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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Aprendendo mais sobre a doença com o jogo “Vamos combater a Dengue”

 
Por: Cristiane S. Alves
cris_desantis@yahoo.com.br


atividade lúdica é uma característica universal que sempre foi apresentada pelas crianças, independente da época, estrutura de civilização ou classe social. Existem várias maneiras de manifestação da ludicidade, tais como os jogos, as histórias, a dramatização, as músicas, a dança, as canções e as artes plásticas. Além disso, ela pode auxiliar o processo de ensino-aprendizagem, pois interfere em cinco fenômenos ligados à aprendizagem: cognição, afeição, socialização, motivação e criatividade. Quando a criança brinca, está incorporando conceitos, valores e conteúdos. É preciso considerar que o gosto pelos jogos varia dependendo do sexo, da idade cronológica, das condições de vida, da influência familiar e dos valores culturais. A faixa etária ideal para se trabalhar com jogos é entre 07 e 12 anos de idade, pois as crianças apresentam um espírito empreendedor e criativo, o que permite a concentração e a captação de todo o contexto social.
Os jogos constituem modelos para a aquisição de novos padrões de respostas pelas crianças, principalmente quando simulam situações da vida real, e também contribuem para o desenvolvimento motor, melhorando a capacidade de concentração, percepção e memória. Apesar de ser realizado de uma maneira prazerosa e descontraída, contém normas rígidas, levando a criança para fora da realidade, em um ambiente no qual ela é livre e, ao mesmo tempo, possui regras pré-estabelecidas.
O jogo também é importante para a sociabilização, pois leva às crianças a interagirem entre si, criando suas próprias normas éticas e morais. Também pode levar os jogadores a se conhecerem melhor, possibilitando até grandes amizades, já que o jogo desenvolve a sensibilidade e a estima, levando as crianças a experimentarem simpatia e empatia.
A utilização de jogos pedagógicos no ensino fundamental pode visar três aspectos envolvidos no processo de cognição: a resolução de problemas, o pensamento lógico e a capacidade de abstração. Os professores também podem explorar outros processos cognitivos como a percepção, a formação de conceitos e o exercício da linguagem. O jogo auxilia o desenvolvimento da criatividade, ajudando as crianças em suas autodescobertas. A vida passa a ter significado quando conseguimos conectar os diversos acontecimentos dos quais fazemos parte. Para tanto, é necessária a mediação da criatividade, pois o sonho e a imaginação precedem a construção da forma. A escola como instituição tem deixado a desejar no tratamento dessa questão, desestimulando a criatividade, um dos aspectos essenciais da natureza humana. O espírito de competição também pode ser amplamente trabalhado pelo professor durante o desenvolvimento de um jogo, pois oferece aprendizados relevantes.
Neste sentindo, tendo em vista o reconhecimento da relevância da atividade lúdica no processo de aprendizagem, elaboramos o jogo didático de tabuleiro “Vamos combater a Dengue” (Figura 1), abordando a Dengue como tema principal, assunto de extrema importância e necessidade, que deve ser tratado na escola.

Figura 1: Fotos do jogo de tabuleiro "Vamos combater a Dengue"

Por que estudar a Dengue?
Desde 1846, há registros sobre a Dengue no Brasil. Em meados de 1980, epidemias da doença ocorreram por todo o território brasileiro, com exceção dos Estados do Sul. A partir de 1990, começaram a surgir casos de Dengue hemorrágica no Rio de Janeiro, agravando ainda mais a situação. A Dengue continua se manifestando em todo o nosso país, a população tem consciência da doença através de propagandas do governo veiculadas pela mídia. Porém, a sociedade não tem uma participação efetiva no combate ao vetor da Dengue, os aspectos biológicos do mosquito ainda não são de conhecimento de todos, o que torna ainda mais difícil seu controle.
O transmissor da Dengue, o mosquito Aedes aegypti, prolifera próximo a regiões habitadas, em qualquer local que contenha água limpa e parada (caixas d'água, latas, pneus, cacos de vidro, vasos de plantas). O Aedes aegypti, atualmente, está presente em cerca de 3600 municípios brasileiros.
O único modo possível de evitar a introdução de um novo tipo do vírus da Dengue é a eliminação dos transmissores. Esta eliminação do mosquito se faz através da conscientização da população, começando desde a infância. Neste aspecto, o jogo como importante recurso didático permite integrar elementos do ambiente e conceitos básicos, como as doenças e a prevenção, de uma forma didática, original e participativa.

