina para o tratamento da doença crônica dos rins.

Entretanto, os pesquisadores alertam que estas drogas podem ter efeitos colaterais, como, por exemplo, o retardo na cicatrização de feridas. Assim, têm-se um longo caminho para se testar a eficácia e segurança de tais drogas em humanos.

Sobre o autor: Biólogo, pesquisador e apaixonado por animais abandonados..

Ficou curioso veja os link abaixo

Português:

http://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/drogas-para-deter-o-envelhecimento-e-os-dividendos-da-longevidade.html
http://www.alert-online.com/pt/news/health-portal/potencial-dos-medicamentos-senoliticos-analisado-pela-mayo-clinic

Inglês:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28340339?dopt=Abstract&holding=npg
Figuras traduzidas de:
https://www.nature.com/news/to-stay-young-kill-zombie-cells-1.22872
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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Bate papo com... Marcos Edgar Herkenhoff


Bate-papo descontraído sobre como estudar e trabalhar ao mesmo tempo!
  

Para maiores informações acesse

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4248770H1
http://equusgroup.com.br/

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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Tipo sanguíneo


Tempos modernos!

Fonte imagem: psychologist clipart
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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Minha querida pesquisa - João Zamae



João Zamae
Médico Veterinário
Especialista em patologia animal e
oncologia de pequenos animais
Mestre em patologia animal
Doutorando em Onco-patologia
pela FMB-Botucatu
Até o terceiro colegial eu nunca havia pensado seriamente sobre qual faculdade cursar, e pela afinidade com a área de biológicas, optei pelo curso de Ciências Biológicas na UNESP de Botucatu. Porém,esta primeira estadia em Botucatu foi curta. Devido à imaturidade eu não me adaptei à cidade, nem ao curso, nem às pessoas e decidi voltar pra casa dos meus pais e refletir sobre o que eu queria realmente fazer.
Avaliando melhor as opções de profissão eu optei pela faculdade de medicina veterinária e eu escolhi a Universidade Estadual de Londrina (UEL) para prestar vestibular. Fui aprovado, gostei do curso, da cidade e fiz vários amigos, mas, infelizmente por questões familiares precisei abandonar os estudos e voltar pra casa dos meus pais uma vez.
Os acontecimentos me abalaram consideravelmente e, ter que recomeçar me parecia insuportavelmente desgastante. Mas, felizmente, logo em seguida consegui retomar meus estudos na Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) em Presidente Prudente, minha cidade natal.
Esse período de descompassos e incertezas me fez adquirir maturidade suficiente pra aproveitar melhor meus anos seguintes na faculdade e tomar decisões de maneira mais segura. Por isso optei por trabalhar na área de patologia aviária. A matéria de patologia já havia me interessado e o mercado avícola, que crescia consideravelmente, estava carente de profissionais especializados na área. O primeiro passo para essa especialização foi o exame que prestei para residência na FMVZ-UNESP de Botucatu. Fui aprovado e retornei à Botucatu depois de tantos anos.
No primeiro ano de residência eu me deparei com um novo dilema. Ganhar dinheiro não é o que nos faz felizes. É importante optar por um trabalho que nos deixe satisfeitos e dê sentido à nossa vida. Só assim é possível fazê-lo bem e estar envolvido com ele durante tanto tempo, diariamente. E essa não era a minha relação com a rotina do laboratório e o mercado avícola.
Questões de bem-estar animal e ética se tornaram muito fortes para mim e eu compreendi que a minha insatisfação era fruto do fato de que o meu trabalho não proporcionava a melhora da qualidade de vida dos animais, ponto fundamental na escolha da minha profissão.
E foi então que veio outra mudança. Em paralelo à residência e depois ao mestrado, ainda na área de patologia aviária, fiz uma especialização strictu sensu em oncologia de pequenos animais, trabalhei em algumas clínicas, fiz diversos cursos e contatos que me ajudaram a migrar para essa nova área de atuação – a oncologia animal.
Com o currículo mais sedimentado e buscando ampliar minha área de trabalho, e com uma boa bagagem de técnicas laboratoriais, patologia e experimentação animal, eu procurei o Professor Deilson Elgui de Oliveira da Faculdade de Medicina – de quem a linha de pesquisa em oncologia havia me interessado muito- para um possível doutorado na área.
Com o aceite do Professor, escrevemos o projeto, eu prestei a seleção de doutorado, e depois das quatro fases de seleção, fui aprovado.
Atualmente trabalho testando novas substâncias candidatas ao tratamento dos tipos de cânceres mais frequentes. Assim consegui resolver minhas questões de ética e relevância do meu trabalho, e posso fazê-lo diariamente satisfeito sabendo que os frutos gerados serão em benefício de muitas pessoas.
Meu conselho para aqueles que lêem esse relato é que escolham suas profissões por amor, o que nem sempre é facilmente acessível e, portanto, tenham paciência no – longo – caminho a ser percorrido até a concretização desse objetivo.

