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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Sangue tipo A, B, AB ou O são compatíveis? Experimento para ensino do sistema sanguíneo e transfusão


Por:
Talita Aleixo
talita.aleixo@ibb.unesp.br
 Ana Liz 
 lizuchida@gmail.com


Érica Ramos
erica.ramos00@gmail.com


O ensino dos conceitos de Ciência e Biologia apresenta muitas dificuldades de apropriação, além de adversidades decorrentes da infraestrutura da escola, que impossibilitam aos professores aplicarem atividades práticas. Apesar desse cenário, utilizar aulas práticas ou experimentais pode ajudar no desenvolvimento de conceitos científicos, além de permitir que os estudantes aprendam como compreender, objetivamente, o seu mundo e como desenvolver soluções para problemas complexos. Assim, é importante que o aluno seja capaz de manipular diferentes variáveis para testar possíveis hipóteses.
Dessa forma, diante das exigências de um ensino promissor, o grande desafio do educador de Ciências está em tornar o ensino de Biologia prazeroso e instigante, o qual possa levar o aluno a desenvolver o saber científico aplicado em seu cotidiano. Portanto, a utilização de atividades práticas, de fácil aplicação e que não precisem de muitos materiais pode ser uma ótima alternativa diante da a atual conjuntura do sistema de ensino.
Pensando na importância da experimentação para o ensino de ciências, a atividade prática descrita abaixo tem como objetivo auxiliar o ensino e a aprendizagem de conteúdos relacionados à caracterização dos grupos sanguíneos, à determinação do sistema ABO e a procedimentos de transfusão sanguínea:
               
Para essa aula prática será necessário a utilização dos seguintes materiais:
  • Copos contendo água.
  • Copos contendo café.
  • Copos contendo leite.
  • Copos contendo café com leite.
Materiais utilizados no experimento
 
Como realizar o experimento:
  1. Coloque um pouco de água nos copos de café, leite e café com leite. O que observar: Você irá perceber que as misturas não diferem das misturas iniciais. Assim: é possível afirmar que podemos adicionar água a essas misturas sem que ocorram modificações.
  2. Coloque um pouco de café nos copos de água e no de leite. O que observar: As misturas ficarão diferentes das misturas inicias. Dessa forma, adicionar café nos demais copos altera/modifica, visualmente, o que há neles. 
  3. Coloque um pouco de leite nos copos de água e de café. O que observar: Os resultados serão semelhantes ao experimento 2. Assim, as misturas ficarão diferentes das misturas iniciais e poderemos afirmar que não é possível misturar leite aos outros líquidos, pois estes se modificariam.
  4. Coloque um pouco de café com leite nos copos de água, de leite e no de café. O que observar: As misturas se alteram e, dessa forma, não é possível misturar café com leite aos demais líquidos, uma vez que estes ficarão modificados.
  5. Coloque um pouco de café, leite e água no copo de café com leite. O que observar: As misturas não irão se alterar. Dessa forma, podemos afirmar que é possível misturar café, leite ou água no copo de café com leite, pois este não altera nenhum dos líquidos.
O que podemos aprender sobre o sistema sanguíneo com a mistura dos líquidos?
Primeiramente, o professor deve explicar que cada mistura representa, de maneira didática, um tipo sanguíneo diferente do nosso sistema:
  • Copo com água: tipo O
  • Copo com leite: tipo A
  • Copo com café: tipo B
  • Copo com leite e café misturados: tipo AB
Na transfusão de sangue, ocorre algo semelhante aos cinco experimentos que fizemos anteriormente. O sistema sanguíneo A, B, AB e O indica que algumas pessoas têm o tipo de sangue A, outras têm o tipo de sangue B, outras pessoas têm o sangue AB e outras têm o tipo O.
Comparando com as observações feitas nas misturas dos líquidos, o professor pode discutir em sala de aula que:
  1. TIPO O: A água foi a única capaz de ser adicionada em todas as outras misturas sem alterá-las. Portanto, o grupo O pode doar sangue para todos os grupos sanguíneos A, B, AB, além dele mesmo (O). Por essa razão, o grupo O é chamado doador universal. Repare que, a água não foi capaz de receber nenhuma outra mistura, além dela mesma, em seu copo sem se alterar. Então, apesar de doar para todos os demais tipos, o tipo O só recebe sangue O.
  2. TIPO AB: Verificamos que o copo de café com leite foi o único tipo sanguíneo capaz de receber líquidos de todos os outros copos sem que sua mistura original fosse modificada. Assim ocorre com o tipo sanguíneo AB, que é receptivo a qualquer outro tipo sanguíneo, por isso, o grupo AB é chamado receptor universal. Como não é possível adicionar café com leite aos outros líquidos, água, café e leite, sem que ocorram alterações, o grupo AB não pode ser doador para nenhum dos tipos sanguíneos diferentes dele mesmo.
  3. TIPO A: Como só é possível adicionar um pouco de café no copo de café com leite, o grupo A pode doar sangue somente para o grupo AB e para ele mesmo (A). No entanto, ele pode receber somente do tipo O e dele mesmo.
  4. TIPO B: Como só é possível adicionar um pouco de leite no copo café com leite, o grupo B pode doar sangue para o grupo AB e para ele mesmo, mas só pode receber sangue dos tipos O e dele mesmo.
Esse experimento é ótimo para ilustrar as diferenças entre os tipos sanguíneos e as consequências dessas diferenças para a transfusão sanguínea. Vale a pena fazer um quadro comparativo na lousa e evidenciar o que, em termos biológicos, diferencia um tipo sanguíneo do outro, abordando seu caráter hereditário.

Sobre as autoras:  
Talita Aleixo: Bióloga e mestre em Genética pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho Câmpus de Botucatu/SP, estudante de Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela mesma instituição.

Ana Liz: Bióloga, mestranda em Zoologia pelo Instituto de Biociências de Botucatu - UNESP.

Érica Ramos: Bióloga e Mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP, apaixonada pelo tema Educação e, também, editora desta página de Divulgação Científica. No momento atua como aluna de doutorado na UNESP, na área de Genética.



Quer saber mais sobre o assunto?
Nagem, R.L. & Carvalhes, D.O. Abordagem de Analogias em Ambientes Interacionistas na Educação. IV Encontro Nacional de Pesquisa e Educação em Ciências.

Setúval, F.A.R. & Bejarano, N.R.R. 2000. Os modelos didáticos com conteúdo de genética e a sua importância na formação inicial de professores para ensino de ciência e biologia. VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências
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