Como funciona o jogo?
Partes do jogo:
-1 livro de orientação para o professor,
- 1 tabuleiro com 1 círculo no meio e 3 caminhos, um de cada cor, que contém “casas” das três cores que correspondem as classes de perguntas,
- 3 pinos coloridos,
- 1 dado,
- 30 fichas com uma pergunta e uma resposta em cada uma delas, divididas em 3 classes: 10 perguntas sobre a Biologia do Mosquito, 10 sobre os Sintomas e Tratamento e mais 10 sobre a Prevenção. Cada grupo de perguntas é de uma cor diferente e corresponde ao caminho a ser percorrido no tabuleiro.
Obs.: O jogo pode ser confeccionado utilizando-se EVA, papel cartão, pincel atômico, tesoura e cola.
Modo de jogar:
Os jogadores poderão ser organizados em grupos ou individualmente. O jogo tem início com uma disputa no dado. O jogador (ou grupo) que tirar o maior número deverá iniciar a partida e o próximo a participar será quem se encontra ao lado, no sentido horário. Caso haja empate, os participantes deverão lançar o dado novamente até que ocorra o desempate.
O primeiro participante (aluno ou grupo) deverá escolher uma ficha e, consequentemente, um dos três temas que deverá ser seguido até o final da 1ª etapa (até entrar no círculo).
A pergunta da ficha deverá ser lida em voz alta por um membro da equipe, que será o jogador da rodada.
Se o aluno (ou grupo) que escolheu a ficha acertar a resposta, terá o direito de jogar o dado e “andar” o número de casas determinadas pelo dado. Se errar, ficará sem se mover até a próxima rodada e assim por diante.
Quando o participante (grupo) entrar na parte circular, que possui todas as 3 cores do jogo, continua a mesma regra de leitura e resposta da 1ª etapa do jogo, no entanto agora as cores determinam a classe de pergunta que deverá ser respondida.
O vencedor será aquele que chegar primeiro ao mesmo ponto em que entrou na região de casas circulares, e o jogo deverá seguir até que o terceiro participante (grupo) chegue ao seu ponto de saída, assim todos os participantes (grupos) irão ter a chance de responder as perguntas e aprender todo o conteúdo sobre a Dengue.

Ficou curioso e quer jogar? Clique no link abaixo para baixar os componentes e as instruções do jogo, confeccione o seu e aprenda se divertindo!
https://drive.google.com/drive/folders/0Bz-D7dtcW_CNNk8yb3B1NkFFTnM?usp=sharing

Sobre a autora: Cristiane S Alves é pós-doutoranda do Laboratório de Telômeros no Departamento de Genética do IBB-UNESP de Botucatu. Bióloga pelo IBB-UNESP de Botucatu, com Mestrado e Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela mesma instituição, com período sanduíche na Universidade de Utah, em Salt Lake City e Cold Spring Harbor Lab, em Nova York, EU

Quer saber mais sobre o assunto?
-Trabalhos em português
Alves, CS - "ATIVIDADES LÚDICAS E O COMBATE À DENGUE: UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS." UNESP, 2005.
 BRASSOLATTI, R. C. – Avaliação do conhecimento de segmentos sociais quanto a Dengue e Pediculose capitis e de uma intervenção educativa na prevenção da dengue. Tese de Mestrado. UNICAMP, fevereiro, 1999.
DOHME, V. – Técnicas de Contar Histórias. São Paulo: Informal, 2000.
DOHME, V. – Atividades Lúdicas na Educação: O caminho dos tijolos amarelos do aprendizado. Petrópolis: Vozes, 2004.
KISHIMOTO, T. M. – Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação. São Paulo: Cortez, 1996.
LOPES, M. G. – Jogos na Educação: Criar, Fazer, Jogar. São Paulo: Cortez, 2001.
MIRANDA, S. – No fascínio do jogo, a alegria de aprender. Ciência Hoje. V. 28, n. 168. Jan/fev. 2002, p.64-66.
REGO, T. C. - -Vygotsky – Uma perspectiva histórico-cultural para a educação. Petrópolis: Vozes, 1995.

-Trabalhos em espanhol:
PUJOL, M. R. – Didática de las ciencias em la educacio primaria. Madrid: Síntesis.
REGO, T. C. - -Vygotsky – Uma perspectiva histórico-cultural para a educação. Petrópolis: Vozes, 1995.
VIVAS, E., SEQUEDA, M., G. – Un juego como estrategia educative para el control de Aedes aegypti em escolares venezoelanos. Ver. Panam Salud Publica/Pan Am J Public Health. V. 14, n. 6. 2003,


-Trabalhos em inglês:
STEINMAN, R. A., BLASTOS, M., T. – A trading-card game teaching about host defense. Medical Education. n. 36. 2002, p.1201-1208.
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