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Novembro azul

Em meio à campanha Novembro Azul, você já parou para pensar sobre a importância da pesquisa sobre câncer de próstata, que pode ajudar na melhora do diagnóstico e tratamento desta doença? Esta semana, nossa coluna traz uma galeria com fotos obtidas durante pesquisa sobre a Biologia Celular e Histologia do câncer de próstata.

Agradecemos à Prof. Flávia Delella e seus colaboradores pelo fornecimento das imagens.
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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A doença que teria originado o mito dos vampiros

Por:
João Zamae 
 joaozamae@gmail.com
concepção do vampiro como um monstro sugador de energia vital foi uma das primeiras manifestações culturais diante do desconhecimento das doenças. Assim, quando alguém se sentia mal, logo atribuíam o fato ao sobrenatural. E sendo o sangue o símbolo da vida, muitos acreditavam que esses seres se alimentavam dele.

Os vampiros têm registro em várias culturas antigas como a mesopotâmica, a grega, a suméria, a babilônica, a asteca, a africana e a hebraica, mas o termo "vampiro" apareceu no século XVIII na França num documento que registra casos vampirísticos. E foi nos vilarejos da Europa central que eles começaram a se parecer mais com os vampiros de hoje. Mas o ponto decisivo para a concepção do vampiro atual foi o livro Drácula, de BramStoker, lançado em 1897, inspirado no crudelíssimo príncipe Vlad Tepes Dracul, que governou a Valáquia (atual Romênia) na metade do século XV. As diversas manifestações que se seguiram foram creditando outras características ao monstro até ele virar o que é hoje: o personagem popular em livros, filmes, seriados e jogos. Sedutor, infantil, selvagem, cruel e até mesmo brilhante à luz do sol

De esquerda a direita: Retrato de Vad II (Vlad Tepes Dracul) datado do ano 1560 d.; O vampiro Edward Cullen, da série Crepúsculo, interpretado pelo ator Robert Pattinson; A vampira Iris, do filme 30 Dias de Noite, interpretada pela atriz Megan Franich
Acontece que algumas das doenças que atacaram a Europa no séc XVIII, hoje conhecidas e desmistificadas, têm sintomas próximos aos relatos de vampirismo. Dentre elas, damos destaque aqui à porfiria. Porfiria é uma doença que resulta de problemas nas enzimas envolvidas na síntese do composto heme, o componente das hemáceas que confere ao sangue sua cor vermelha. Existem diferentes tipos de porfirias, atualmente sendo classificadas de acordo com suas deficiências enzimáticas específicas no processo de síntese do grupo heme. Dentre estas, a porfiria eritropoiética (PEP) caracteriza-se pela falta do composto heme e acúmulo de protoporfirina IX (PPIX), um intermediário na síntese do heme nas hemácias.

