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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Minha querida pesquisa - Rafael Takahiro Nakajima



Rafael Takahiro Nakajima – Biólogo 
Mestre em Ciência Biológicas (Genética) 
Estudante de Doutorado UNESP  
Instituto de Biociências de Botucatu

Desde criança sempre me interessei por animais. Brincava com grilos, gafanhotos, aranhas, lagartixas, cachorros e adorava peixes!! Assim, entrei no curso de Ciências Biológicas visando trabalhar com animais, especialmente os peixes! Entretanto, no segundo ano da faculdade comecei a fazer um estágio com serpentes no CEVAP – Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos da Unesp, Botucatu-SP, mas não durou muito tempo. Logo, comecei um novo estágio, mas agora estudando genética (ciência que estuda a hereditariedade, ou seja, a forma como as características são repassadas de geração para geração, bem como sua estrutura e funções) em peixes! Após terminar a graduação, pensando em ter novas experiências, ingressei no mestrado na área de Genética estudando uma enzima, RNA polimerase (enzima que produz uma fita de RNA a partir de uma fita de DNA). Essa enzima é responsável pela produção de RNA mensageiro (molécula constituída de compostos químicos: açúcares, bases nitrogenadas) em um contexto voltado para bioinformática (uso da informática na análise e modelagem de dados obtidos em pesquisa biológica). Hoje, faço Doutorado na UNESP, em Botucatu-SP, analisando o perfil proteico em uma espécie de peixe, Astatotilapia latifasciata, oriunda da África.
Mas por que uma espécie de peixe africano? O que é perfil proteico?
Em relação ao peixe, escolhemos esta espécie por ele ser utilizado como peixe ornamental e, principalmente, por apresentar um cromossomo (estruturas compostas por DNA associados a proteínas histonas em um arranjo complexo durante a divisão celular) a mais que o normal. Nós humanos, por exemplo, possuímos 23 pares cromossômicos e, quando apresentam uma alteração numérica, ocasionam aneuploidias (alterações no número de cromossomos), provocando doenças. No entanto, no peixe A. latifasciata, a presença de um cromossomo a mais não resulta em doenças e aparentemente não prejudica sua sobrevivência. Outro fato interessante é que há um aumento de indivíduos com este cromossomo extra, demonstrando haver uma hereditariedade, sendo passado dos pais para os filhos. Para que isso ocorra, este cromossomo extra deve conter alguma importância para o indivíduo.
Pensando nisso estudamos o perfil proteico destes peixes. Então vêm as perguntas: O que é o perfil proteico? Por que estudá-lo?
O perfil proteico é o conjunto de proteínas (macromoléculas compostas por aminoácidos) presentes em um órgão, tecido em um determinado momento. Estas proteínas são importantes porque geralmente elas exercem uma resposta final durante o desenvolvimento ou a um estímulo ambiental, por exemplo. Aí entra nossa dificuldade, conseguir extrair o conjunto de proteínas em um tecido específico em momentos iguais entre indivíduos diferentes e comparar a presença e a quantidade das proteínas.

Figura 1. Estruturas das proteínas. Estrutura primária ou linear: sequências de aminoácido; estrutura secundária ou helicoidal: interação entre os aminoácidos da estrutura linear; Estrutura terciária ou globosa: interações entre as partes da estrutura secundária; Estrutura quaternária: é a associação das partes da estrutura globosa formando uma macromolécula mais complexa. Fonte https://www.slideshare.net/brandaobio/protenasppt2
 
Conseguindo analisar essas proteínas poderemos identificar um possível papel do cromossomo extra que esta espécie de peixe apresenta justificando assim, sua transmissão para as proles (conjunto de filhos de um casal). Além disso, esta análise pode ser aplicada para a pesquisa em outros animais, insetos ou plantas, analisando não somente a relação com o número de cromossomos, mas também com doenças e possíveis tratamentos. Mas isso fica para um próximo artigo!


Sobre o autor: Formado em Biologia – licenciatura, Mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP Botucatu. Atualmente sou membro do corpo editorial do jornal Ciência na Medida e aluno de Doutorado pelo programa de pós-graduação em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP – Botucatu.

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