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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Minha queria pesquisa - Arthur Casulli de Oliveira



Arthur Casulli de Oliveira– Biólogo 
Mestre em Ciência Biológicas (Genética) 
Estudante de Doutorado UNESP  
Instituto de Biociências de Botucatu

Minha paixão por biologia vem desde o Ensino Médio. Entretanto, nesta época eu relutava em fazer Biologia, pois não queria trabalhar com nada relacionado ao que via na escola. Foi só no segundo semestre do meu 3º ano do ensino médio que finalmente me dei conta do erro do meu pensamento. Cursei minha graduação na UNESP de Botucatu, me formei em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas e vi que dar aula, ao contrário do que imaginava no passado, é uma coisa que tenho prazer em fazer. Durante minha graduação, fiz estágio de Iniciação Científica na Paleontologia, Morfologia e na Genética, onde finalmente descobri a área que gostaria de atuar pelo resto dos meus dias acadêmicos. Fiz meu mestrado em Genética também na UNESP e agora curso o Doutorado, no mesmo laboratório.
Durante todo o meu período na Genética estudei, e ainda estudo, pequenas moléculas chamadas de microRNAs (miRNAs), que são moléculas responsáveis por controlar a expressão de nossos genes. Agora no doutorado, decidi me aprofundar um pouco mais nestas pequenas moléculas, buscando entender como é todo o mecanismo de produção delas dentro da célula. E por que decidi fazer isso? Pois os vertebrados como os peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, apesar de todas as diferencias anatômicas que a gente pode observar, possuem suas sequências de DNA altamente semelhantes. Para vocês terem uma noção, 70% dos genes que produzem proteínas são similares entre nós, seres humanos, e o peixe que eu trabalho, conhecido como zebrafish ou paulistinha (nome científico: Danio rerio). Mais ainda, vocês já pararam para pensar como temos órgãos tão diferentes, com funções e formas tão diversificadas, se o DNA de todas as nossas células é igual? Alguns dos grandes responsáveis por promover todas essas variações são justamente os miRNAs.
As moléculas de miRNAs, assim como os genes que produzem proteínas, são muito semelhantes entre as espécies, não só de vertebrados, mas de todos os animais. Existe até um miRNA que é 100% igual desde as águas-vivas até os humanos!!! Mas o que vem intrigando os pesquisadores é que, apesar de as sequências destas moléculas serem iguais ou muito parecidas, a quantidade em que ela é produzida entre diferentes espécies, ou entre diferentes órgãos dentro de uma mesma espécie é altamente variável. Como se isso já não fosse o suficiente para atiçar a curiosidade de diversos pesquisadores, cada gene de miRNA é capaz de produzir duas moléculas diferentes, e qual delas vai ser produzida em maior escala também varia de espécie para espécie e de órgão para órgão. Mas, e daí? O que isso representa na prática?
E daí que cada uma das duas moléculas que um único gene de miRNA é capaz de produzir regula funções completamente diferentes, é responsável pelo crescimento saudável de órgãos completamente diferentes e estão presentes numa infinidade de doenças. Aqui vai um exemplo prático interessante para vocês. O zebrafish, peixe que estudo, é capaz de regenerar uma grande quantidade de órgãos depois de uma lesão, como por exemplo o olho, o coração, o cérebro, as nadadeiras, e assim por diante. E como nós sabemos, nós humanos temos uma capacidade regenerativa muito baixa. Se sofremos um derrame, por exemplo, teremos sequelas pelo resto de nossas vidas. Mas e se nós conseguíssemos nos recuperar? E se nosso corpo já possuísse todos os genes necessários para que nosso coração e nosso cérebro se regenerassem que nem o zebrafish, mas estes genes apenas estivessem desligados ou suas moléculas existissem em quantidades diferentes entre nós e o zebrafish? Foi justamente isso que um grupo de pesquisa da Universidade da Califórnia, nos EUA, se perguntou. Eles viram que durante a regeneração do coração do zebrafish, as moléculas de dois miRNAs diminuem em quantidade, permitindo que o coração se recupere, enquanto que nos camundongos, estes miRNAs permaneciam inalterados, e seu coração não se recuperava. Quando eles forçaram a alteração da quantidade destas moléculas no coração dos camundongos, seu coração apresentou grande melhora, aumentando em grande escala sua recuperação.
Agora, durante meu doutorado, eu quero tentar compreender como a célula consegue promover sozinha essa alteração na quantidade de moléculas de miRNAs, e recuperar um órgão danificado sem precisar que ninguém force essa troca. Assim, seríamos capazes de entender melhor não só como uma única célula consegue produzir órgãos tão diferentes, mas conseguiríamos, no futuro, recuperar traumas em órgãos que hoje em dia são irreversíveis!!
Tudo isso pode estar soando um pouco como o Dr. Connors, o Lagarto, vilão do homem-aranha. Mas não se preocupem, pois a ciência nos filmes é bem distinta da realidade, como vocês podem ver na nossa coluna “CSI: investigando séries e filmes”.
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Um comentário:

  1. Obrigada pela explicação. Fiquei fascinada. Tomara que você consiga desvendar este mistério e trazer esperança de regeneração para muitos no futuro. Parabéns pelo artigo muito bem redigido.

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