Esquerda: Esquema da composição da proteína hemoglobina contida nas hemácias; Direita: Esquema e numero dos tipo de porfiria e em quais fases ocorrem seus respectivos comprometimentos. 
Os pacientes com PEP apresentam hipersensibilidade à luz e, por isso, quando expostos ao sol ocorre a formação de bolhas na pele, coceira e inchaço e mesmo em dias nublados há radiação UV suficiente para causar esses desconfortos. Nos casos mais severos a sensibilidade da pele limita os pacientes a saírem de casa apenas durante a tardinha e à noite. Esses pacientes apresentam também uma anemia crônica que lhes gera cansaço extremo e pele pálida, e , mais raramente, alterações no funcionamento do fígado e outros comprometimentos de causa desconhecida. Isso ressalta a necessidade de estudo dessa doença.

Pacientes acometidos pela fotossensibilidade cutânea nas mãos e na face.
Como causas genéticas da PEP conheciam-se duas possíveis alterações em dois genes diferentes responsáveis pela produção de enzimas envolvidas na síntese do composto heme, entretanto, os pesquisadores Yvette Y. Yen e o Dr. Barry H Paw da Escola de Medicina de Harvard, juntamente com colaboradores, reportaram recentemente a identificação de uma terceira alteração genética capaz de induzir a doença e manifestação dos sintomas previamente descritos. A descoberta veio do estudo do caso de uma mulher francesa de 18 anos, membro de uma família do norte da França acometida pela porfiria e atendida no Centro Francês de Porfiria.

Embora a descoberta seja bastante relevante, os tratamentos para tal doença, como a ingestão de altas doses de vitamina B e também de ferro são pouco eficientes. Em verdade, muitas das recomendações antigas continuam sendo feitas e devem ser observadas com rigor, como evitar expor-se à luz solar limitando o tempo que passam fora de casa, uso de roupas que cubram os braços, pernas, além da aplicação de uma generosa camada de bloqueador solar e dar preferência aos tecidos capazes de bloquear a radiação UV. A transfusão sanguínea também pode ser recomendada pelos médicos no sentido de aumentar a disponibilidade do composto heme no corpo dos pacientes para aliviar os sintomas da anemia crônica que frequentemente os acomete.

Sendo assim, podemos compreender que antigamente não havia acesso a roupas especiais e nem disponibilidade de transfusões sanguíneas e, por isso, sair apenas à noite e ingerir sangue de animais eram as únicas medidas possíveis de serem tomadas. Isso reforçou a ideia de que vampiros de fato existiam, deixando longe da mente do coletivo a possibilidade de que essas pessoas fossem na verdade afetadas por uma rara doença.

Sobre o autor: Médico veterinário, especialista em oncologia animal, cursou residência e mestrado em patologia animal pela FMVZ-UNESP de Botucatu e atualmente é doutorando em oncologia pelo Programa de Patologia da FMB-UNESP de Botucatu, e membro do grupo ViriCan, onde investiga o uso de produtos naturais no tratamento dos cânceres.

Imagens Retiradas de:
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/af/Vlad_Tepes_002.jpg/1200px-Vlad_Tepes_002.jpg
http://www.dicademusculacao.com.br/porfiria-cutanea-o-que-e-causas-e-tratamentos/ http://noitesinistra.blogspot.com.br/2013/05/porfiria-sindrome-do-vampiro.html#.WgH_PFtSx9M
https://i1.wp.com/bluemoonrising.com/content/2007/11/30-days-of-night-megan-franich.jpg?fit=400%2C600&ssl=1
http://twilightsaga.wikia.com/wiki/Edward_Cullen?file=Edward-376194_429619737081258_1836140990_n.jpg
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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Desvendando as Coleções Biológicas


Por: Lucas Denadai de Campos
lcdenadai@gmail.com



As coleções biológicas têm um papel fundamental no conhecimento e preservação dos seres vivos. Essas coleções podem conter animais, plantas, fungos e até mesmo microrganismos como bactérias e vírus. Coleções biológicas nada mais são do que a reunião ordenada de espécimes mortos, ou parte deles, que são preservados para estudos (Figura 1). Existem diversas coleções biológicas pelo mundo.

Figura 1. Coleção de crânios de vertebrados.

