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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

AIDS: Será que a cura está próxima?

Por:
Cristiane Alves 
cris_desantis@yahoo.com.br
HIV, ou, Vírus da Imunodeficiência Humana é o agente causador da AIDS (do inglês: Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), doença que enfraquece o sistema imunológico do paciente, isto é, interfere na capacidade do corpo em combater bactérias e vírus. Isso significa que o portador do vírus que desenvolver AIDS pode morrer por causa de um simples resfriado ou desenvolver doenças mais graves como tuberculose, pneumonia e câncer com maior facilidade, além de dificultar o tratamento das mesmas.
O sistema imunológico é uma barreira complexa, formada por diferentes células de defesa que são responsáveis pelo combate aos micro-organismos e, dentre estas células, estão os linfócitos T CD4+, alvos do HIV.
Do lodo esquerdo, esquema do ciclo do HIV, e do lado direito, imagem ilustrativa do HIV.
Pessoas infectadas com o vírus HIV - soropositivos - podem demorar anos para começar a apresentar os sintomas e desenvolver a doença - AIDS. Nesse período, podem infectar outras pessoas sem saber, através de relações sexuais sem preservativos, do uso compartilhado de agulhas e materiais perfuro-cortantes, da transfusão sanguínea ou durante a gestação, parto e amamentação.
O tratamento contra o vírus é realizado por meio de medicamentos - os antirretrovirais - que atuam na replicação/multiplicação do vírus, controlando assim a quantidade de vírus presente no paciente. Porém, esses medicamentos são muito "fortes" e podem causar efeitos colaterais como diarreia, náusea, vômito, manchas vermelhas pelo corpo, agitação e insônia. Estes efeitos, muitas vezes fazem com que alguns pacientes abandonem o tratamento.
Até o momento, apenas 1 paciente - o paciente de Berlim - foi definitivamente curado. A cura funcional, onde a quantidade de vírus circulante é tão baixa, que não existe mais a possibilidade de transmissão do vírus para outras pessoas, é o objetivo da maior parte dos tratamentos.
Em estudo recente, um estudante de doutorado do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) em parceria com a Louisiana State University, nos Estados Unidos, descobriu que a proteína Puchellina, obtida a partir de uma planta da flora brasileira, Abrus pulchellus tenuiflorus, é capaz de identificar e combater o vírus HIV.
Eles conjugaram anticorpos contra o HIV (HIV 924 anti-gp120 ou MAc 7B2 anti-gp41) com a proteína Puchellina e verificaram que o anticorpo+Puchellina identifica e elimina apenas as células T CD4+ contaminadas, o que pode trazer alívio para os efeitos colaterais causados pelos medicamentos tradicionais, e assim, evitar que pacientes abandonem o tratamento.
O estudo foi realizado em células contaminadas com HIV e está em fase inicial, mas os pesquisadores já indicaram que vão continuar os estudos e, em breve, esperamos ter boas notícias!
Flor da planta Abrus pulchellus tenuiflorus
Em outro estudo recente, um grupo de pesquisa da Stanford University, nos Estados Unidos, conseguiu sintetizar a Briostamina 1. A molécula é isolada a partir de um organismo marinho, Bugula neritinga, e é utilizada com grande sucesso em estudos clínicos de doenças como o câncer, Alzheimer e AIDS.
Até o momento, o principal limitante para o avanço nas pesquisas, era a disponibilidade da molécula. São necessárias 14 toneladas do organismo marinho para a produção de 18 gramas da substância!
Entretanto, tudo indica que o grupo norte-americano conseguiu sintetizar a molécula, e os estudos promissores podem mover adiante para a busca da cura destas terríveis doenças.
Bugula neritinga
Na Flórida (Estados Unidos), outro grupo de cientistas está muito próximo da cura funcional do HIV/AIDS. O foco da pesquisa está em uma outra molécula derivada de organismos marinhos, desta vez, da esponja Corticum simplex.
A molécula vinda da esponja, a dCA (didehydro-Cortistatin A) já foi sintetizada em laboratório e pode ser utilizada por pesquisadores sem restrições. Ela atua diretamente em uma proteína produzida exclusivamente pelo HIV, que está envolvida na formação do RNA viral, a Tat. Esta molécula foi utilizada em conjunto com os tradicionais antirretrovirais em camundongos infectados com HIV.
Foi observada uma redução drástica na quantidade de RNA viral nos camundongos, e após 19 dias sem tratamento, não houve o efeito rebote, ou seja, a quantidade de vírus não voltou a crescer nos camundongos infectados.
Até 2016, existiam 36,7 milhões de pessoas infectas pelo HIV no mundo, e 1 milhão de pessoas morreram em decorrência da AIDS.
No Brasil, entre 2010 e 2015, houve um aumento de 3% nos novos casos.
Após uma queda mundial no número de novos casos, alguns países estão voltando a apresentar um aumento no número de novos infectados pelo HIV.
Provavelmente, a razão para esse aumento é a falta de políticas públicas de prevenção somadas à falta de recursos financeiros.
E não podemos esquecer, que as gerações nascidas após meados dos anos 90, não passaram pelo trauma de assistir a seus ídolos, parentes e conhecidos definhando e morrendo de forma devastadora, durante o surgimento e alastramento do HIV/AIDS em todo o mundo durante os anos 80 e início dos 90, antes do surgimento e da acessibilidade dos pacientes aos potentes medicamentos, que mascaram a doença e melhoram a qualidade de vida.
Aqui, deixo um alerta: A cura para o HIV/AIDS pode estar cada vez mais próxima, graças as pesquisas da área, porém, uma cura definitiva ainda não existe. Por isso, nunca se esqueçam de sempre usar preservativos e nunca compartilhar agulhas!

