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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Com quantos dedos se faz um cavalo ágil e forte?

 
Por: Érica Ramos 
erica.ramos00@gmail.com

Há 55 milhões de anos surgiram, no nosso planeta Terra, as primeiras espécies de cavalos. Os ancestrais das atuais espécies de cavalo possuíam algumas características bastante curiosas. Uma delas, a qual chama bastante atenção, é que eles possuíam mais dedos.
Pois é, o mais antigo gênero dos cavalos (Hyracotherium) conhecido por meio de fósseis, era constituído por animais do porte de cães, que apresentavam 4 dedos nos membros anteriores e 3 nos membros posteriores. Mais recente a esse grupo (10 milhões de anos atrás), surgiram os Merychippus (também já extintos), que possuíam 3 dedos (1 principal e dois laterais menores) e eram um pouco mais parecidos com os atuais cavalos que conhecemos. No entanto, o gênero de cavalos (Equus), o qual ainda existe e é conhecido por todos nós, apresenta animais com um único dedo ou dígito alargado e reforçado na forma de um casco com estruturas vestigiais de dedos laterais. A figura 1, abaixo, mostra as diferenças da estrutura óssea entre grupos de cavalos, na qual podemos perceber a redução no número de dedos, bem como o “engrossamento” e fortalecimento do único dedo restante.

Figura 1: Comparação dos diferentes gêneros de cavalos em relação à estrutura óssea de seus membros e dentes. Ao lado esquerdo, são mostrados os períodos na escala geológicas nos quais as espécies desses grupos surgiram.
Mas porque essa característica de dedo único e reforçado foi selecionada ao longo do processo evolutivo no grupo?
Para responder a essa questão, a paleontóloga Brianna McHorse e colaboradores (Universidade de Harvard, EUA) escanearam a estrutura óssea de 12 fósseis dos diferentes gêneros de cavalos. Para a comparação, foram escaneadas as estruturas ósseas das patas do gênero Equus e, como um grupo externo para controle, das Antas (gênero Tapirus). Veja a Figura 2 abaixo:




Resultado de imagem para . Toe reduction index (TRI) shown for the genera sampled in this study.
Figura 2: Fósseis analisados no estudo, as cores ilustram o índice de redução dos dedos e ao lado direito uma imagem transversal simulada da estrutura óssea dos dedos.


A partir desses dados, foi possível realizar diversas simulações computacionais de estresse causado pelo ambiente (solos arenosos ou solos com gramíneas) e pelo tamanho corpóreo (portes menores ou maiores) sobre os dedos das patas.
E qual o resultado? 
Os paleontólogos concluíram que o aumento no porte dos cavalos, bem como o alongamento de seus membros favoreceram a característica de um único dedo alargado, centralizado e fortalecido no casco desses animais. Isso porque essa estrutura mostrou uma resistência maior a fraturas para sustentação de massas corpóreas maiores, quando comparada a uma estrutura de vários dedos pequenos. Além disso, com o alongamento dos membros, os dedos laterais se tornaram inertes e passaram a contribuir pouco para a estabilidade do animal.
Então, é possível dizer que animais de porte maior e com membros alongados conseguiam fugir de predadores em corridas muito rápidas e caminhar por longas distâncias (que exigem resistência física). Por serem bem sucedidos em sobreviver, se reproduzir e prosperar, esses animais foram selecionados e, por consequência o dedo único em forma de casco também, visto que fornece a estabilidade e agilidade necessária a essas características.


Sobre a autora: Bióloga e Mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP, apaixonada pelo tema Educação e, também, editora desta página de Divulgação Científica. No momento atua como aluna de doutorado na UNESP, na área de Genética.

Quer saber mais? Veja os links abaixo:
-Em português
-Em inglês
https://www.sciencenews.org/article/how-horses-lost-their-toes?tgt=nr

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