Elas foram e ainda estão sendo formadas há décadas, se não, séculos! Todo o material biológico dessas coleções vem de grandes expedições realizadas pelo mundo, ou mesmo, de coletas na praça do centro da cidade. Normalmente, são os museus de história natural (preserva material das ciências naturais: seres vivos e minerais), herbários (coleção de plantas dessecadas) e institutos de pesquisa que detém esses tipos de coleções. Porém, qual é o objetivo de guardar todos esses espécimes?

Figura 2. A- Exposição de insetos do Catavento Cultural na cidade de São Paulo. B- Grande Galeria da Evolução em Paris, França.

Para entender melhor, basicamente existem dois tipos principais de coleções biológicas: didáticas e de pesquisa. As coleções didáticas contêm material biológico destinado ao ensino, exposições e treinamento de novos pesquisadores (Figura 2). Elas podem ser encontradas em instituições de ensino como escolas, universidades e museus. Essas coleções são completamente separadas das coleções de pesquisa e tem como objetivo expor o material para o conhecimento da população. A necessidade de sua reposição é constante, uma vez que os exemplares de coleções didáticas se deterioram em um curto período de tempo devido ao manuseio e exposição continuados.

As coleções de pesquisa, como o próprio nome já diz, são destinadas a pesquisa científica e de acesso restrito apenas aos pesquisadores. Nessas coleções de pesquisa, não estão depositados só os espécimes que já foram estudados, mas os que ainda serão. É a partir dessas coleções que novas espécies são descritas e identificadas. Se hoje conhecemos parte da diversidade biológica do nosso planeta, devemos muito as coleções biológicas.

Figura 3. Coleção científica de insetos do Museu de História Natural de Paris.

As coleções de pesquisa necessitam de grandes espaços devido à grande quantidade de material. O Natural History Museum em Londres na Inglaterra, possui em suas coleções seis milhões de espécimes de plantas, 34 milhões de insetos e aracnídeos e mais de 29 milhões de espécimes de outros animais como invertebrados marinhos e vertebrados! Estamos falando apenas de um único museu. Existem outros de porte parecido como Muséum national d’Histoire naturelle (Paris, França) (Figura 3), ou o National Museum of Natural History (Washington, EUA).

Entretanto, coleções biológicas de pesquisa não são apenas “coisa de gringo”. No Brasil, também temos nossas coleções, que são conhecidas e respeitadas dentro e fora do país. Algumas dessas coleções, podem ser encontradas no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (São Paulo-SP) (Figura 4), Museu Nacional (Rio de Janeiro-RJ) e no Museu Paraense Emílio Goeldi (Belém-PA).

Figura 4. Coleção científica de peixes do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

Atualmente, com o rápido avanço da tecnologia e a informatização, o acesso e utilização das coleções biológicas tem sido cada vez mais constante. Bancos de dados das coleções estão sendo disponibilizados na internet, tanto para o conhecimento dos seres vivos, quanto para fonte de informações para pesquisas. Se lembra dos espécimes que foram coletados séculos atrás e foram depositados em coleções biológicas? Hoje em dia, com o avanço tecnológico, é possível desenvolver pesquisas com eles, que nunca foram cogitadas pelos cientistas. Tudo isso porque alguém decidiu um dia começar a coletar e guardar os seres vivos de maneira ordenada para que pudessem ser estudados posteriormente. Se tiver a oportunidade, visite uma coleção biológica, seja ela no Brasil ou no exterior, seja de pesquisa (se você for um pesquisador) ou didática. Parte da história da vida em nosso planeta está ali, parte compreendida e parte aguardando para ser desvendada.


Sobre o autor: Lucas é admirador de Entomologia e macrofotografia. Formado em Ciências Biológicas modalidades Licenciatura (2012) e Bacharelado (2014) pela "Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho"-UNESP, no Campus de Botucatu - IBB. Mestre pelo programa de pós-graduação em Ciências Biológicas (Zoologia) do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, onde desenvolveu estudos taxonômicos e filogenéticos sobre os ortópteros (2016). Atualmente é doutorando pelo mesmo programa de pós-graduação, desenvolvendo estudos taxonômicos, filogenéticos e evolutivos de grilos.  Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em Taxonomia dos Grupos Recentes.