Sobre a autora:  pós-doutoranda do Laboratório de Telômeros no Departamento de Genética do IBB-UNESP de Botucatu. Bióloga pelo IBB-UNESP de Botucatu, com Mestrado e Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela mesma instituição, com período sanduíche na Universidade de Utah, em Salt Lake City e Cold Spring Harbor Lab, em Nova York, EUA.

Quer saber mais? Separei uma lista de filmes para entender melhor sobre a gravidade e a seriedade da AIDS/HIV:

The Normal Heart - Direção: Ryan Murphy – 2014
Holding Trevor – Direção: Rosser Goodman – 2007
As Horas (The Hours) – Direção: Stephen Daldry – 2002
Carandiru (Carandiru) – Direção: Hector Babenco – 2003
Por Uma Noite Apenas (One Night Stand) – Direção: Mike Figgis – 1997
Cazuza, o Tempo Não Para (Cazuza) – Direção: Sandra Werneck, Walter Carvalho – 2004
Um Lugar para Annie (A Place for Annie) – Direção: John Gray – 1994
A cura (The Cure) – Direção: Peter Horton – 1995
Kids – Direção: Larry Clark – 1995
Filadélfia (Philadelphia) – Direção: Jonathan Demme – 1993
Meu Querido Companheiro (Longtime Companion) – Direção: Norman René – 1990

Ficou curioso veja os link abaixo

Português:

http://unaids.org.br
http://giv.org.br/HIV-e-AIDS/O-Que-é-a-AIDS/index.html
https://drauziovarella.com.br/entrevistas-2/tratamento-da-aids/
https://www.vix.com/pt/ciencia/549498/cura-do-hiv-pesquisadores-brasileiros-acham-planta-que-pode-acabar-com-o-virus
http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/proteina-extraida-de-planta-brasileira-pode-combater-celulas-com-hiv/
http://www.saudecomciencia.com/2017/08/trepadeira-abrus-pulchellus-tenuiflorus-HIV-pulchellina.html

Inglês:
https://www.nature.com/articles/s41598-017-08037-3
http://science.sciencemag.org/content/358/6360/218
http://www.cell.com/cell-reports/fulltext/S2211-1247(17)31385-2
http://www.iflscience.com/health-and-medicine/researchers-discovered-functional-cure-hiv/
https://www.livescience.com/48015-berlin-patient-hiv-treatment.html
https://youtu.be/FDVNdn0CvKI

Figuras retiradas de:
http://www.radiochapeco.com.br/2016/11/30/ministerio-da-saude-apresenta-novos-dados-sobre-hiv-e-aids-no-brasil/
https://www.vix.com/pt/bdm/saude/pep-sexual-pode-evitar-aids-se-voce-transou-com-um-portador-do-hiv-veja-onde-conseguir-como
http://www.exoticsguide.org/bugula_neritina
http://nathistoc.bio.uci.edu/Ectoprocta/Bugula%20neritina/index.html
http://www.saudecomciencia.com/2017/08/trepadeira-abrus-pulchellus-tenuiflorus-HIV-pulchellina.html
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