Fonte:
Winston, J. E. Describing species: practical taxonomic procedure for biologists. Columbia University Press, 1999. 518 pp.
Papavero, N. (1994). Fundamentos práticos de taxonomia zoológica (coleções, bibliografia, nomenclatura). 2ª edição. São Paulo: Ed. Unesp, 1999. 285 pp.
Natural History Museum website: http://www.nhm.ac.uk/ acesso 22 de setembro de 2017.

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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Eu, Roubô


A máquina ou o ser humano?


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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Quer aprender sobre menstruação? A Judith te ajuda!

 


Por: Lúcia Regina Machado da Rocha
lrocha@ibb.unesp.br

O aparecimento do ciclo menstrual nas meninas é um acontecimento importante e marcante, pois sinaliza as mudanças do seu corpo frente ao surgimento dos hormônios sexuais, e com isso o início de sua passagem para a vida adulta. Na escola, pode-se estudar o ciclo menstrual em vários momentos: final do ensino fundamental e/ou ensino médio. A profundidade com a qual o tema deve ser trabalhado pode ser diferente de acordo com a etapa de desenvolvimento dos alunos dentro do processo de ensino-aprendizagem da disciplina.
Para trabalhar melhor esses conceitos, uma das estratégias é utilizar modelos didáticos. No curso de férias “Reprodução de A a Z” foi criado um modelo didádico em isopor que possibilita trabalhar o tema em diferentes níveis (Figura 1).
Figura 1: Neste modelo, em tamanho aumentado para melhor visualização e manuseio, podemos observar: vagina, canal vaginal, colo uterino, corpo do útero com endométrio, tubas uterinas, fímbrias e ovários (A) a relação de todos os hormônios envolvidos no ciclo menstrual (B).
Judith é o nosso modelo, idealizado por dois alunos de Pós-graduação da área da Física Médica: Juliana Fernandes de Matos e Luiz Gustavo de Oliveira Simões, sob orientação das Professoras Dras. Lucia Regina Machado da Rocha, Silvia MitikoNishida e Clélia AkikoHiruma-Lima do Instituto de Biociências da UNESP de Botucatu.
Este modelo permite, através de sua manipulação, observar o óocito sair do ovário, o espessamento do endométrio durante o ciclo menstrual e o descolamento do endométrio (menstruação). Além disso, podemos simular um espermatozoide atravessando o útero, o encontro do óocito e do espermatozoide na tuba uterina, assim como sua trajetória até a implantação no endométrio. Dependendo da profundidade que se pretende trabalhar este tema, é possível, ainda, envolver os hormônios produzidos nas diferentes fases do ciclo menstrual pelo ovário e relacionar com outros hormônios hipotalâmicos e hormônios hipofisários envolvidos no mesmo processo. Neste mesmo momento é possível também discutir com os alunos o surgimento dos caracteres sexuais secundários como, por exemplo, o surgimento de seios e desenvolvimento do formato do corpo feminino adulto.
O curso de férias mantém um canal no Youtube chamado “Reprodução de A a Z”  com vários filmes didáticos. Abaixo você pode conferir o filme da Judith sendo utilizada para explicar o ciclo menstrual:

O diferencial deste modelo vai além de mostrar a trajetória dos gametas sexuais e a formação/implantação do zigoto em caso de fecundação. É possível utilizar o modelo ao final do ciclo menstrual e realizar uma coleta do material expelido durante a menstruação.

Sobre a autora: Bióloga (PUC-RS),  Doutorado em Fisiologia USP-RP, Professora do Depto de Fisiologia da UNESP de Botucatu - SP e uma das coordenadoras do curso de férias "Reprodução de A a Z".

Quer saber mais? Veja os links embaixo
http://www.auladeanatomia.com/ http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_exibe1.asp?cod_noticia=1220
http://www.infoescola.com/sistema-reprodutor
CURI, R., PROCOPIO, J. Fisiologia Básica, 1ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. 900p.
SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 5ªed. São Paulo. Artmed, 2010. 816p.
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